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sábado, 14 de março de 2020

Carta ao futuro eu


Junho/2025

E aí, bicho ? Beleza ? Pois é, já fazem 6 anos que você chutou o balde e partiu pra aquele auto-exílio, começando um sabático por tempo indeterminado. Lembra que poucos meses depois rolou um derretimento global dos mercados, por causa de mais uma epidemia de gripe ? Todo ano tem, mas nessa a mídia e os governos conseguiram tocar o terror na população. E os tubarões do mercado aproveitaram pra realizar seus lucros.

Foi fundamental o seu comportamento na ocasião. Na crise de 2008 você tinha um monte de fundos de ações recomendados pelo gerente do banco. Não sabia bulhufas sobre onde tinha se metido. Entrou em pânico e vendeu no fundo da recessão ! Sardinhou total ! 

Só que na crise do coronavírus foi diferente. Você estudou e fiz mil planilhas justamente pra saber como lidar naquela ocasião. Você se preparou. Claro que na hora H foi punk. A bolsa derreteu legal mas você não vendeu no fundo. Afinal, pra que vender FIIs e ações pagadoras de dividendos porque a cotação caiu, se o que importa mesmo são os dividendos ?

É claro que bem no começo da crise você se deslumbrou, né ? De repente caiu 10% e você já vinha querendo aumentar posição em alguns ativos. Correu, catou grana da reserva de segurança e comprou. Só que despencou mais ainda nos dias seguintes. Aí sim que você se deu conta de uma armadilha chamada repique de baixa. Foi um aprendizado. Além disso, não se deve abandonar a gestão da carteira num momento de crise. Não se deve comprar mais de um certo papel só porque ele caiu mais que outros.

Outro aprendizado: lembra que uma semana antes da bomba estourar aquele fundo de ações super badalado abriu pra captação ? Você já vinha monitorando, aí no dia que abriu você correu e jogou lá um pouco da reserva de segurança. Que cagada ! Você aprendeu 2 coisas: 

1. não se deve usar a reserva do dia-a-dia pra investir
2. um ativo volátil como um fundo de ações não pode ficar assim abrindo e fechando na hora que bem quiser. Você quis investir mais, comprar mais cotas com o mesmo dinheiro, porém aquela merda estava fechada pra captação ! Dançou !

Depois dessas valiosas lições você segurou a onda e esperou o mercado se estabilizar pra aí sim rebalancear a carteira. Era muita volatilidade. Tinha vários circuit breaker por semana, uma loucura ! Não dava pra operar daquele jeito. Quando a coisa mais ou menos se estabilizou você racionalmente, aos poucos, sem movimentos bruscos, rebalanceou a carteira de acordo com sua alocação de ativos pré-estabelecida. Entre tantos ativos, aquele fundo que segue o ouro enfim serviu pra alguma coisa. Subiu feito um foguete e depois se transformou em ações pagadoras de dividendos e FIIs, comprados a preço de banana.

Você aproveitou as oportunidades. O Tesouro IPCA rapidamente subiu pra 5% e você não vacilou. Era hora de travar uma ótima rentabilidade no longo prazo. A cada 6 meses esses cupons alegram seu mês. Diziam que TD era arriscado por causa de calote do governo. Imagine bolsa então ! Que empresa iria lucrar ou mesmo querer operar num ambiente assim ?

É tudo lógico. Assim como em 2008, você não tinha motivo pra vender tudo no fundo. Aquilo era dinheiro que você não ia usar naquele ano nem no ano seguinte. Em 2008 você tinha uma grana na poupança, emprego e recebia todo mês. Em 2020 você tinha uma reserva, um colchão de segurança que era suficiente pra cobrir suas despesas por 2 anos no pior dos casos. Tinha ainda dividendos pingando todo mês. Não havia motivo pra pânico. Era baixar a cabeça e seguir a estratégia

Parabéns pela disciplina !

PS: se estiver lendo isso no seu laptop sentado numa mesa de escritório é porque, apesar de tudo, o plano não funcionou. Pelo menos deu errado logo no começo e ainda deu tempo de você voltar pra Matrix enquanto podia. Imagina se você tivesse 65 anos quando a planilha do AdP te dissesse que você tinha que voltar a trabalhar ?

sexta-feira, 6 de março de 2020

Sobre o derretimento global dos mercados


Bem, amigos, todo mundo já sabia que uma hora a festa ia acabar. Mas ninguém queria que ela acabasse, né ?

Desde que descobri o movimento FIRE e passei a acompanhar de perto minhas finanças, passei por 2 momentos ruins - o "Joesley Day" e a greve dos caminhoneiros. Estes porém foram eventos que abalaram somente o mercado brasileiro.

Tenho tentado permanecer calmo no meio dessa zona. Afinal já fiz mil contas e planilhas. Já construí reserva pra passar por tempos magros, isolado da volatilidade do mercado. Mas pra ser honesto me sinto incomodado e um pouco frustrado. Seria tão bom se a festa continuasse... Mas certamente não vou entrar em pânico e vender tudo na baixa. Pelo contrário, até comprei (pra cair de novo).

Se eu estivesse "na ativa" e recebendo salário todo mês estaria aportando pesado. Porém, pra quem não sabe, estou num sabático e vivendo na Europa. Isso significa que a partir de agora as remessas vão ficar bem mais caras e vão influenciar negativamente minha taxa de retirada. Esta eu tinha estimado em 2,6% pra este ano, porém isso era com o euro na casa dos 4,50.

Há pouco tempo atrás eu pensava, e ainda penso, como uma crise pode criar oportunidades. Ficava ansioso pra ter logo uma crise, uma recessão pra poder aproveitar. Acho que é nisso que temos que nos focar - nas oportunidades, não nos prejuízos (alô IRB) que estamos tendo. Onde estarão elas ? Vamos manter os olhos abertos.

Aliás um pequeno parênteses sobre a questão da IRB. Esse rolo me traz a mente uma frase da blogueira IFM, frustrada com a palhaçada que fizeram com a MPLU3:

A renda fixa é minha pastora e nada me faltará.

Creio que este ano já está comprometido. Vai ficar essa ladainha de corona vírus mais uns 2 meses, até começar o verão no hemisfério norte. Com clima mais agradável, o vírus deve dar uma sossegada. Resta saber se no Brasil, com a chegada do inverno, a situação vai estar sob controle. Pra completar o quadro, com o nosso presidente dando declarações bombásticas toda semana fica difícil acreditar numa recuperação.

Esse ano a bolsa já caiu 15%. Descendo mais uns 10% posso pensar em rebalancear. Que a alocação de ativos seja minha guia !

Em resumo: foi pra isso que está acontecendo que a gente estudou, fez cálculos, discutiu regra de 4% e várias estratégias. Que no longo prazo seja apenas uma marolinha !

segunda-feira, 2 de março de 2020

Balanço - Fevereiro/2020


Todo mundo pulou o carnaval ?

O tempo continua passando muito rápido. Eu sigo mergulhado nas coisas do dia a dia e frequentemente pensando se estou fazendo uso correto do meu tempo. Está difícil arrumar tempo pra tocar projetos mais a longo prazo. Ok, estudo música, idiomas e faço exercícios - coisas que só darão resultado lá na frente. Mas sei lá. Queria ser 2. :-)

Pela primeira vez houve uma queda generalizada dos mercados enquanto eu vivo deles. A vontade foi de ter comprado muito mais. Esfriei a cabeça e com a minha alocação de ativos debaixo do braço coloquei mais dinheiro somente naqueles ativos que eu queria aumentar posição. Será que minha carteira sobreviveu a esse mês doido ? Vejamos:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,54%
Tá bom.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,37%
Tá bom.

Fundos: -0,22%
Levaram uma cacetada. Só o Trend Ouro continua voando.

FGTS: 0,25% 
O de sempre... 

Ações: -7,06% 
Aproveitei a palhaçada que fizeram com a IRBR3 pra entrar pois já estava no radar faz tempo. Bom que não caiu muito com o pânico pós-carnaval.

Aceitando minha incompetência como stock picker, voltei a investir em fundos de ações. O escolhido foi o Vinci Mosaico, com uma grana que estava num fundo DI que é parte do meu colchão de segurança. 

Depois do carnaval não resisti à tentação e usei mais um pouco desse colchão pra aproveitar as promoções. Vendi um lote de SAPR3 dia 26 enquanto não tinha caído muito, também pra aproveitar as promoções, pouco antes dela cair 10%. Uff !!! Mas no fim o maldito coronavírus fez seu estrago.

FIIs: -5,77%; DY do mês ficou em 0,57%
Entrei na subscrição do MXRF11. RBRD11, um dos primeiros que comprei e que nunca me deu problema, agora micou. Um inquilino vem dando calote, sendo responsável por 85% da renda do fundo. Vou carregar mais um pouco pra ver o que acontece. Entrei no RBFF11.

EUR: 0,16% 
Show de horrores. Uma semana antes do crash iniciei uma carteira com 3 fundos de índice. Detalhes num futuro post. A rentabilidade só ficou positiva por causa da alta na cotação. 

USD: -1,34% 
Pânico nos mercados !

Stock plan: -1,09% 
Ação despencou uns 15% no final do mês com o pânico causado pelo coronavírus chegando à Europa. A alta do euro amorteceu o impacto um pouco.


Alocação atual:


Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,24% - pífio

Previdência Privada: -1,25% - maldito vírus

Concluindo:

Rendimento global da carteira: -1,04% - um desastre !
Rendimento global da carteira, líquido de inflação*: -1,26% - sentei na graxa
Taxa de retirada: 0,18% - dentro da meta

Nesse momento estou planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.


Pela primeira vez em 3 anos, desde que acompanho de perto minhas finanças, tive uma diminuição de patrimônio. Que beleza. Voltei ao patamar de uns 3 meses atrás. Por enquanto tudo bem, segue o jogo. Há um ano atrás simulei o que aconteceria com minha carteira se hoje ocorresse uma crise como a de 2008. Preciso atualizar os números, mas creio que se meu patrimônio caísse 6% em um ano eu ainda conseguiria sobreviver.

Indicadores do mês:

CDI: 0,29%; no ano 0,67%
IPCA*: 0,22%; no ano seriam 0,43% 
Poupança: 0,26%; no ano 0,52%

* Quando divulgarem o IPCA eu corrijo (se lembrar)

Próximos passos

Vai rolar subscrição do BCRI11 e vou aproveitar um pouco. No geral os FIIs continuam muito esticados, nem mesmo com esse pânico consegui comprar muita coisa nem tenho nada em vista.

Este mês tenho vários CDBs vencendo. Uma parte vou converter em euros (tomara que baixe um pouco ao longo do mês), outra vou reinvestir e outra vou recompor meu colchão de segurança. De repente aporto em algum FII ou ação se a atual correção continuar.

Esse mês as despesas vão pra lua porque vou comprar passagem pro Brasil. Não descarto mais uma reduçãozinha de patrimônio.

Até a próxima e nesses dias malucos vamos todos sempre ter em mente:

YOU CAN'T BE ON FIRE IF YOU CAN'T STAND THE HEAT

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Tributação de dividendos



Pois é, amigos, a moleza vai acabar. Já está acabando pois na prática a B3 saiu na frente e já instituiu essa tributação. Sejamos realistas. Se este governo não fizer, o próximo fará. Todos países tributam dividendos, porque logo no Brasil onde tributa-se de tudo há de se escapar ?

Neste post vou tentar avaliar qual seria o impacto na minha carteira.

Fim da isenção para vendas abaixo de 20 mil reais

Isso aqui é um grande benefício da nossa bolsa. Comentei isso algumas vezes com um amigo gringo que também investe em ações. "Como assim não paga nada, mesmo se lucrar ?" - o cara ficou louco.

Este ponto não me acerta em cheio porque estou aos poucos migrando pra ETF, que já era tributado. Vou conservar algumas ações que paguem dividendos e aí sim, da parte seguinte eu não escapo...

Tributação de dividendos de FIIs e ações

Pelo que se explica no vídeo acima, teremos 2 opções: 

1 - tributar na fonte a 15% ou 
2 - deixar que se some às suas outras rendas, formando a base de cálculo para a declaração anual. 

O projeto também prevê uma simplificação nas alíquotas de IR, onde quem ganha menos de 5 mil por mês ficaria isento.

Por pouco eu não poderia optar pela segunda opção. Meus dividendos mais aluguel do imóvel às vezes ficam abaixo, mas com maior frequência passam um pouco dos 5 mil. No atual modelo eu pago 7,5% sobre o aluguel e 0% sobre os dividendos. 

Se entendi bem, se esse projeto passar, minha base de cálculo anual seria somente o aluguel, pois optaria por tributar os dividendos na fonte. Daí eu ficaria isento do aluguel e passaria a pagar 15% sobre os dividendos.

Conclusão

No fim das contas ganho pelo lado do aluguel mas perco do lado dos dividendos, ficando mais ou menos elas por elas.

Se eu continuar firme no buy and hold o impacto é menor. Se não vender, não pago imposto. Se receber dividendo pago 15%, porém fico isento de pagar sobre o aluguel.

Só na hora de rebalancear a carteira é que não escapo. Enfim, existiria sim algum impacto pra mim, porém não seria muito grande.

Volatilidade à vista

Se passar mesmo acho que teremos dias malucos na bolsa. De um lado sardinhas atordoadas vendendo tudo pra voltar pra renda fixa e do outro muita gente (incluindo eu) fazendo a estratégia explicada no vídeo abaixo: vender tudo abaixo de 20 mil e recomprar no dia seguinte, pra aumentar o preço médio e reduzir o imposto numa venda futura.


E você leitor, o que acha ? Teremos uma oportunidade de compra ? Ou é melhor ir pra outros investimentos ? Algumas empresas passariam a pagar menos dividendos? Deixe seu comentário e também seu voto na consulta pública que está rolando sobre o assunto.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Balanço - Janeiro/2020

Mês que passou voando. 

Tivemos a pilantragem da B3 com suas novas taxas. Estranhamente, quase ninguém comentou. Mas é Brasil sendo Brasil né ? Parece o Neymar que quando tá ganhando o jogo começa com firula, passa o pé em cima da bola... Quando ninguém estava na bolsa, eles não vinham com essas idéias. Eu que já estou cauteloso por causa da euforia dos últimos tempos vou é priorizar o aumento da minha posição no exterior com os dividendos recebidos.

O UOL publicou um artigo sobre o movimento FIRE ! Com participação do colega Sr. IF365, é um dos pouquíssimos artigos sobre o assunto na mídia mainstream brasileira, se não for o único. Igualzinho quando sai algo assim na mídia mainstream no exterior, o artigo é carregado de estereótipos. Seria mesmo modinha de millennials ou coisa de muquiranas que passam a vida a pão e água pra juntar dinheiro o mais rápido possível, dar um pé na bunda do chefe e continuar vivendo a pão e água pro resto da vida ? Tá certo ?


Mas não é só na mídia mainstream que existem mal-entendidos. Esses dias um dos blogs mais tradicionais da finansfera publicou um desabafo. Arrependido após largar tudo para viver sua semi-FIRE e ter saído do Brasil inclusive, o blogueiro se chamou de idiota por ter acreditado que seria feliz assim e chamou de idiotas todos que almejam a aposentadoria antecipada. É claro que não concordo com nada que ele publicou. Mas o post é muito engraçado e alguns comentários então... lendo no ônibus não conseguia segurar as risadas, o povo deve ter achado que eu era louco. Brincadeiras à parte, o autor está passando por um momento difícil. Ele comentou uma vez que tomava uns remédios. Talvez errou a dose esse dia. Tomara que ele encontre seu caminho, seja FIRE ou não.

Terminei de ler "Em busca de sentido", livro escrito por um psicólogo judeu que foi prisioneiro em campos de concentração. Ele analisa os truques psicológicos que usou pra sobreviver num ambiente que era o fim da dignidade humana. Valeu a pena tanto sofrimento ? Fazia sentido aquilo ? Recomendo.


Bom, vamos aos números do mês:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,58%
Ótimo. E esse mês teve uns cuponzinhos pra turbinar a renda passiva.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,54%
Ótimo

Fundos: 1,11%
Excelente

FGTS: 0,25% 
Sem comentários... 

Ações: -3,68% 
SAPR3 voou mas HGTX3 enterrou a carteira... vi que deu uma caidinha, comprei a 32 sem saber o que estava rolando e fechou o mês na casa dos 27 :-( Indexar é preciso.

FIIs: -6%; DY do mês ficou em 0,69%
Tava na cara que ia rolar uma correção, pois tava subindo muito e ainda tá bem esticado no geral. Fiz a subscrição do JSRE11. Foi o primeiro FII que comprei, há 3 anos, e nunca me deu dor de cabeça.

EUR: 4% 
Bela alta do euro 

USD: 5,87% 
Bela alta do dólar

Stock plan: 2,27% 
Ação caiu mas a alta do euro segurou


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 29%
Multimercado - 27%




Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,32% - medíocre, sem surpresas

Previdência Privada: 0,28% - fraco, puxado pelo desempenho da bolsa

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 0,1% - pífio
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: -0,11% - lamentável
Taxa de retirada: 0,11% - dentro da meta

Nesse momento estou planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,38%;
IPCA: 0,21%; 
Poupança: 0,26%

Próximos passos

Tem um resgate do fundo Gripen caindo agora no começo do mês. Vou mandar pra renda fixa se tiver algo acima de 130% do CDI, senão vai pra IVVB11, GOVE11 ou reserva de oportunidades. No dia eu vejo.

Pretendo começar uma carteira de fundos de índice em Euro numa conta nova, com dinheiro que está meio parado por aqui. Ainda manterei uns 6 meses líquido pra custear as despesas do dia-a-dia, reabastecendo de tempos em tempos com os dividendos e aluguel recebidos no Brasil. De início serão 3 fundos. Quando estiver pronto faço um post com mais detalhes.

Até a próxima !

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Vida de vagabundo: 200 e tantos dias sabáticos


Queridos fans da blogosfera de finanças (ou firesfera), 100 e tantos dias depois do último relato tá na hora de olhar pra trás e ver que diabos eu estou fazendo da vida afinal.

Acho que nada ilustra melhor esses últimos meses que a história mostrada no vídeo abaixo. Pra entender o que se passa e o conteúdo deste post, assista.



A jarra da vida continua cheia pra mim. Retirei uma bolinha - trabalho assalariado em tempo integral - mas coloquei outras: cuidar da família, fazer exercícios e estudar. Música e finanças continuam sendo somente pedrinhas, que eu tive que colocar na jarra depois das bolinhas, senão nao cabia. O blog especificamente tá mais pra areia. 

Isso explica porque minha intenção original de postar com mais frequência foi pro saco, assim como ler um livro por mês e fazer meditação. Pedrinhas, areia e cerveja que um dia eu gostaria de colocar na minha jarra:

  • cursos de desenvolvimento web, carpintaria
  • montar ou entrar numa banda
  • aprender a fazer pães e bolos
  • explorar fontes de renda passiva ou semi-passiva via internet
  • por a leitura em dia
  • meditação
Infelizmente o dia continua tendo apenas 24 horas.  Depois da independência financeira eu queria que alguém inventasse a independência temporal. :)

Tipicamente meus dias são assim:
  • Manhã: levar minha filha na escolha é a única obrigação. Depois vem cerca de uma hora de exercícios, uma hora de música e/ou uma hora cuidando da casa (limpeza, compras, consertos, arrumação, etc). Nem sempre rola fazer todos. As bolinhas tem prioridade.

  • Tarde: curso de idiomas ou levar filha pra atividades extra-escolares, depois cuidar  dela enquanto a patroa vai fazer seus cursos. Só bolinha nessa parte. Encaixo umas pedrinhas conforme dá.

  • Noite: Depois do jantar, ver algo no Amazon Prime Video ou mexer com música, as finanças da casa ou tentar ler um pouco. Qualquer coisa que eu não tenha conseguido fazer durante o dia e que eu me sinta mais motivado.

  • Nos fins de semana pelo menos um dia saio pra correr e o resto acaba sendo mais família - passeios, compras, ver filmes, etc... Nas brechas coloco umas pedrinhas e grãos de areia: música, estudar finanças, blogar, pesquisar assuntos de meu interesse, etc... bom, acho que aí tá mais pra cerveja :-)  

E assim enchi minha jarra. 



É raro eu pegar meia hora pra não fazer nada. Deitar no sofá sozinho com meus pensamentos. Como é bom (e necessário) se desligar, se desconectar do mundo... às vezes estou no processo de me desligar quando lembro que esqueci de fazer algo de alguma das minhas "to-do lists", ou que tem aquela conta pra vencer, ou a patroa chega em casa e o cérebro já liga de novo.


A gente aqui em casa já brinca falando que eu quero arrumar um trabalho pra poder descansar. Querer eu quero, já explico o porquê. Só que agora trabalho é uma parte que eu prefiro que seja uma pedrinha e não uma bolinha. Trabalho em tempo integral e por tempo indeterminado se depender de mim não faço mais. Freelances e projetos temporários são pedrinhas que eu consigo encaixar na jarra. 

Tenho sido contactado por headhunters pelo menos uma vez por mês e já cheguei até perto de fechar algo mas por enquanto nada. Gostaria de faturar algo nesses primeiros anos fora da corrida dos ratos, pois ainda conservo fresca na memória minha experiência em TI, o que me renderia uns trocados a mais. Passados alguns anos estarei obsoleto e totalmente fora do mercado, tendo que me contentar com trabalhos que pagam menos - professor de inglês, motorista de Uber, sei lá. Por isso o foco em achar algo logo nos primeiros anos.

Fica claro que não me considero aposentado, continuo num sabático por tempo indeterminado. Acho difícil que eu nunca mais tenha um emprego. Uma hora aparece algo mais tranquilo, pra tirar uns trocados antes de mais um sabático.

Financeiramente falando, entro 2020 com a seguinte alocação:

Ativo Alocação Alvo Real
Tesouro Direto 23% 22%
LC*, CDB (incl FGTS) 20% 22%
Debêntures/CP 5% 6%
Ações 6% 6%
FIIs 12% 12%
EUR 8% 7%
USD 6% 5%
Ouro 4% 3%
Fundos MM 16% 18%

Renda fixa - 44%
Renda variável - 29%
Multimercado - 27%

Todos percentuais muito próximos do alvo que eu estabeleci, então nada de rebalanceamento por enquanto.

Em cima disso ainda tenho Tesouro SELIC e Fundo DI o suficiente para cobrir 2 anos de despesas caso todos os dividendos cessem hoje; 4 anos se continuarem no ritmo atual. Fora algo em previdência privada.

200 e tantos dias depois, a carteira continua intacta, tendo conseguido até um aumento real:

MêsTaxa de retiradaRend. líquido
Jul0,22% -0,03%
Ago0,18% 0,79%
Set0,16% 1,17%
Out0,15% 1,32%
Nov0,05% -0,05%
Dez0,21% 0,36%
TOTAL0,98%3,56%

Lembrando que essa taxa de retirada é a diferença entre as despesas e os dividendos, estimada em no máximo 0,27% ao mês ou 3,2% ao ano.

Parece que em julho e novembro acabei retirando mais do que rendeu. Na prática isso ocorreu somente em julho, um mês com gastos atípicos por causa da mudança e onde eu ainda não tinha renda de aluguel. Em novembro a renda do aluguel ajudou a cobrir todos os gastos e ainda sobraram alguns trocados. No geral os 6 primeiros meses terminaram com um saldo positivo - gastei bem menos do que a carteira rendeu.

E que venham os próximos 200 dias !

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Balanço - Dezembro/2019; Diretrizes para 2020


Feliz ano novo !

Como passa rápido... parece que foi outro dia que eu chutei o balde e parti pra essa aventura de auto-conhecimento e mudanças enquanto vivo do "vento". Vou ter que fazer outro post pra detalhar melhor como andam as coisas. Por enquanto fica registrada a marca histórica de 200 dias.

Esse mês enquanto a carne foi o vilão da inflação eu fui viajar e torrei uma graninha. Ao mesmo tempo as ações e FIIs dispararam de um jeito que eu fiquei até meio tonto.

E vamos aos números desse mês maluco onde renda variável voou:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,47% - fraco

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,46% - fraco

FGTS: 0,25% - o de sempre

Fundos: 1,74% - excelente

Ações: 9,33% - é tudo ou nada esse negócio; DY do ano fechou em 2,9%

FIIs: 7,01% - é bolha ?!; DY do mês ficou em 0,57%, fechando o ano em 6,56%

EUR: -2,14% - leve queda no euro

USD: -2,50% - leve queda no dólar 

Stock plan: -5,25% - leve queda no euro e na ação 


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 30%
Multimercado - 26%


Outros ativos:

Previdência Privada: 1,15% - voou na aba da bolsa

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,3% - medíocre

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 1,51% - sensacional ! No ano fechou em 13,59%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 0,36%

Taxa de retirada: 0,21% - dentro da meta

Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,2% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,27%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do mês anterior, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,37%; no ano fechou em 5,96%
IPCA: 1,15%; no ano deve fechou em 4,31%
Poupança: 0,29%; no ano fechou em 4,25%

Melhores investimentos do ano: Stock plan (182%), FIIs (28%) e USD (28%). 
Piores investimentos do ano: FGTS (5,8%), RF (5,8%) e EUR (9,9%).

Foi um ano muito bom financeiramente. O que rendeu bem disparou e o que rendeu menos não foi tão ruim assim.

Próximos passos

Esse ano devo contar com rentabilidades menores em previdência privada e stock plan, pois uma parte do investimento era subsidiado pela empresa. Acabou a moleza.

No geral estou pensando assim:

- Renda variável: não vender nada do Brasil. Aportes com grana vinda da renda fixa estão liberados. Prioridade na bolsa brasileira vai ser ETFs e small caps. No exterior, pretendo vender todas minhas ações do stock plan e reaplicar em ETFs e fundos de índice na Europa, além de seguir comprando IVVB11 sempre que possível.

- Renda fixa: quase todo mês tem algum CDB vencendo, a idéia é reinvestir caso não haja nenhuma oportunidade na RV. Tesouro Direto só se o IPCA+ bater 4% mas posso colocar algo lá já a partir de 3,5%. Preservar o poder de compra é muito importante, e garantir algo de juros reais na era dos juros 0 é preciso.

- Multimercados: sair do Gripen (uma decepção) e jogar o resgate pros outros ou pra RV/RF - o que valer mais a pena.

- Previdência privada: devo jogar algo pra PGBL pra reduzir minha carga tributária. 

- Colchão de segurança: resgatar o que for preciso pra custear minha vida de vagabundo

- Bitcoin: continuar olhando e comendo pipoca

Para 2020 meus cálculos indicam que a carteira aguentaria uma taxa de retirada máxima de 3,5%. Deduzindo os dividendos estimados, eu poderia retirar 2,6%. Cruzando com a  projeção atual de despesas, estimo que vou efetivamente retirar algo em torno de 2% somente.

Em 2019 eu estimei uma taxa de retirada máxima de 4%; menos dividendos, 3,2%; no fim  efetivamente eu retirei só 0,5% de julho a dezembro, o que daria 1% no ano.

Comparando 2019 e 2020 percebe-se o impacto da queda de juros. Não posso mais retirar o mesmo que antes sem consumir uma parte do principal. Mas tudo bem, ainda dá. E se com os juros na mínima histórica eu ainda consigo me virar, imagina quando subir. Porque tudo que desce, tem que subir. :)

Feliz 2020 !