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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Seria independência financeira uma busca pela mediocridade ?


Hoje um post filosófico inspirado no vídeo acima, sobre a cultura da mediocridade. Trombei com ele há algum tempo e na hora vi a conexão com o mundo FIRE, IFAP, ou seja lá como você o chame.

Com frequencia quem está em busca da IF será criticado por renunciar a uma vida confortável para viver de forma medíocre. Em outras palavras, ouve-se que ao invés do cidadão torrar tudo que ganha em tudo que há de mais moderno e cômodo, este escolhe um padrão de vida mais baixo para poder acumular dinheiro e um dia não precisar mais trabalhar, parando de desempenhar seu papel na sociedade. Uma vida medíocre, de acordo com os críticos, tanto antes como depois da tal IF.

Pois depois de ver o vídeo eu percebi que é exatamente o contrário. Quem está em busca da IF está exatamente indo contra a mediocridade, contra a média. O cara está no dia-a-dia só observando a galera se entupindo de dívidas e praticando consumo inconsciente, enquanto pensa de que forma melhor investir seu dinheiro, otimizar suas contas ou qual habilidade desenvolver para poder ganhar mais e assim poder poupar e investir mais para chegar mais rápido a seu objetivo. Não pode de forma alguma ser tachado de acomodado.

Acomodar-se seria simplesmente acompanhar a manada, repetindo seus hábitos e adotando seus pensamentos. Isso é a cultura da mediocridade. É muito confortável escolhe-la e ficar na média, acomodado. Quem diz que buscar a IF é buscar a mediocridade são os próprios medíocres, confortavelmente sentados em seu comodismo. Não estão preparados para pagar o preço para sair da média e nem querem, escolheram estar ali no conforto.

Quem busca a IF então quer algo mais, acima da média, e terá eventualmente que passar por situações impopulares por causa dessa decisão. Daí vem a conexão com o post que fiz sobre o medo de se destacar. Muitos preferirão esconder seus objetivos para não se destacarem. Eu, por exemplo. Mas existem aqueles que assumem e estes serão alvo dos medíocres de plantão.

Quero deixar claro que não perseguir IF por si só não faz uma pessoa ser medíocre. Esta pessoa pode então não ter atração pela idéia ou até mesmo não entender de dinheiro mas ser excelente em outras áreas, fazer coisas maravilhosas e ser alguém acima da média. Ninguém conseguirá ser acima da média em tudo, será portanto medíocre em algumas coisas e isso eu acho perfeitamente normal.

O problema é não reconhecer o mérito em quem está tentando sair da média, é ficar arrumando desculpa pra minimizar o esforço do outro.

E assim encerra-se o quarto ano do blog.

Desejo a todos um feliz Natal e um ano novo acima da média !

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Balanço - Novembro/2020


Lá se foi mais um episódio da temporada 2020 do planeta Terra.

Neste episódio os fatos marcantes foram a alta da bolsas depois da vitória do Joe Biden e uma perspectiva de voltar a trabalhar. Estou em processo avançado com uma empresa aí. Não percam os próximos episódios !

Para completar o desastre desse ano vemos o agravamento (ou continuação) da maldita pandemia no Brasil. Depois de muito pensar e repensar, decidi com a patroa adiar mais uma vez nossa viagem. Não dá pra torrar uma grana pra ir e ficar enfurnado em casa, com o risco de cancelarem a volta e ficar preso no Brasil. Se rolar esse trampo aí realmente só Deus sabe quando poderemos ir.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 1,1%
Excelente !

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,43%
Tá ótimo !

Fundos: 1%
Maravilha !

FGTS: 0,25%
Uma das melhores aplicações do ano.

Ações: 13%
Bombou ! Ainda estou -11% esse ano.

FIIs: 0,8%; DY do mês ficou em 1,1% 
Dividendos gordos por causa do aluguel anual de um inquilino do RBRD11, o qual, sem perspectivas, desovei totalmente aproveitando uma inexplicável alta (sardinhada deve ter achado que esse dividendo gordo vem todo mês). Acho que há fundos melhores para o meu perfil. Em paralelo vendi RECT11, HGBS11 e LVBI11, que estavam no prejuízo, pra não precisar pagar imposto sobre o lucro. Somente o HGBS11 eu recomprei depois. Os outros vou continuar observando.

EUR: 2,7%
Otimismo geral com a derrota do Mr. Trump. Iniciei aportes num fundo que segue o índice MSCI World.

USD: 2,1%
Awesome !

Stock plan: 5,8%
Pequena recuperação da ação. Última vez que esse item aparece no fechamento. Dia 1/12 vendi as ações restantes para me concentrar em investimentos passivos em fundos de índice.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,09%
Bem meia-boca.

Maravilha !

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 1,7% - Excelente ! No ano acumula 3,2%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 0,7%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,38% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,15%; no ano 2,6%
IPCA: 0,89%; no ano acumula 3,12%
Poupança: 0,12%; no ano 1,99%

Mês onde tudo subiu, uns mais outros menos. Com esse resultado estou praticamente empatado com a inflação. A essa altura do campeonato terminar o ano no zero a zero é uma vitória.

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,38% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Vai vencer outro CDB este mês e vou reaplicar. Essa escadinha de CDB está super azeitada, consistentemente puxando uns 200% do CDI. A partir do ano que vem vou definitivamente incorporá-la ao meu colchão de segurança. Se rolar o trampo vou inclusive reduzi-lo dos atuais 4 para apenas 2 anos. Estou devendo um post sobre isso. 

Desinflando o colchão quero redirecionar para FIIs principalmente. Independente disso, estou de olho em vários FoFs pro ano que vem. Quero mais tempo pra fazer outras coisas ao invés de ficar toda hora analisando em qual FII vale mais a pena reaplicar os dividendos.

Bolsa tô sossegado. Até pensando em carregar os micos IRBR3 e HGTX3 pro ano que vem e deixar rolar.

Está quase acabando. Logo estaremos confinados comendo peru de natal e estourando uma gloriosa sidra Cereser.


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Entrando e saindo da bolsa na hora certa


"Time in the market beats time the market"

Um dos ensinamentos do livro "O investidor inteligente" é que se deve investir em bons ativos sem querer adivinhar pra onde o mercado vai. Por outro lado, muitos investidores tem uma reserva de oportunidade, um dinheiro estacionado em algum lugar pra ser investido quando o mercado cai. Não deixa de ser uma estratégia para "time the market", ou seja, esperar que o mercado vá para um certo lugar para só então investir.

Este post é baseado num estudo publicado no blog Early Retirement Now. Leia-o para entende melhor. Ele testou uma estratégia de entrar e sair da bolsa baseada na média do fechamento dos últimos 10 meses. Se fechar o mês acima da média, mantém a posição. Se fechar abaixo, joga tudo pra renda fixa, retornando quando voltar a fechar acima da média.

No caso do S&P500 funcionou. Mesmo que a maioria dos giros de carteira não tenham valido a pena, os que valeram foram mais que suficiente para superar o mercado. No entanto as taxas e impostos não foram considerados, pois ele acredita que realmente não daria certo se estes fossem levados em conta. Esta estratégia faria sentido somente para um certo tipo de conta que existe nos EUA onde não se paga imposto ao se desfazer de um ativo para comprar outro.

E o Brasil ?

O vagabundo aqui como não tinha nada melhor pra fazer foi lá vasculhar a internet e baixou os fechamentos da Bovespa desde 1995 e também as taxas SELIC. Montei esta planilha que você pode baixar e brincar com os parâmetros.

A idéia é a mesma do estudo do ERN. Quando a bolsa fecha abaixo da média você encerra a posição e joga tudo em algo que rende a taxa SELIC. A planilha te mostra qual seria o rendimento da bolsa, da SELIC e da carteira que segue essa estratégia, a qual chamei de carteira TTM (Time The Market).

Por exemplo, se deixar os parâmetros assim:

Mês inicialAno inicialMeses para média móvel% IR ao vender RV
119951015,00%

O investidor entra comprado em janeiro de 1995 e paga 15% de imposto sobre lucro ao se desfazer da RV. Faz de conta que ele só tem BOVA11 e nada mais. A planilha calcula o imposto de renda ao girar a carteira mas não as taxas de corretagem e custódia. Assume-se que o investidor esteja numa corretora onde estes custos sejam irrelevantes no longo prazo. O resultado é esse ao final de setembro de 2020:
TTMIBOVSELIC
1460,85%2335,11%4282,12%

Opa, não deu certo ! A carteira TTM perdeu feio. Algumas estatísticas:

MesesGiros de carteiraMeses em RVMeses em RFQuantas vezes valeu a pena girar
309512061039

17%67%33%35%

Foram realizados 51 giros de carteira (RV para RF e vice-versa), o que corresponde a 17% dos meses. Praticamente a cada 5 meses o investidor girou o patrimônio. 67% do tempo ficou investido em RV. Ao voltar pra RV a planilha calcula se valeu a pena ter ficado fora da bolsa. No caso 9 vezes, ou apenas 35% valeu a pena, ou seja, no período em que o investidor ficou fora da bolsa a RF de fato rendeu mais que a RV.

Então não dá certo no Brasil. Será ? Aí entra uma diferença do nosso mercado pro americano: a volatilidade. 10 meses é um tempo muito longo pra calcular a média móvel. Eu brinquei com os números e me parece que 5 meses é o sweet spot. Às vezes, 2 meses apenas. Repetindo a simulação com os parâmetros acima, apenas mudando o número de meses de 10 pra 5, temos um resultando bem diferente:

TTMIBOVSELIC
MesesGiros de carteiraMeses em RVMeses em RFQuantas vezes valeu a pena girar
7696,45%2335,11%4282,12%
3096120010913





20%65%35%43%

A carteira TTM deixou as outras comendo poeira. Veja que apenas 43% das trocas valeram a pena, mas estas foram mais que suficientes pra garantir a performance. Vamos ver um exemplo, olhando a aba "Dados" da planilha.

MêsIBOV do mêsRendimentoAcumulado IBOVMédia móvelPosição RV no mês
01/20113761,00-1,64%2828,21%109925,00Dentro
02/20104260,00-8,35%2583,66%109828,00Dentro
03/2073011,00-29,97%1779,31%102986,00Fora
04/2080501,0010,26%1972,10%97437,00Fora
05/2087395,008,56%2149,55%91785,60Fora
06/2095062,008,77%2346,90%88045,80Fora
07/20102913,008,26%2548,98%87776,40Dentro
08/2099382,00-3,43%2458,10%93050,60Dentro
09/2094604,00-4,81%2335,11%95871,20Dentro

Em fevereiro de 2020 o IBOV fechou abaixo da média móvel dos 5 meses anteriores. Nesse momento o investidor passaria tudo pra renda fixa. Em junho o IBOV fechou acima da média e ele girou a carteira de novo, voltando pra renda variável. Enquanto esteve fora da RV, esta rendeu -8,82% (coluna T da aba "Dados") enquanto a RF rendeu pouco menos de 1% (colunas K e O). Ou seja, este giro em particular valeu a pena.

Não é difícil achar um número pra média móvel pra bater o IBOV. Já o mesmo não acontece pra SELIC. Essa dá mais trabalho pra superar. Iniciando em janeiro de 2010 não consegui fazer a carteira TTM bater a SELIC. Porém achei um período em que a carteira TTM não supera o IBOV: a partir de janeiro de 2016. Mesmo com a queda de 2020 o bull market foi forte e não teria valido a pena ficar de fora da festa nem um mês.

As altas taxas de juros contribuem decisivamente para uma boa performance da carteira TTM. Mas há um porém: na época em que a SELIC batia 20-30% ao ano ninguém ganhava esse valor. Havia taxa de administração na faixa de 5% e nenhum fundo DI ou CDB pagava 100% do CDI. Não achei como embutir isso no cálculo. Fica a ressalva. 

O que fazer com esses dados ?

Pra quem tem previdência privada, onde pra fazer portabilidade de um plano pra outro não paga nada, valeria a pena ficar migrando de RV pra RF de vez em quando. Também pra quem tem RV concentrada em poucos ETFs poderia ser uma opção. Pra quem tem um monte de ações seria um baita trampo vender tudo de uma vez pra migrar pra RF, depois comprar um a um todos os papéis de novo. Na prática é um exercício mais de curiosidade.

Mesmo assim, eu particularmente vou começar a ficar de olho nessa métrica. Mais uma variável na tomada de decisão !

Baixe a planilha, brinque com os números e comente aqui o que achou da brincadeira.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Balanço - Outubro/2020

  

Salve amigos da blogosfera e nerds das finanças em geral ! Lá vamos nós pra mais um fechamento.

Basicamente tudo vinha se recuperando até a última semana do mês, quando o tempo fechou e tudo despencou. A múmia aqui sabia que ia rolar segunda onda mas não fez nada pra diminuir o preju.

A SELIC foi mantida em 2%. Estão de brincadeira. Viramos primeiro mundo ? Só no papel mesmo.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -0,14%
Uma merda.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,47%
Show !

Fundos: 0,32%
Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

FGTS: 0,25%
Maravilha !

Ações: -0,42%
Enfim consegui me desfazer dos últimos lotes de KLBN3. Empresa cíclica nunca mais ! Não é pra amadores como eu ! Também vendi IRBR3 e ITSA4 antes que despencasse. No fim não deu pra ficar no positivo.

FIIs:  -1,43%; DY do mês ficou em 0,5%
Um mês difícil outra vez. Um ano perdido. No entanto rolou mais dividendos que no mês anterior.

EUR: -0,7%
O medo da segunda onda contagiou o mercado e nem a valorização da moeda impediu um resultado negativo

USD: 0,42%
Mercado deu uma caída mas o câmbio segurou.

Stock plan: -30%
Uma queda fenomenal... Ainda bem que agora só tenho algumas poucas ações.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,1%
Pelo menos não caiu !

Beleza, uma bela surpresa.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: -0,24% - um fracasso ! No ano acumula 1,46%
Rendimento real nos últimos 12 meses: -0,07%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,33% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 1,9%
IPCA: 0,86%; no ano acumula 2,22%
Poupança: 0,12%; no ano 1,88%

Com esse resultado estou perdendo até pra poupança esse ano ! Que fase !

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,33% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Vai vencer outro CDB este mês e ainda não sei se vou reaplicar. Minha escadinha de CDB tá tão bem montada que estou pensando em fundi-la com meu colchão de segurança (reserva do dia-a-dia e dinheiro estacionado pra não precisar vender ativos em baixa).

Bolsa só invisto se conseguir me desfazer do último mico da carteira: IRBR3.

Vinha mantendo uma rotina de exercícios consistente e convivendo com a obrigação de usar máscara indo fazer caminhadas mais curtas em parques. Agora com os parques fechados e provável nova quarentena estou prestes a desistir e abraçar o sedentarismo. Leitura e meditação são hábitos que não consegui introduzir no meu sabático e poderiam bem ocupar essa lacuna.

Acho que vamos ficar mais um ano nesse pesadelo. Não era o que eu queria pro meu sabático, mas é o que tem pra hoje.


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

De calças arriadas: FIIs - Outubro/2020


Amigos da blogosfera brasileira, hoje quero dar uma atualizada nessa parte pois já faz tempo que publiquei onde eu vinha investindo. Não deixe de ver o post anterior para entender a evolução da coisa.

Disclaimer: isto não é recomendação de compra ou venda. 

É somente o registro da experiência de um pequeno investidor.

Carteira no momento em que escrevo este post:

PapelGanhoAlocação atualTargetSetorOrientação
JSRE11-0,50%0,99%1,00%Papel/TijoloManter
RBRD11-1,83%1,27%0,00%VarejoZerar
SPTW1161,94%1,19%0,60%EscritórioDiminuir
MXRF110,96%1,30%1,30%Papel/TijoloManter
HGRE117,00%0,43%0,60%EscritórioAumentar
GGRC1117,00%1,11%1,30%LogísticaAumentar
BCRI111,00%1,31%1,30%PapelManter
FIIB1113,00%0,58%0,60%LogísticaManter
RBED111,00%1,00%1,00%EducaçãoManter
HGBS11-9,00%1,01%1,00%VarejoManter
RBFF113,00%0,53%1,30%FOFAumentar
MAXR115,00%0,43%0,60%VarejoAumentar
VISC116,00%0,67%1,00%VarejoAumentar
RECT110,00%0,28%0,70%EscritórioAumentar
LVBI113,00%0,14%0,70%LogísticaAumentar
TOTAL
12,24%13,00%

Meu objetivo é chegar a 13% dos investimentos em FIIs, com DY de 7% ao ano. Procuro manter 20% da carteira em FIIs de papel e 80% no resto. Dividendos de FIIs pagaram cerca de 28% das minhas despesas nos últimos 12 meses. 

Nesse momento estou mais exposto ao setor de Varejo e pretendo migrar um pouco principalmente pra Logística e RBFF11, que é um FoF, uma experiência pra ver se no futuro consigo tocar de forma mais passiva essa parte da minha carteira. ETFs que venham a ser lançados no setor estão na minha mira também.

Comparação do desempenho da minha carteira, medida pela planilha do AdP, com o CDI e IFIX:

2017201820192020TOTAL
Carteira7,5-0,528,3-14,410,7
DY6,99,66,56,929,9
IFIX19,45,636-14,546,5
CDI9,96,415,942,2724,52

Nesses 4 anos investindo em FIIs já aconteceu de tudo. Administradores foram presos, fundos foram bloqueados pela CVM por suspeita de fraude, fundos desvalorizaram porque tiveram que prestar conta pra CVM, inquilinos inadimplentes enterrando o DY, fundo que era multiativo virando monoativo e até pandemia. Mesmo com tudo isso e mais algumas cagadas que eu fiz acho que no retrospecto valeu a pena ter saído da renda fixa. Entre dividendos e valorização eu consegui uns 40% até agora, contra 24,5% do CDI. Agora só falta bater o IFIX.

Como escolho um FII ?

No começo eu só olhava DY mas com o tempo fui estabelecendo uma metodologia. Primeiramente tenho uns critérios qualitativos bem simples:
  • tem que fazer parte do IFIX
  • tem que ter liquidez diária acima de 80 mil
  • não pode ser monoativo nem monoinquilino
Passado essa primeira peneira, busco FIIs diversificados que tenham bom DY (critério mais importante) ou bom potencial de valorização. 

Pra saber qual DY é bom eu pego a taxa do Tesouro Prefixado 2026 e jogo um prêmio de risco de 20%. Não sei se é certo, muito ou pouco, mas é algo numérico que me dá segurança. Por exemplo, estando o TD Pré 2026 em 7,3%, procuro FIIs com DY de pelo menos 0,6%.

Se o DY estiver abaixo disso, olho se o P/VP está abaixo de 0,85. Aliada à qualidade do fundo, vejo se há potencial de valorização.

É só isso mesmo... estou ainda aprendendo e bastante sobre essa classe de ativos.
    

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Balanço - Setembro/2020

 

Olá, amigos da blogosfera e nerds das finanças em geral ! Chega o momento mais esperado do mês, que é fazer um balanço e relembrar os principais acontecimentos, os erros e os acertos.

Alguém viu o documentário "Playing with FIRE" ? Eu assisti há poucos dias e não achei tão bacana. É muito ufanista, muito naquele jeitão upbeat americano que o torna enjoativo. FIRE não é pra qualquer um, mas o documentário quer te convencer que é. Mostrar vários depoimentos de gente que se "aposentou" com 30 anos de idade ? Achei apelativo... Acompanho quase todos os personagens que se dizem aposentados aos 30 anos e, embora me inspire neles, não acho que nenhum deles seja realmente aposentado no sentido correto da palavra. Todos estão ainda trabalhando, tocando seus diversos projetos: imóveis, negócios, blogs, podcasts, cursos, etc. Particularmente duvido que sua IF se sustentaria até o fim se tivessem parado completamente de trabalhar. Sim, trabalham no que gostam mas sabem que se não trabalharem o dinheiro pode acabar um dia. Por isso dizem sempre que você não vai parar de ganhar dinheiro depois do FIRE. Teria sido mais convincente focar nas pessoas que se aposentaram mais tarde porém cedo pros padrões. Acho que tinha uma menina querendo se aposentar (ou já "aposentada", não lembro) aos 26 anos. Peraí, vamos maneirar, vai.

Voltei a ser contactado por alguns headhunters e entrei em alguns processos seletivos. Caso volte a trabalhar, já tenho até o número que quero atingir pra pedir demissão de novo. hahaha. Essa vida de vagabundo é muito boa !


Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -2,5%
Esse mês até o Tesouro SELIC (29% da carteira) se desvalorizou com a marcação a mercado. 2020 não é pra amadores ! Qual a próxima ? Tributação de dividendos ? CPMF ??

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,36%
Ótimo !

Fundos: -0,2%
Uma merda, mas pensei que ia até ser pior.

FGTS: 0,25%
Maravilha !

Ações: -5,3%
Fora a forte desvalorização, nenhum dividendo ou JCP. Mês de vacas magras.

FIIs: 1,4%; DY do mês ficou em 0,47%
Uma bela recuperação num ano perdido. Ainda estou -14% no acumulado do ano.

EUR: 0,03%
O medo da segunda onda derrubou os mercados mas a alta do euro segurou um pouco.

USD: -0,3%
Mesma coisa.

Stock plan: -2,7%
Foi ladeira abaixo.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: -0,1%
Tudo bem que rentabilidade não é o objetivo dessa parte da carteira, mas preju não tava no script ! O que fazer com o Tesouro SELIC ? Se vendo agora, tomo preju com a marcação a mercado. Se levo até o vencimento, a taxa da B3 come toda rentabilidade.

Seguiu a tendencia do mercado: cair.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: -0,77% - um desastre ! No ano acumula 1,7%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 3,03%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,3% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 2,29%
IPCA: 0,64%; no ano acumula 1,34%
Poupança: 0,12%; no ano 1,76%

Com esse resultado volto a ficar atrás do CDI e praticamente empatar com a poupança. :-( Praticamente a única notícia boa foi que veio minha restituição do imposto de renda e com isso na prática não precisei tirar nada do bolso pra passar o mês. Ainda assim sempre calculo a taxa de retirada (veja acima) sem levar em conta com essas rendas aleatórias.

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,3% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Caso as taxas do TD subam, posso fazer aportes usando algo do colchão de segurança.

Dentro da carteira de multimercados vou fazer um rebalanceamento pois alguns estão pesando demais, gerando muita volatilidade.

Vai vencer outro CDB este mês e vou reaplicar. Está facil achar CDB a 160% do CDI, que é uma performance que poucos fundos multimercados conseguem. Na RV eu nunca nem cheguei perto dessa marca. Exceto pelos FIIs, que com um DY na faixa de 0,47% estou a quase 300% do CDI. Aliás, na medida do possível quero reinvestir os proventos e continuar a bola de neve.

Bolsa vou parar um pouco, só quero mesmo me livrar de alguns micos.

IVVB11 já subiu tanto que estou considerando vender uma parte e fazer uma remessa. Mas dá uma dó de pagar o  IR sobre o lucro...

Faltam só 3 meses pra acabar 2020. Se não adiarem o reveillon, claro....

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

TSR para o Brasil: um estudo sobre os primeiros anos de IF


Fazia tempo que eu queria fazer esse estudo. Já havia sugerido no blog Aposente aos 40, que publicou alguns estudos parecidos, que levam em conta os 25 anos de estabilidade econômica do Brasil. Um período muito curto para um estudo no estilo do Trinity Study.

Nesses estudos americanos com mais de 100 anos de dados é tranquilo você determinar o valor final de uma carteira ao longo de 30 anos (período de aposentadoria). Isto porque a amostra é grande, existem dezenas de períodos de 30 anos para calcular (1900-1929, 1901-1930, etc). Com 25 anos não temos condições de fazer um estudo sobre TSR no Brasil. Basicamente é por isso que eu não sigo a regra dos 4%.

Mas podemos fazer um estudo com períodos menores.

Como os primeiros anos são os mais importantes para um investidor aposentado, a idéia é saber qual a taxa máxima de retirada possível para que uma carteira de ativos brasileiros não só sobreviva 10 anos, como também termine com um valor igual ou superior à inflação do período, mantendo o poder de compra inicial. Assim, o investidor tem muito mais chances de não ficar sem dinheiro nos 30-40 anos seguintes de aposentadoria.

Pois outro dia comecei brincar com uma planilha e a coisa tomou forma. Os resultados me deixaram surpreso.

Metodologia

1. O cidadão se aposenta em 31 de dezembro com uma carteira composta por um investimento em renda fixa que segue o CDI e/ou outro em renda variável que segue o IBovespa. O percentual de cada é parâmetro, informado na planilha.

2. Dia primeiro de janeiro ele faz uma retirada de acordo uma taxa pré-definida (outro parâmetro)

3. No decorrer do ano paga suas despesas com a retirada

4. No dia primeiro de janeiro ocorre uma nova retirada, agora corrigida pela inflação do ano anterior

5. Repetir passos 3 e 4 até completar 10 anos.

6. Se o saldo final preservar o poder de compra inicial de acordo com o parâmetro informado (quanto do poder de compra deve ser preservado), aquele período de 10 anos foi um sucesso

7. Refazer os cálculos para o próximos período de 10 anos

Ao final a planilha te diz a taxa de sucesso, ou seja, em quantos por cento dos períodos de 10 anos o patrimônio ficou preservado apesar das retiradas. Para simplificar, não foi levado em conta impostos nem taxas. Rebalanceamento anual - a carteira sempre manterá a proporção RF/RV inicial.

Clique AQUI para baixar a planilha e fazer suas simulações.

Primeira rodada de simulações (1995-2019)

Primeiro fiz várias simulações com os seguintes parâmetros:

  • Ano inicial 1995, o que nos dá 16 períodos de 10 anos
  • Carteira inicial de 1 milhão de reais
  • Poder de compra final deve ser 100% do inicial pelo menos
  • Taxas de retirada 2%, 3% e 4%
  • Carteiras 100% RV, 50% RV / 50% RF e 100% RF.
Eis os resultados:

TR% RFSucessoMelhor resultadoPior resultado
2%0%69%1996-2005 341%2008-2017 46%

50%81%1996-2005 365%2008-2017 89%

100%100%1995-2004 277%2010-2019 115%
3%0%63%1996-2005 321%2008-2017 35%

50%75%1996-2005 344%2008-2017 77%

100%100%1995-2004 259%2010-2019 103%
4%0%56%1996-2005 300%2008-2017 23%

50%69%1996-2005 323%2008-2017 66%

100%75%1995-2004 241%2010-2019 91%

Veja a aba "Resultados" da planilha.

Então temos: uma taxa de retirada de 3% numa carteira 100% em renda fixa preservou o poder de compra inicial em todos os casos. No pior deles, quem se aposentou em 31/12/2009 obteve de 2010 a 2019 um crescimento de 3% em relação a seu poder de compra inicial.

Quanto mais renda fixa, mais chance de sucesso. No entanto diminuir a renda fixa resultou nas décadas mais lucrativas. Infelizmente se você olhar na aba "Cálculo" o rendimento não se mantém, pois logo temos alguma(s) queda(s) levando a uma década perdida que faz a taxa de sucesso ser menor que 100%.

Os rendimentos generosos da renda fixa no passado pesaram no período 1995-2019.

Segunda rodada de simulações (2005-2019)

Esta rodada foi para tentar entender como fica num cenário com juros menores. Com os mesmos parâmetros de antes, exceto o ano inicial agora sendo 2005, resultando em 6 períodos de 10 anos:

TR% RFSucessoMelhor resultadoPior resultado
2%0%17%2009-2018 109%2008-2017 46%

50%50%2005-2014 134%2008-2017 89%

100%100%2005-2014 143%2010-2019 115%
3%0%0%2009-2018 97%2008-2017 35%

50%33%2005-2014 123%2008-2017 78%

100%100%2005-2014 131%2010-2019 103%
4%0%0%2009-2018 85%2008-2017 25%

50%17%2005-2014 113%2008-2017 66%

100%33%2005-2014 118%2010-2019 91%

Mais uma vez a configuração vencedora foi retirada de 3% com uma carteira 100% em renda fixa. Porém reparem na coluna "Melhor resultado" acima como o poder de compra final é bem menor em comparação com a primeira rodada de simulações. Reflexo de juros cada vez menores.

Isso implica num melhor desempenho da renda variável ? Infelizmente não. Ao contrário do período 1995-2019, ao aumentar o percentual de renda variável o poder de compra final diminui (coluna Melhor Resultado). Entre 2005 e 2019 o melhor período 100%RV foi 2009-2018, que com uma taxa de retirada de 2% resultou num poder de compra de 109% do inicial. O mesmo cenário entre 1995 e 2019 nos traz como vencedora a década 1996-2005, com estonteantes 341%. Quem se aposentou em dezembro de 1995 com tudo em RV e retirando 2% por ano teria ao final dos primeiros 10 anos seu poder de compra mais que triplicado ! 

The best of the best

Nessa rodada quis saber qual foi a década que suportou a maior taxa de retirada possível. Mais uma vez a diferença entre os anos 90 e os dias de hoje é gritante:


% RFPeríodo campeãoTR máxima

0%2003-201215%
1995-201950%1996-200514%

100%1995-200411%

0%2009-20182%
2005-201950%2005-20145%

100%2005-20145%


Se eu tivesse uma máquina do tempo, viajaria até 2003 com uma mala com um milhão de reais e colocaria tudo em RV, torrando 15% (150k) todo ano. Em 2012 teria que repensar essa estratégia, pois a melhor taxa pra uma carteira 100% RV entre 2005 e 2019 ocorreu no período 2009-2018: apenas 2% !

No período 2005-2019 a renda fixa proporcionou maiores taxas de retirada em comparação com a renda variável. Já no período 1995-2019 foi o contrário.

Conclusão

Tanto RV como RF tem apresentado rentabilidades cada vez menores. Estamos num limbo ! Juros reais 0% e bolsa inconsistente é a nova realidade, pelo menos até o Brasil conseguir engatar um ciclo estável de crescimento.

Mas será que passados 10 anos já estamos seguros ? Ou bastam 5 anos ? Acho que não. Simule por exemplo 50%RF, TR 3% a partir de 1995. Veja o período 2006-2015. Ao final do quinto ano está tudo beleza, mas daí sucessivas quedas na bolsa minaram o patrimônio que finalizou com 93% do seu poder de compra inicial:

AnoSaldo InicialGanhos RFGanhos RVCarteira inicial corrigidaNova retiradaPoder de compraPeríodoVariação

200697000068337159711103140030942

97,00%
2007116710565475254721107740032322

113,16%
2008145497885262-299871114096734229

135,05%
2009120614056990498498119014335704

105,71%
20101725923806878975126048037814

145,02%
2011177777197955-160977134241140272

141,04%
201216744766781661956142080842624

124,74%
2013176162468527-136526150477845143

123,99%
2014164848285062-23985160123448037

109,55%
20151661521104011-1105741772086


103,77%
FINAL1654958



93,39%2006-201593,39%

Interessante notar que o aposentado e quem está na ativa estão em pontas opostas. Para o aposentado é interessante que os maiores ganhos venham no início da aposentadoria, já para quem está na ativa é melhor que os maiores ganhos venham nos últimos anos da fase de acumulação, quando o patrimônio é maior. Para o aposentado uma queda prolongado pode arruinar seus planos, já pra quem está na ativa significa adquirir mais ativos com menos dinheiro.

E se desse pra direcionar melhor as retiradas, pra evitar sacar quando a RV está no fundo do poço ? E se uma parte ficasse em poupança pra cobrir os gastos diários, deixando a RV intocada para que no longo prazo ela cresça mais ? Daria pra fazer de várias formas mas preferi começar de um jeito bem simples. Quem quiser pode pegar a planilha e tentar melhorá-la, eu apoio !

Espero que tenha se divertido com esse post. Faça suas simulações e deixe suas sugestões e impressões nos comentários.