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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Em defesa do movimento

Futuros vagabundos,

Como vão ?

Recentemente o podcast "Afford anything" entrevistou Suze Orman, uma especialista em finanças pessoais, palestrante e autora de vários livros na área. Ela ficou cerca de uma hora descendo a lenha no movimento FIRE e na idéia de aposentadoria precoce. Se você é mesmo sério nesse negócio de independência financeira eu te digo, é de arrepiar ouvi-la fazendo terrorismo, tentando botar água no nosso chope. A entrevistadora parece ficar sem palavras.

Alguns blogueiros gringos famosos como o Early Retirement Dude, Mr. Money Mustache e Millenial Revolution revidaram com chumbo grosso.

Agora este humilde terceiro-mundista vai dar seu pitaco.

Uma coisa a ter em mente é respeitar a entrevistada. Nunca tinha ouvido falar nela, então dei uma googlada. Ela tem 67 anos e é super rica (tinha até programa de entrevista numa TV americana), mas começou de baixo e com muito trabalho construiu uma fortuna na casa dos 30 milhões de dólares. Ela conta isso na entrevista e essa trajetória tem que ser respeitada.



A seguir os pontos que ela comentou, porquê ela odeia o movimento FIRE e porquê seria uma idéia ridícula se aposentar antes dos 65 anos.

Tragédias acabarão com seu dinheiro

Ela diz que é muito bonito parar de trabalhar com 35 anos e ir viajar o mundo mas conforme a idade chega, merdas acontecem - você ou um familiar pode ter cancer, ficar desabilitado, vegetando numa cama, essas coisas. Ela dá como exemplo ter gasto 3,5 milhões de dólares cuidando de sua mãe em idade avançada. Uma doença pode te impedir de trabalhar, mesmo que você queira, e aí seu dinheiro vai acabar e você vai morar debaixo de uma ponte.

Ou um tornado pode vir e acabar com sua casa, te dando um imenso prejuízo, te forçando a voltar a procurar emprego com 70 anos, sem achar nada, fazendo-o ir morar debaixo da ponte.

E aí, gente, ferrou-se ?

Acho que o ponto é que como nos EUA os custos com saúde são altíssimos, acaba realmente sendo um grande risco se não colocar direitinho no orçamento. É um ponto pouco comentado nos blogs gringos. A entrevistadora Paula Pant termina o podcast refutando os argumentos anti-FIRE mas não toca no assunto.

Vejo o povo toda hora preocupado com isso no Reddit. Realmente não sei como eles fazem. É o único país desenvolvido onde saúde é bem de consumo. Ponto pra nós, pois por mais caro que seja, aqui ainda é mais barato cuidar da saúde e se você não tiver grana mesmo pode tentar a sorte no SUS (claro que nós, entusiastas da IF, vamos tacar esse custo no Excel e não vamos parar enquanto não alcançarmos o número mágico).

Eu mesmo ponho nas minhas contas que vou morar em casa de repouso a partir dos 80 anos pagando uns 10 mil reais por mês. Mais uns 5 mil de plano de saúde. Um post sobre isso está nos planos. Continuarei pagando o mínimo do INSS para ter direito ao auxílio-doença. Nos EUA só tem direito ao auxílio-doença quem está na ativa ou tem mais de 60 e tantos anos. É punk.

Tirando a questão de saúde e doenças, para mitigar o risco de destruição do patrimônio por desastres naturais existe algo chamado SEGURO. Não vamos se aposentar sem por casa e carro no seguro. Então não faz sentido colocar isso como obstáculo para a aposentadoria antecipada. É só por no orçamento e fazer as contas.

Mas meu grande ponto é que uma tragédia como essas - doença fatal, furacão, invasão marciana - poderia detonar as finanças de qualquer pessoa, seja ela aposentada ou não. É algo totalmente fora do nosso controle. Eu preferia me aposentar com 30 milhões no banco mas para isso eu teria que trabalhar até os 90 anos, afinal ganhar na loteria não é muito provável. Mas e aí ? E o risco de aos 89 anos o cara morrer sem aproveitar o patrimônio construído ? É uma questão de escolha. Não dá pra ter TUDO nessa vida, mas dá pra ter QUALQUER coisa.

Prefiro parar antes do que viver com medo. Usando a matemática nós vemos que com disciplina é possível se aposentar com 1 ou 2 milhões, não com 10 ou 20 como ela prega ao longo da entrevista.

Parar cedo é perder a força dos juros compostos

Suze argumenta que parando aos 35 anos não haverão mais contribuições ao seu portfólio, as quais gerariam juros sobre juros nos próximos 20-30 anos, um dinheiro que vai fazer falta. Acho que ela não entende o conceito de TSR e regra dos 4%. Ela deve achar que as retiradas irão sempre consumir o principal do investimento.

O dinheiro que estiver lá aos 35 anos de idade vai sim continuar rendendo juros sobre juros. Daqui 30 anos aqueles 100 reais vão virar um milhão, desde que não se consuma o principal. Você não vai se declarar financeiramente independente e sacar toda grana de uma vez.

Outra coisa, quem disse que nunca mais vão haver aportes ? Daí vem o ponto seguinte.

Tédio vai te matar

Suze diz ter parado com tudo aos 65 anos, aí não aguentou o tédio e voltou a trabalhar. Ela diz que corremos o risco de morrer de tédio e então não faz sentido a aposentadoria precoce. Mais uma vez ela levou o nome RE (retire early) muito ao pé da letra e eu não a culpo pois também acho confuso. Seria melhor chamar essa filosofia de FI/CC - Financial Independence / Career Change. Você atinge a IF e aí faz uma mudança de carreira, continuando a trabalhar mas em outra área, mais alinhada com seus gostos pessoais.

Ela provavelmente não sabia dessa nuance. Não significa parar de aportar com 35 anos de idade. Não significa não ganhar nem 1 centavo mais na vida. Você até pode tentar mas duvido que consiga. Uma pessoa relativamente jovem e ativa não consegue, a cabeça não aguenta.

Faça o que você gosta, aí não precisa parar cedo

Essa é uma mas maiores abobrinhas do nosso tempo. Suze Orman argumenta que diante de todos esses obstáculos o melhor é arrumar um emprego que você goste, fazer o que você goste até os 70 anos e aí sim se aposentar. Onde estão esses empregos maravilhosos, estáveis, com tarefas agradáveis e bem remunerados ? Se eu achasse um, trabalharia décadas a fio nele. Eu cansei de procurá-los e cansei de tentar inventá-los.

Suze aparentemente está entre os poucos privilegiados nesse mundo que trabalhou 40 anos fazendo o que gosta e ainda por cima ganhando um bom dinheiro com isso. Aí é fácil dar esse tipo de conselho. A mídia só mostra a meia dúzia que deu certo seguindo seus sonhos, não os milhares que fracassaram e foram parar debaixo da ponte.

Ainda que você tenha um emprego legal que te proporcione satisfação profissional e dinheiro, não vá pensando que não precisa poupar ou planejar o futuro. O problema é que é um emprego e está sujeito a mudanças alheias à sua vontade - um novo chefe, uma reestruturação, uma mudança no mercado ou na economia podem transformar o emprego dos sonhos num pesadelo.

"Faça o que você é bom" é um conselho melhor na minha opinião. Se você fizer algo com competência terá boas chances de ser bem remunerado. Aí você pega o salário, poupa, investe e sai fora ao atingir a IF, para aí sim fazer algo que você realmente goste, pouco importando a remuneração. Acho mais plausível.

Conclusão

É óbvio que o padrão de vida dela passa longe do nosso e dos blogueiros citados. Também a questão é que ela diz odiar o movimento FIRE mas não o estudou direito. As possíveis falhas que ela relata são o que eu pensei logo que topei com a idéia. Num primeiro momento parecia absurdo mas lendo vários blogs, livros e fazendo as contas vi que era possível. Essa lição de casa ela não fez antes de baixar o sarrafo no melhor estilo "vão trabalhar, seus vagabundos !!!".

Faltam 228 dias.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Balanço - Setembro/2018

Bem, amigos, conseguiram avançar mais um pouco esse mês? 

Minha caminhada segue. Lenta. Silenciosa. Tortuosa. Inabalável.


Este mês o movimento FIRE ganhou destaque no New York Times. Depois de uma matéria publicada no finalzinho de agosto, que inclusive foi até traduzida no Brasil, a repercussão foi tão grande que publicaram um segundo artigo onde alguns expoentes do movimento respondem às perguntas mais frequentes. O Millenial Revolution e o Early Retirement Dude publicaram artigos rebatendo as críticas ao movimento.


E vamos aos resultados:

  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,58% - bom rendimento porém menor que meses anteriores por causa do vencimento gradual daqueles títulos generosos de 2015-2016
  • FGTS: 0,24% - sem comentários
  • FIIs: -1,20% - até que o estrago foi pouco diante da já prevista implosão de MFII11 (-33%) e mais tombos de FAMB11B e BBFI11B (-13% cada)
  • USD: 0,47% - tá bom
  • EUR: -1,58% - queda do euro
  • Stock plan: 5,3% - só alegria


Alocação:

Renda Fixa Renda Variável Multi mercado
42,2% 29,8% 28,0%


Outros ativos:
  • Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,40%
  • Previdência Privada: 0,90%
Concluindo:
  • Rendimento global da carteira: 0,41% - razoável; no ano 5,9%
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 50%
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.


Indicadores do mês:
  • CDI: 0,47% - quase empatei; acumulado 4,84% no ano
  • IPCA: 0,48% - perdi...; no ano acumula 3,34%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 3,47%
Toda parte de bolsa continuou problemática. Tenho que me livrar dos micos - FAMB11B, BBFI11B, MFII11 e UGPA3.

Sem alta expressiva na parte de moeda estrangeira e com os atuais ganhos modestos da renda fixa, sobrou pros multimercados carregarem o bonde e estes por fim tiveram um bom mês. Dias melhores virão.

Faltam 241 dias.

domingo, 16 de setembro de 2018

TSR para o Brasil: segundo estudo com o método Monte Carlo

Olá, fiéis seguidores deste humilde blog !

Esta semana revisei e aprimorei esse post publicado há um ano. Sugiro ler para ter o contexto. 

Basicamente a idéia seria calcular qual seria uma taxa segura de retirada para a bolsa brasileira, haja vista que a regra de 4% foi estabelecida a partir do mercado norte-americano. Outro aspecto é que foi levando em conta rendimentos passados que certamente não se repetirão naquela determinada ordem.


Na época o mitológico blogueiro Viver de Renda sugeriu usar a média geométrica ao invés da aritmética, pra tentar reduzir o desvio padrão. Pra mim fazia sentido, porém a função GEOMEAN do Excel dava erro quando haviam números negativos. E rendimento negativo em bolsa tem aos montes.


Fuçando descobri o jeito de calcular a média geométrica. Mudei a planilha mas a volatilidade continuou igual. Aí descobri que a função NORMINV, que puxa os valores dentro da variação estatística, precisa da média aritmética, e não da geométrica. :-(

Depois desse vai e vem percebi que muitas vezes a simulação gerava rendimentos além da máxima e mínima histórica por causa do alto desvio padrão do IBovespa. Por isso a sequência de retiradas virava uma super gangorra e acabava comprometendo os resultados. Resolvi então impor limites. Se fosse gerado um rendimento maior que o teto histórico, este seria assumido e da mesma forma rendimentos abaixo da mínima histórica seriam substituídos por esta.


Esta acabou sendo a única alteração funcional no estudo. Para entender como a planilha funciona, veja o post anterior - TSR para o Brasil: meu primeiro estudo com método Monte Carlo.

Completei com os rendimentos de 2017 e rodei várias vezes com taxas de retirada de 2, 3 e 4%.

Resultados

Considerando:
  • Inflação 0% em todos cenários
  • Período SP500 -1/1/1950 em diante; IBOV 1/1/1996 em diante
Dada uma carteira de 1 milhão, simulei diversas vezes cada cenário e anotei a taxa de falha que mais apareceu. Taxa de falha seria a porcentagem de simulações onde a carteira zerou antes de terminar o período.

Indice Anos
Taxa de retirada            30            40            50
S&P 500 0,1 0,2 0,4
2% IBOV 2,5 3 3,8
IBOV USD 16 20 23
S&P 500 0,8 1,6 2,5
3% IBOV 5,5 6,5 7
IBOV USD 24 29 31
S&P 500 3,5 6,5 8
4% IBOV 10 11 12
IBOV USD 32 34 37

No cenário pelo S&P500 e TSR de 4% durante 30 anos (estilo Trinity Study) a taxa de falha ficou em 3,5%. Nos cenários usando o Ibovespa as taxas de falha foram sempre superiores a 10%, mesmo adotando um período mais estável (desprezando a época da hiperinflação). Convertendo os retornos para dólar para diminuir a volatilidade não ajudou, esta ainda foi imensa. Veja abas "Monte Carlo" e "Rendimentos".

Conclusão

O problema desse tipo de análise é que cada retorno é gerado independentemente do retorno anterior. Com isso ele não consegue simular coisas que acontecem na vida real como uma queda seguida de forte recuperação ou vários anos seguidos de bull/bear market. Existe uma técnica chamada "factoração de Cholesky" onde é possível criar uma correlação entre os rendimentos individuais, de tal forma que eles não sejam totalmente aleatórios. Parei por aí, fica pra uma próxima vez.

Pra quem tiver curiosidade, abaixo os links pra quem quiser brincar. Divirtam-se !


Monte Carlo Simulation: The Basics

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Balanço - Agosto/2018


Enfim saí do meu projeto super estressante. Queriam que eu ficasse até o fim do ano. Quando me falaram isso deixei rolar um pouco e depois pedi pra sair. O que não se faz pelo vil metal ?... Foram 6 meses de inferno e agora quero ver qual a próxima bucha.

Nossos ilustres presidenciáveis divulgaram seu patrimônio. Uma piada. Qual deles terá atingido a independência financeira ? Só rindo...

Saiu no New York Times um artigo sobre o movimento FIRE. A coisa vai ficando cada dia mais mainstream. Esse artigo em particular está bem feito, não tem tom sensacionalista como em outros artigos publicados na grande mídia. Só falha mesmo por associar o movimento aos millenials. Pode ver que dos expoentes citados no artigo só os blogueiros Millenial Revolution se encaixariam nesse grupo. Atualização: pra quem preferir, o UOL traduziu o artigo - veja AQUI.

O Tesouro Prefixado bateu 12% e não aguentei. Peguei o que estava parado na corretora e comprei alguns títulos, inclusive meus primeiros com juros semestrais. Se passar dos 12,50% compro mais. 

Enfim, eis o resultado de mais um mês de sangue, suor e lágrimas:
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 60%
  • Rendimento global da carteira: 0,97% - muito bom; no ano 5,45%
    • Previdência Privada: -0,12% - horrível
    • Tesouro direto: 0,12% - a nova poupança
    • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,73% - inabalável
    • Fundos: 0,59% - melhorando aos poucos
    • FGTS: 0,24% - normal
    • Ações: -2,34%
      • KLBN3 em destaque com alta de 13%, enquanto LAME4 despencou 14%
      • Dividendos diversos elevaram meu yield on cost para quase 3%, batendo a meta do ano. Agora é dobrar a meta ! :-)
    • FIIs: -0,53% - ABCP11 subiu 4,68%; BBFI11B derreteu quase 9%
    • USD: 10,67% - alta do dólar
    • EUR: 5,22% - alta do euro
    • Stock plan: 11,8% - alta da ação e do euro
Interessante notar que mesmo sendo somente cerca de 10% da carteira os ativos no exterior puxaram a rentabilidade geral com sua performance expressiva neste mês. Diversificar é essencial.

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Indicadores do mês (mais detalhes nesse link):
  • CDI: 0,57% - superei; acumulado 4,32% no ano
  • IPCA: -0,09% - superei; no ano acumula 2,85%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 3,08%

Próximos passos

Vou tirar um dia no próximo feriado só pra acertar minhas planilhas e planejar os próximos passos. A meta de abandonar o mundo corporativo está se aproximando e na verdade prefiro não pensar em abandonar, e sim ir pra um sabático por tempo indeterminado e depois vejo o que faço. 

Pensava em ir pra esse sabático já no final deste ano mas o Sr. Mercado não colaborou, ao mesmo tempo em que tive pesadas despesas - previstas e imprevistas. Na hora H vai ser duro. Terei mesmo coragem pra puxar o gatilho ? Vai ser fechar os olhos e mandar bala.

Faltam 270 dias.

PS: como é ruinzinho esse editor do blogspot... cada hora as letras saem de um tamanho, não importa como se formate. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Despesas (atualização Agosto/2018)

Senhoras e senhores obcecados por finanças pessoais, aqui vai atualização do post publicando há 1 ano.

Continuo usando o app GuiaBolso. No final do mês copio os totais para minha planilha.




Abaixo a média mensal de um ano pra cá, descontando algumas despesas extras que tive ultimamente, pois não fazem parte do meu padrão de consumo:
  • Viagem: 2450 - Gasto com hotéis, gasolina e restaurantes durante viagens de lazer. Em relação ao ano passado subiu bastante por causa da viagem internacional que fiz com dólar na faixa dos 4 reais.
  • Moradia: 1250 - Condomínio e suas taxas malucas, mais IPTU, seguro, água e gás. É um número bem mais preciso que o registrado anteriormente.
  • Educação: 1800 - esse ano fiz upgrade pra uma escola melhor. Não é gasto, é investimento :-)
  • Restaurante: 560 - Comer perto do trabalho varia de 25 a 90 reais. Eu procuro ir nos mais em conta, mas não recuso se o pessoal quer gastar mais. Prezo o convívio. Preço de restaurante também varia dependendo de onde estou, se estou em cliente. Esse ano consegui fazer bastante home-office, daí o custo baixou um pouco. Nesse custo entra também a pizza e restaurantes de fim de semana.
  • Transporte: 580 - Gastos com carro (seguro, gasolina, manutenção e impostos), Uber (ocasional) e transporte coletivo. 
  • Lazer: 320 - Aqui pesam mais os shows internacionais, sempre na faixa de 200 a 300 reais. Inclui cinema ocasional, passeios com a família, ensaios com minhas bandas e equipamentos musicais esporadicamente.
  • Empregada: 500 - Uma vez por semana
  • Internet + Telefone + Netflix: 220 - Esse ano cancelei a TV a cabo e fiquei só com internet e Netflix. Tá ótimo assim. Só quero ver se as produtoras fizerem como a Disney, que vai tirar seu conteúdo do Netflix e lançá-lo em seu próprio serviço de streaming (fonte). Se a moda pega...
  • Luz: 160
  • Mercado: 1180 - Comida, bebidas, produtos de limpeza, ração e areia para gatos. Pesa a compra de muitas frutas e legumes. Alguém lembra quando banana era preço de banana ?
  • Resto: 500 - Porcarias diversas, roupinhas, presentes, brinquedos, cabelereiro da mulher, cosméticos, remédios, etc
TOTAL: 9520 reais por mês para 2 adultos e uma criança. Valor puxado um pouco pra cima por causa de viagem internacional. Estou gastando demais né ? Não sei como economizar mais. Vida comfortável sim mas sem luxo, nada de carro importado nem moro em bairro chique.



Quando eu virar vagabundo espero baixar alguns custos:

  • Moradia: sem necessidade de morar em SP poderei ir para uma cidade média do interior ou até pra Portugal como o povo anda fazendo, ora pois. 
  • Educação: escolas no interior são mais baratas. Mesmo nas cidades vizinhas a diferença é grande.
  • Restaurante: sem precisar ir para uma empresa, poderei cozinhar e comer em casa
  • Lazer: já nem vou a tantos shows como ia antigamente e a tendência é continuar diminuindo. Fora poder ir no cinema nos horários mais em conta.
  • Empregada: tendo tempo de sobra, poderei eu mesmo cuidar da casa
Gastos não-essenciais são cerca de 36% desse orçamento. Basicamente são coisas que na fase pós-IF eu posso cortar em épocas de vacas magras, pra não fazer grandes retiradas do portfólio.
E você, controla seus gastos também ? Como ?

Faltam 289 dias.

sábado, 4 de agosto de 2018

Balanço - Julho/2018


Segue dura a batalha pela independência financeira.

Pela blogosfera afora o acontecimento de maior destaque sem dúvida foi a morte precoce do blogueiro Viver de Construção. Particularmente não seguia de perto a trajetória dele, só olhava de vez em quando através dos blogs que acompanho mas sabia que era um dos blogs mais tradicionais, com inúmeros fans. Realmente triste, que a família tenha força para seguir sem ele. Vá em paz, VdC !

O artigo mais interessante que li foi sobre dólar ser considerado investimento, uma confusão que eu mesmo fazia. Leia aqui.

Financeiramente consegui recuperar um pouco do prejuízo de maio e junho. Sigo castigado por gastos elevados por conta de viagem internacional. Estes vou liquidar na fatura de agosto.

Mas isso estava previsto, o que matou mesmo foi um gasto imprevisto. Processei a corretora por cobras umas taxas indevidas na compra do meu apartamento e perdi, tendo que pagar os custos do processo. Só que ninguém me avisou e de repente bloquearam uma grana na minha conta, enquanto outra parte seguiu crescendo com juros e mais juros. Esta segunda parte vou pagar esse mês.

Talvez alguém se pergunte porque o advogado não me avisou. O cara simplesmente sumiu do mapa. Agora não sei se perdi porque ele sumiu ou se ele sumiu porque viu que perdeu a causa.

Vamos ao números (tambores rufando...):
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 12%
  • Rendimento global da carteira: 1,06% - YESSSS; no ano 4,51%
  • Previdência Privada: 1,67% - excelente, parcialmente explicado pela alta da bolsa
  • Tesouro direto: 2,46% - olhei, olhei, conferi e não consigo entender como !
  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,89% - beleza, inabalável
  • Fundos: 0,17% - medíocre, ainda sofrendo
  • FGTS: 0,24% - normal
  • Ações: 5,62% - WEGE3 em destaque com alta de 18%
  • FIIs: 0,13%
    • FAMB11B levou mais um tombo espetacular de 30%
    • Bloqueado pela CVM, MFII11 deve virar pó e se transformar no próximo mico da carteira
    • Boa notícia mesmo só os dividendos que aumentaram mais um pouquinho esse mês
  • USD: -0,52% - queda do dólar
  • EUR: -0,80% - queda do euro
  • Stock plan: -1,61% - queda da ação e do euro
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Meu cálculo de alocação de ativos está baleado... mas continuo muito mais em renda fixa que variável com certeza. Tenho que dar uma reformada na minha planilha.

Indicadores do mês (mais detalhes nesse link):
  • CDI: 0,54% - retomei a dianteira nessa corrida; acumulado 3,73% no ano
  • IPCA: 0,30% - superei; no ano acumula 2,91%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 2,90%, praticamente empatado com a inflação

Próximos passos

Há 2 anos atrás eu estava num projeto horrível e achava que não era possível entrar numa roubada maior.

Há 1 ano atrás eu estava num projeto pior ainda e achava que qualquer coisa que viesse seria melhor.

Atualmente estou num projeto que bateu todos os recordes de ruindade e tenho muito medo do que vem pela frente, seja lá o que for.

Preciso virar vagabundo.

Faltam 300 dias.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Balanço - Junho/2018

Este mês ações e FIIs continuaram caindo mas renda fixa, fundos e câmbio seguraram as pontas de forma que no geral a carteira obteve rendimento medíocre que infelizmente foi totalmente comido pela inflação. Apesar disso em números absolutos houve um pequeno aumento no patrimônio.

Mês de altas despesas, não sobrou nada pra repor as perdas com renda variável. Boa notícia só mesmo os proventos de FIIs que este mês superaram o mês anterior, mesmo que por alguns trocados.

Tempos bicudos.

Comecei a ler "The 4-hour work week". Parece o demo te incitando a fazer bobagem, murmurando no seu ouvido "Largue seu emprego...". Estou no início, o cara promete mundos e fundos com o conteúdo. Será o autor mais um daqueles que ganham dinheiro fazendo o que gostam: escrever livros falando pras pessoas largarem tudo pra fazerem o que gostam ? Cenas dos próximos capítulos...

Resultado do mês:
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: -19% - despesas elevadas por causa da viagem e algumas inesperadas.
  • Rendimento global da carteira: 0,45% - medíocre
  • Previdência Privada: -0,71% - lixo
  • Tesouro direto: 0,53% - bom
  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,86% - beleza
  • Fundos: 0,37% - medíocre
  • FGTS: 0,24% - normal
  • Ações: -3,78% - HGTX3 despencou 16%
  • FIIs: -1,46% - HGRE11 despencou 12%
  • USD: 3,91% - alta do dólar
  • EUR: 3,41% - alta do euro
  • Stock plan: 8,88% - alta da ação, euro e dividendos

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Indicadores do mês (mais detalhes nesse link):

  • CDI: 0,52% - perdi no mês, empatei no ano, acumulando 3,41%
  • IPCA: 1,26% - levei uma surra
  • Poupança: 0,37%

Alocação atual:

Renda Fixa Renda Variável Multi mercado
47,1% 25,5% 27,4%

Aportes novos não devem acontecer nos próximos dias. Será outro mês com altas despesas por causa de matrícula escolar e gastos com viagem internacional cobrados no cartão. LCI vencendo vai pra Tesouro SELIC, alguns lucros realizados (ENGI3, JSRE11) voltam pras minhas ações mais desvalorizadas. E vamo que vamo.

Faltam 323 dias.