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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Minha estratégia para viver de renda passiva - versão 1.0

Penso bastante (até mais do que devia) em como virar vagabundo, parar de trabalhar por dinheiro e viabilizar uma vida pós-IF. Basicamente consegui pensar em 2 modelos até agora:

1. Múltiplas fontes de renda passiva, depositando dinheiro na minha conta mensalmente
2. Diversos "baldes" de dinheiro, alocados por prazo e/ou percentual, de onde eu iria retirando à medida que precisasse

Por enquanto só consegui detalhar algo baseado no modelo 1. Apesar de ainda ter algumas lacunas e incertezas, como parte da premissa do blog de mostrar minha jornada rumo à IF e trocar idéias com outros aspirantes a virar vagabundo acho interessante registrar aqui essa primeira versão.

Este plano é baseado nos seguintes pilares:

- Cupons semestrais do tesouro direto
- Mudança para alguma cidade com custo de vida menor, usando o aluguel do meu apartamento para pagar aluguel lá e ainda sobraria algum dinheiro

Plano de renda passiva

Estes são os números que andei mastigando:

Yield  R E N D A %
origem valor anual anual mensal Carteira Renda
TD IPCA 2035 330000 4% 13200 1100,00 15,1% 13,7%
TD IPCA 2050 330000 4% 13200 1100,00 15,1% 13,7%
TD PRE 2027 330000 4% 13200 1100,00 15,1% 13,7%
FII 300000 7,4% 22327,25 1860,60 13,7% 23,2%
Ações 150000 3% 4500 375,00 6,8% 4,7%
Aluguel 750000 4% 30000 2500,00 34,2% 31,1%
TOTAL 2190000 96427,25 8035,60
Renda fixa 45,2% 41,1%
Renda variável 20,5% 27,8%
Outros 34,2% 31,1%
Taxa de retirada 4,4%

Este fluxo me garantiria uma renda média de 8000 reais por mês. Todas taxas de retirada prevem o não-consumo do principal do investimento e correção pela inflação.

  • Tesouro direto 
Taxas no dia em que comecei a escrever este post (16/08/2017):

Ativo Vencimento Taxa de Juros Pagamento
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTNB) 15/05/2035 5,14% maio e novembro
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTNB) 15/08/2050 5,17% Fevereiro e agosto
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027 (NTNF) 01/01/2027 10,04% Janeiro e Julho

Esta parte está bem explicada nesse vídeo, a partir do minuto 15:


Muito importante notar que uma parte dos juros seria usada para se reinvestir em mais títulos, para proteger o principal da inflação. Por exemplo o Tesouro Prefixado 2027 pagaria 10% ao ano de juros, mas eu só retiraria 4%, reinvestindo o restante. Nos meses de recebimento o excesso de dinheiro seria colocado em algum investimento com liquidez para uso no mês posterior.

  • FIIs
Considerei um DY mensal de 0,60%, onde os aluguéis seriam reajustados pela inflação. Meu DY atual está em 0,62% mais ou menos.

  • Ações
Seriam retirados somente os dividendos. Até acho que consigo mais que 3% mas nesse primeiro momento vou ser mais conservador.

  • Aluguel
Pesquisei preços de imóveis parecidos na minha região e fiz um desconto de 15% por causa do IR. Aluguel seria reajustado pela inflação.

Se tudo correr bem, consumindo 4,4% anuais dessa carteira teórica eu teria uma renda suficiente para suprir minhas necessidades, enquanto a outra carteira (já já chegaremos lá) continuaria crescendo livre.

Mas e se algo der errado ?

Plano B

Em meses de maiores despesas ou períodos de escassez dessas fontes de renda, entraria em ação esta carteira backup:

Yield  R E N D A %
origem valor anual anual mensal Carteira Renda
TD SELIC 100000 4% 4000 333,33 10,0% 8,9%
Fundos+Prev 500000 5% 25000 2083,33 50,0% 55,6%
RF 250000 4% 10000 833,33 25,0% 22,2%
Exterior 100000 4% 4000 333,33 10,0% 8,9%
Ouro 50000 4% 2000 166,67 5,0% 4,4%
TOTAL 1000000 45000,00 3750,00
Renda fixa 35,0% 31,1%
Renda variável 15,0% 13,3%
Outros 50,0% 55,6%
Taxa de retirada 4,5%



Este fluxo me geraria em média 3750,00 mensais, equivalente  a 47% da renda principal. Mais uma vez a idéia seria retirar somente juros acima da inflação, deixando o principal intacto.

  • Tesouro SELIC: famosa reserva de emergência, seria o primeiro a ser tocado em caso de necessidade
  • Fundos+Previdencia Privada: diversos fundos multi-mercado de médio e longo prazo
  • Renda Fixa: títulos privados com duração de 3 anos distribuídos ao longo tempo. Em anos ruins eu não reinvestiria uma parte deles.
  • Exterior e ouro: apliquei a famosa taxa de 4%
Esta carteira me cobriria bem em alguns casos bem prováveis:
  • Dificuldade de achar inquilino: esta carteira cobriria essa renda e ainda sobraria algo pro bolo continuar crescendo. Aluguel seria 31% da minha renda, enquanto esta carteira equivale a 47%.
  • FIIs e ações com problemas reduzindo os dividendos pela metade: mesmo assim a carteira backup daria conta do recado e ainda sobraria. Poderia até cobrir a renda de aluguel ao mesmo tempo se precisasse, porém aí não sobraria nada.
Ou seja, mesmo que num certo período minhas despesas aumentem 47% ou cerca de metade da minha carteira principal falhe eu ainda poderia me virar com essa carteira backup. Sem comentar que eu poderia cortar gastos e nem precisar recorrer a essa carteira. Aquela viagem pra Europa poderia ser trocada por uma viagem mais barata, trocar de carro poderia esperar mais um ano e coisas assim.

Eu também pretendo gerar alguma renda através de algum trabalho que me agrade, retardando ao máximo a necessidade de recorrer a esta carteira para pagar minhas contas.

Em condições normais (retirada somente da carteira principal) a taxa de retirada geral das duas carteiras seria 3% ao ano. Não gosto de comparar com os tal 4% porque essa é a TSR baseada no mercado americano. Portanto não sei se é alta ou baixa, diria que é adequada para a renda almejada. 

Plano C

Mas e se a coisa ficar feia mesmo ? 
  • Aluguel baixando ou faltando, ações e FIIs sem pagar dividendos por vários anos: não restaria outra alternativa senão vender ativos, fazer retiradas acima da inflação e comprometer o principal dos investimentos.
  • Governo dando calote nos títulos do Tesouro: neste cenário Mad Max, eu estaria morando no interior, com espaço para plantar e criar alguns animais para me alimentar. Ainda teria uma reserva em ouro e moeda estrangeira para complementar. 
Não faço questão de deixar dinheiro para herdeiros. Prefiro investir em boa educação para gerar oportunidades com as quais eles enriquecerão sozinhos e quem sabe até me ajudarão se eu precisar. Nesse processo gerarão riqueza por si mesmos, melhorando um pouco o mundo a seu redor. Por isso não me preocupa consumir o principal do investimento por algum tempo se for preciso.

É claro que existe risco. Mas nessa vida nada é garantido. Você pode trabalhar até os 70 anos, juntar 10 milhões de dólares e no dia seguinte sofrer um acidente ou ataque cardíaco, sem aproveitar nenhum fruto do seu trabalho.

Para diminuir o risco de acabar o dinheiro (eliminar é impossível, mesmo trabalhando até 70 anos) quero ter ainda uma margem de segurança. Por este plano eu precisaria ter aplicado 2,44 milhões. Isso equivale à conta de número mágico mais simples que vemos por aí, aquela baseada na taxa de 4%: 8000 x 12 x 25 = 2,4 milhões. Conforme meu post sobre cálculo do número mágico, vou arredondar isso para 3 grandes sabugos.

Pontos em aberto

Certas coisas eu ainda não sei exatamente como tratar:
  • Apartamento: se valeria mais a pena vender e alugar ou comprar em outro lugar, é um capítulo à parte; por questão de simplicidade deixei essa questão de lado nessa primeira versão da estratégia
  • Reinvestimento dos títulos: só Deus sabe que taxas eu pegaria no reinvestimento semestral e principalmente no vencimento de cada título
  • Impostos: os primeiros cupons do tesouro seriam mais taxados; ainda que após 2 anos caísse na faixa de 15%, é dinheiro que não ficará lá rendendo juros compostos, mostrando ineficiência do ponto de vista financeiro/matemático e enchendo os bolsos dos nossos infames governantes
  • Alocação ideal dos ativos: basicamente eu parti do aluguel e vendo que daria cerca de 1/3 da renda almejada, joguei outro terço pra TD e outro para dividendos de ações e FIIs
  • Margem de segurança: onde alocar, pois aqui só considerei o básico (2,4 sabugões)
  • Renda mensal pra que ? Como assalariado sempre fui organizado e nunca vivi de contra-cheque em contra-cheque, então não sei até que ponto vale a pena pagar o preço da ineficiência comentada acima só pela conveniência de ter dinheiro garantido pingando na conta corrente com frequência.
Por conta desse último ponto eu ainda quero pesquisar, mastigar mais números e tentar viabilizar uma estratégia conforme o modelo 2 mencionado no início do post.

É um trabalho em progresso. Críticas e sugestões são bem vindas. Feliz IFAP !

sábado, 12 de agosto de 2017

Despesas - Março a Julho/2017

Gastar menos do que ganha e reduzir despesas eu considero como o pilar fundamental dos aspirantes a IFAP - independência financeira e aposentadoria precoce. Há 5 meses venho acompanhando meus gastos através do app GuiaBolso. 


Este app tem a vantagem de buscar automaticamente o extrato bancário. Jamais funcionaria pra mim se eu tivesse que guardar recibinhos ou revisar o extrato para classificar os gastos na mao em alguma planilha. O GuiaBolso já classifica corretamente a maioria dos itens, restando alguns que eu vou acertando enquanto estou no ônibus ou esperando alguma coisa.

Nesse tempo já foi possível entender meu padrão de despesas, que na maior parte bateu com as estimativas que eu tinha. Somente supermercado eu tenho gasto mais do que imaginava. Vejamos a média das minhas despesas mensais - casal e uma criança:


Viagem 516,6
Moradia 981,4
Educação 775,38
Restaurante 614,08
Transporte 701,17
Lazer 415,36
Empregada 480
NET Netflix 239,948
Luz 151,718
Mercado 1387,512


Resto 1027,038


TOTAL 7290,206

Eita, como tá caro morar em Sao Paulo, viu.
  • Viagem: gasto com hotéis, gasolina e restaurantes durante viagens de lazer. Fiz duas esse ano e ainda tenho mais uma. Portanto esse número deve permanecer nessa faixa.
  • Moradia: condomínio e suas taxas malucas, mais água e gás.
  • Educação: creche meio período e livrinhos infantis.
  • Restaurante: comer perto do trabalho varia de 20 a 60 reais. Eu procuro ir nos mais em conta, mas não recuso se o pessoal quer gastar mais. Prezo o convívio. Nesse custo entra também a pizza e restaurantes de fim de semana.
  • Transporte: gastos com carro e transporte coletivo. Como não tem mais parcelas de seguro nem revisão do carro pra fazer esse ano, esse número deve baixar.
  • Lazer: aqui está pesando esse monte de shows internacionais acontecendo no Brasil. Não estou aguentando, e nem vou em todos. Outro custo significativo foi um violão que comprei em abril.
  • Empregada: uma vez por semana
  • NET Netflix: o combo maroto da NET mais o Netflix.
  • Luz: energia elétrica
  • Mercado: supermercado mais ração para dois gatos. Pesa a compra de muitas frutas, legumes e o leite da minha filha. Custa R$ 48 por lata e é difícil de achar. Quando vejo no mercado pego umas 10 latas de uma vez. Fiz isso em maio.
  • Resto: porcariadas diversas - roupinhas, presentes, cabelereiro da mulher, remédios, etc
Com o advento da IF espero baixar alguns custos:
  • Moradia: sem necessidade de morar em SP, poderei ir para uma cidade média do interior
  • Restaurante: sem precisar ir para uma empresa, poderei cozinhar e comer em casa
  • Lazer: já nem vou a tantos shows como ia antigamente e a tendência é continuar diminuindo. Fora poder ir no cinema nos horários mais em conta.
  • Empregada: tendo tempo de sobra, poderei eu mesmo cuidar da casa
Até a próxima !

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Balanço - Julho/2017

Saindo agora quentinho do forno mais um capítulo da busca do último milhão:
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 45%
  • Renda passiva de FIIs e ações: 1620,86
  • Rendimento global da carteira: 0,63% - devagar e sempre. Acumulado de 2017 - 7,59%
    • Previdencia Privada: 1,26% - Animal
    • Tesouro direto: 1,84% - Show
    • RF (Titulos privados): 0,60% - Medíocre; cortes na SELIC fazendo efeito
    • Fundos: 1,35% - Show
    • FGTS: 0,30% - sem comentários 
    • Bolsa: 0,06% - BRCR11 quebrou minhas pernas
    • USD: -4,78 % - queda do dólar
    • EUR: -2,91% - queda do euro
    • Stock plan: -3,99% - queda do euro e da ação
Essas rentabilidades sao líquidas, com exceção de Bolsa e ativos no exterior. Considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos. Não estão consideradas taxas de corretagem.

Alocação atual:



BrasilExterior
FundosPrev PrivadaFGTSRFTDBOVESPAStock PlanEURUSD

21,5% 10,8% 5,7% 18,5% 23,1% 11,7% 3,1% 2,8% 2,7%


Este mês quero refinar meu controle de ações e FIIs. Se rolar aporte vai ser em algum dos que estou de olho.