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quinta-feira, 16 de julho de 2020

1 ano de vadiagem



Bem, amigos, vejam só que loucura. 1 ano de vagabundagem... Tem hora que nem eu acredito.

Nesse post vou fazer um resumão de como foi esse primeiro ano. Vocês verão que nem tudo são flores na IF, mas assim é a vida. Sempre vai ter problema pra resolver e sempre vai ter coisa boa pra curtir.

Saúde


Me sinto bem tanto física quanto psicologicamente. Exercício físico regular foi consistente nesse primeiro ano. Até aprendi a andar de bicicleta.

Meditação nada ainda. Não deu tempo.

Finanças


Tudo foi muito bem até janeiro desse ano. Depois todo muno sabe.  Considerando tudo que aconteceu, parece que me saí bem:
  • Crescimento real do patrimônio: 3,2%
  • Despesas foram pagas com os seguintes recursos
    • Dividendos de FIIs: 23%
    • Dividendos de Ações: 5%
    • Cupons do Tesouro Direto: 1%
    • Aluguel: 30%
    • Rendas não-recorrentes: 31%
  • Os 10% restantes, não cobertos por esses recursos, resultaram numa taxa efetiva de retirada de 0,30% sobre todo o patrimônio (imóvel + investimentos)
De renda ativa nesse período tive uma diferença de rescisão, que veio em boa hora no meio da crise, e uns trocados de uma pequena consultoria que fiz. Só.

A alta do euro colocou um grande stress nas minhas despesas. Como não pretendo ficar por aqui pra sempre vou aguentar mais um pouco. Antes da crise meu nível de despesa era suportável em todos os meus cálculos. Agora não. Só pela regra dos 4% eu poderia continuar aqui pra sempre. Some a isso o fator cambio e é óbvio que uma hora nem esse critério se sustenta mais.

Falando em despesas, a previsão é aumentar mais uns 20%, porque estou pagando mais de aluguel. Vinha tentando ver o quão pobre eu conseguia ser sem dar nos nervos. Vi que me dá nos nervos morar mal. Não gosto de cidade pequena e casa antiquada. Me mudei pro centro num apartamento melhor. Continuo sendo mais pobre que no Brasil: não tem piscina no prédio, não tem varanda com churrasqueira (nem varanda), só tem um banheiro e não tenho carro. Ainda foco em evitar gastos não-essenciais. Os primeiros anos são chave na IF, por isso vou levando com mão de ferro (ou de vaca).

Pessoal


Nesse primeiro ano fiz incontáveis idas ao parquinho com a minha filha, jogamos bola, ensinei-a a andar de bicicleta e vi seu primeiro dente de leite cair numa tarde enquanto tomávamos um sorvete em casa em pleno isolamento anti-COVID.

Ficar mais tempo em casa foi bom mas amplificou atritos que já existiam e gerou um desgaste no meu casamento. O fato é que temos uma vida muito boa e devemos ser gratos. Cada um tem que ver isso por si, não posso enfiar isso na cabeça de ninguém. Não sei porque é difícil entender isso. É o que sempre digo: onde não há problemas as pessoas os inventam. 

Um colega uma vez comentou numa festinha que pra ele era vital viajar a trabalho com frequencia, para manter uma certa distância da mulher e evitar brigas. Outro cara que trabalhou comigo dizia que só pegava projetos fora da sua cidade por causa da mulher. Por vários anos achei isso um absurdo e odiava viajar a trabalho. Hoje em dia eu entendo.

Mais que um prolongado crash no mercado, divórcio é o maior risco pra IF. Ninguém consegue se planejar pra isso. Só o MMM e o André Viagem Lenta conseguiram sobreviver a tal evento. As estatísticas não estão a meu favor. O risco existe.

Antes de jogar a toalha pensava que poderia fazer outra faculdade no meu tempo livre. Música, economia, alguma coisa. Não sei. Parece que todo meu tempo livre é só pra cuidar da casa e do bem estar da família. Não sei como eu tinha tempo pra ter um emprego. O lance que eu postei sobre a jarra com pedrinhas e areia é onipresente na minha vida.

Profissional


Aqui vejo que cometi um erro. Eu tinha idéia de fazer freelance de vez em quando ou montar algum negócio online depois de pedir demissão. Errado. Devia ter começado a correr atrás disso antes.

Depois de um ano sabático me sinto muito mais relaxado e acho que poderia até voltar a ter um emprego normal, com chefe, reuniões, clientes pentelhos, gerentes malucos, tarefas absurdas e tudo mais. Aguentaria fácil mais uns 2 anos nessa vida. Querer não quero, mas se rolar, eu seguro o rojão.

Passado um ano não sei ainda no que gostaria de trabalhar daqui pra frente. Música, finanças, carpintaria, vender sorvete na praia... não sei.

Estudos


Voltei a estudar guitarra com regularidade e venho evoluindo. Queria poder mexer mais com música. Ter uma banda e tocar por aí seria ótimo. Compor umas coisas e tacar na internet só por diversão. Falta o que ? Tempo. Essas coisas tomam tempo, se for pra fazer direito.

Cogitei procurar algum curso ou faculdade pra aprender música e ter um diploma. Poderia depois dar aulas. Fico pensando se não perderia o tesão, ao transformar uma paixão em obrigação. Ficar estudando um monte de livros e partituras porque o curso manda, não porque você tem interesse... Não sei se daria certo.

Quanto a cursos, no começo da pandemia fiz um curso online e foi só. Lista de coisas que quero aprender:
  • desenvolvimento web
  • produção musical
  • carpintaria
  • culinária
Leitura vinha razoavelmente bem até começar a pandemia. A rotina deu uma bagunçada. De repente todo mundo em casa e foi pro saco meu sossego, eu tendo que ajudar minha filha gastar energia já que não podia brincar na rua. 

Social


Eu vinha fazendo o possível para fazer amigos, conhecer os locais. Tinha a limitação de morar longe do centro, depender de ônibus e por isso não poder ficar no boteco até altas horas. Já estava difícil, aí num belo dia alguém na China comeu um morcego e daí alguns meses vocês já sabem o que aconteceu.

Porém digo que não estou frustrado ou surpreso. Eu já esperava. É difícil quando você chega e as panelinhas já estão todas formadas há séculos. Fora que também não sou o cara mais conversador do mundo. Só que aí se eu começo uma conversa, faço perguntas e o interlocutor se limita a respondê-las sem fazer perguntas novas, acabo desanimando.

Agora estou morando no centro da cidade, numa rua pequena e tranquila, mas bem perto das zonas turísticas, bares, lojas, cafés e tudo mais. Vamos ver !

Conclusão

Vira e mexe trombo com algum depoimento de alguém com medo de ficar entediado quando declarar FIRE, ou alguém que realmente se entediou e voltou ao trabalho. Invariavelmente são pessoas solteiras ou casais sem filhos. Comigo é completamente diferente. Eu tenho que correr todo santo dia contra o relógio pra dar tempo de fazer minhas coisas. 

Um exemplo parecido é o do blogueiro Early Retirement Now. Depois do FIRE o cara diminuiu bastante a frequencia dos posts. Vive ocupado com a família e viajando. O Root of Good tem 3 filhos e só publica uma vez por mês. Com filhos tem que ser guerreiro pra continuar blogando !

No fim das contas acho que tenho que aceitar que sempre vou querer fazer mais do que consigo. Meu cérebro é uma máquina de buscar problemas pra resolver. Tenho que parar de focar no futuro e viver o presente. Estar presente, não estar fazendo algo já pensando que logo em seguida tenho que fazer isso ou aquilo.

Sou extremamente grato por ter o privilégio de poder me lançar num sabático assim. Dos que terão a chance, poucos a abraçarão. Destes, muitos ficarão pelo caminho por vários motivos, alheios ou próprios, e só uma meia dúzia de abnegados e privilegiados vai chegar lá. E eu estou entre eles.

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Balanço - Junho/2020: um ano sabático


Junho de 2020 marcou 12 meses vivendo de renda. Quantas aventuras ! Post comemorativo com detalhes em breve.

Foi mês de SELIC em queda livre. Nesse momento tem dezenas de ações e FIIs que pagam dividendos superiores a 2,25% ao ano. Só não pode esquecer que o dividendo vem mas o principal (valor do ativo) pode ir pro buraco. RV é pra longo prazo. Pra curto prazo é renda fixa, isso não mudou. Pessoalmente como já tenho uma posição em RV condizente com minha tolerância a risco, prefiro migrar  uma parte de SELIC pra TD IPCA 2026. Ganho a SELIC + inflação fácil lá no vencimento. 6 anos passa rápido.


Li boa parte do livro "Investidor Inteligente" do Ben Graham. É super detalhado. Até chato por esmiuçar as nuances do mercado americano. São reconhecíveis ali várias boas práticas difundidas na comunidade de finanças: buy and hold, investir em valor, investir com consistência, não tentar adivinhar pra onde vai o mercado, diversificação... Ele explica em detalhes e com exemplos do mercado americano cada conceito. Como já tinha lido muito sobre essas coisas o livro não me apresentou grandes novidades. Agora, eu digo que é um daqueles que você deveria ter na estante pra consultar de vez em quando. É a bíblia do investidor.

Desempenho da carteira


Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,98%
Excelente desempenho ! Com a distópica taxa SELIC de 2,25% continuo migrando um pouco pro TD IPCA 2026, onde estou com taxa média de 3,15% agora. Vai variar mais que o Tesouro SELIC porém vai ser um montante que eu acredito só precisar daqui a 6 anos.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,27%
Que descanse em paz.

Fundos: 1,26%
Excelente !

FGTS: 0,25% 
Recebi saque-aniversário e reapliquei num CDB IPCA 5,15%. Agora quero os 1045 do coronavoucher ! Inacreditável, mas o FGTS já está rendendo mais que muitas aplicações de renda fixa. O problema é que não tem liquidez.

Ações:  9,2%
Inacreditável ! O país indo à merda e essa alta não dá pra entender. Fuga da renda fixa ? Parte da performance vem de ter vendido um pouco de IRBR3, KLBN3 e HGTX3 no topo. GoogleFinance explodiu e esculhambou meu controle. Muita gente publicou alternativas mas nenhuma se compara ao que havia antes.

FIIs: 7,3%; DY do mês ficou em 0,56%
Ótimo ! Quase tudo subiu e os dividendos vieram mais gordinhos, embora longe do patamar do início do ano.

EUR: 2,9%
Disparou no fim do mês

USD: 2,9% 
Disparou também.

Stock plan:  26%
Deu uma subida e vendi um pouco. Com isso posso parar um pouco as remessas mensais. Mas 26% não foi, é a planilha que fica doida quando tem retirada grande e não sei arrumar.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de controle.

Outros ativos


Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,2%
Cumprindo sua função social apenas. 
Excelente, correndo atrás do prejuízo.

Resultado do mês



Rendimento global da carteira2,3% - excelente; no ano ainda acumulo -0,3%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 2,08%
Taxa de retirada: 0,03% - bem abaixo da meta. É que pra entrar no apê eu tinha pago aluguel adiantado mês passado, esse mês não paguei nada.

Indicadores do mês:

CDI: 0,21%; no ano 1,75%
IPCA: 0,26%; no ano seriam 0,1%
Poupança: 0,17%; no ano 1,38%

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Com esse resultado já estou muito perto do patamar do início do ano e a alocação de ativos ficou praticamente do jeito que eu quero !

Melhores investimentos do semestre: Stock Plan ~40%; USD 31%; EUR 22%.
Piores: Ações -19%; FIIs -15%; Fundos -2%.

Próximos passos


Continuar procurando uns frilas.

Continuar gestionando a carteira:
- mais um pouquinho de ações; vender os micos
- mais um pouquinho de FIIs; vender os micos
- mais um pouquinho de TD IPCA

E assim lá vamos nós para a fase 7 de 2020 !