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sábado, 15 de dezembro de 2018

Filhos: fim da busca da independência financeira ?


Uma questão que de tempos vem à tona nos blogs e fóruns é a de se é possível atingir a IF mesmo tendo filhos.

Obviamente criar uma criança traz um impacto financeiro porém a meu ver este pode ser mitigado a ponto de não influenciar significativamente a jornada de quem busca a IF.

O momento

Se você tem um filho num momento em que já tem um bom patrimônio e já está no meio da jornada, acho que não faz tanta diferença. Note que filho traz gastos, mas não se gasta tudo de uma vez. Vai se diluindo ao longo de 20 anos, tempo suficiente pros juros compostos fazerem seu trabalho.

Agora, se o cara começa a vida profissional ganhando aquela miséria e logo em seguida já engravida a namorada, aí sim a coisa se complica. Não quer dizer que não vá conseguir, mas fica mais difícil. Os pequenos aportes, valiosos por serem os primeiros, que ficarão mais tempo se multiplicando,  serão comprometidos.

Um time de futebol

Acho que até dois filhos, se vierem num momento mais adequando, dá pra tirar de letra. A partir do terceiro já acho que complica, mas ainda é possível. Do quarto pra frente aí não sei. Se for um multi-milionário da vida como o João Dória não faz diferença, mas pra nós reles mortais pode ser sim o fim do sonho da IF.

O propósito

Filhos são na verdade o maior motivo para alguém perseguir a IF. Formar um ser humano é o trabalho mais nobre que existe. Ter tempo para se dedicar a isso é um imenso privilégio, uma alegria que vale a pena buscar.

Ou o cidadão vai pendurar a chuteira e assistir Netflix pro resto da vida ? Ficar na praia olhando pro mar ? Viajar o mundo ? Legal, mas depois de 6 meses já encheu o saco. Pra mim não funciona. Você tem que ter dois ou três grandes projetos pra preencher uma vida pós-emprego. Um dos meus vai ser isso - cuidar de criança. Educar, passear, jogar bola, ir ao cinema, andar de bicicleta, ajudar na lição de casa, etc.

Tempo é o bem mais valioso

Sim, é preciso gastar dinheiro com filhos, mas a melhor coisa que se pode gastar com eles é tempo. Vejo várias pessoas comprando um monte de roupas de marca pra molecada que duram poucos meses. É uma armadilha social, você vê todo mundo fazendo e começa a achar normal, que tem que fazer também.

Escola também não entendo. Como se justifica pagar 4000 por mês pra uma criança aprender a escrever e fazer contas ? Particularmente optei por escola bilíngue que não é barato porém a idéia é aproveitar que enquanto pequenos as crianças absorvem uma segunda língua igual esponja. É investimento. Depois dos 7 anos coloco numa escola normal, particular é claro, já que no Estado não tem condições.

O que acontece é que muita gente torra grana com filhos pra compensar a falta de tempo que passa com eles, por estar na corrida dos ratos pra pagar a escola, viagem pra Disney, hotel fazenda, brinquedos, celular... um ciclo vicioso.

Exemplos

Não faltam exemplos de gente que atingiu a IF mesmo tendo filhos. Vou mencionar os que me vem à cabeça agora:

Gustavo Cerbasi, 3
Viagem lenta, 1
Early retirement now, 1
Retire by 40, 1
Early retirement dude, 1
Root of Good, 3
1500 days, 2

Conclusão

Tenho uma amiga que diz que quem não quer ter filhos veio ao mundo a passeio. Não concordo com essa visão. Ninguém é obrigado a ter filhos. Se me dizem que não quer filhos porque não tem grana acho super legítimo, melhor que por os coitadinhos no mundo pra passar necessidade.

Se não quer porque não gosta de criança ou não tem paciência, tranquilo. Ninguém é obrigado a gostar. Mas se diz que não quer porque vai atrapalhar a conquista do próximo milhão... acho triste. Enfim, aí é uma decisão tomada apenas do ponto de vista pessoal, pois tecnicamente é possível.

Faltam 167 dias.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Balanço - Novembro/2018


Bem, amigos, mais um mês com despesas imprevistas mas pelo menos o mercado colaborou.

Vamos aos números:
  • Renda Fixa (CDB, LCx):  0,56% - acabou a festa 
  • FGTS: 0,24% - sem comentários
  • Ações:  2,76% - muito bom, destaque para HGTX3 que subiu 13% 
  • FIIs: 1,63% - ótimo, ah se fosse sempre bom assim... enfim me livrei do MFII11 e a maior alta foi o lixo FAMB11B com 21%
  • EUR: 3,76% - leve alta do euro
  • USD: 5,5% - leve alta do dólar e IVVB11
  • Stock plan: 0,74% - andou de lado 

Alocação:
Renda FixaRenda VariávelMulti mercado
43,2%28,2%28,5%

Outros ativos:
  • Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,39%
Concluindo:
  • Rendimento global da carteira: 0,98% - ótimo; no ano 7,45%
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 23%
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:
  • CDI: 0,49% - dobrei a meta; acumulado 5,9% no ano
  • IPCA: -0,07% - superei; no ano acumula 3,74%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 4,24%
Próximos passos... CDB, LCx, TD IPCA 2045, GGRC11 e HGBS11 ou qualquer FII que preste, de preferencia no ramo de logística ou shopping.

A curto prazo vários desafios (buchas) no trabalho. Melhor nem pensar, é baixar a cabeça e esperar. Haja resiliência.


Faltam 179 dias.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Orçamento pós-IF


Vamos recapitular:

1. Há algum tempo publiquei aqui a metodologia que uso para calcular meu número mágico.

2. Depois mostrei a evolução do meu plano para viver de renda passiva, como vou investir o valor definido no passo 1

Agora vou trazer ao mundo a primeira pincelada sobre como essa renda passiva vai financiar meu estilo de vida durante as próximas décadas.

Desde que descobri o conceito de Independência financeira e percebi que era possível venho aperfeiçoando um orçamento baseado na planilha de número mágico apresentada.

O plano seria declarar IF em meados de 2019 e durante os primeiros anos viajar bastante ou mesmo morar fora. Portugal ? Espanha ? Canadá ? Austrália ? Bielo-rússia ? Ainda não sei. Seguem os anos com eventos marcantes:
  • 2019 - declaração de Independência Financeira
  • 2020~2025 - "sabático" com viagens ou morar no exterior
  • 2032 - filha inicia faculdade
  • 2037 - fim da faculdade, menores despesas
  • 2039 - teoricamente poderei começar a receber uma esmola do INSS e da previdência privada
  • 2054 - idoso, vou morar numa casa de repouso
Eventos periódicos:
  • Viagem internacional - aproximadamente a cada 3 anos
  • Compra de carro - a cada 5 anos vendo meu carro, boto mais 15 mil em cima e compro outro
Elementos do orçamento:
  • Saúde: ponto mais difícil de estimar. Basicamente peguei valores de plano de saúde que ouvi de pessoas conhecidas, lancei e interpolei os valores que não tinha. Coloquei um aumento significativo a partir dos 60 anos. Inclui remédios.
  • Lazer/viagens: como explicado quero aproveitar bastante no começo, como uma espécie de sabático. Não sei se vai rolar mas melhor já deixar reservado no orçamento. Depois retorno a um nível parecido com o de hoje e diminuo bastante na velhice, restando ali somente eventuais excursões para idosos.
  • Moradia: gasto mais no começo por conta de viagens e AirBnb, depois devo firmar base no Brasil e alugar apartamento ou casa em algum lugar com bom custo/benefício. Nesse meio tempo meu apartamento atual ficaria alugado. Quero vendê-lo quando o mercado estiver melhor, podendo comprar outro pra eliminar essa despesas mas ainda não sei, prefiro assumir que vou morar de aluguel por enquanto. Aos 80 anos vou morar numa casa de repouso.
  • Alimentação: no começo diminuo um pouco os gastos assumindo que vou comer mais em casa, depois restam somente eu e minha esposa e por fim reservo um dinheirinho pra comer fora de vez em quando com a família ou a turma do asilo.
  • Transporte: não ando muito de carro hoje e atingindo a IF não vejo motivo pra aumentar. Deixei no mesmo patamar e incluí um valor pra trocar de carro a cada 5 anos
  • Empregada: eu e a patroa vamos fazer tudo em casa até uns 70 anos e daí acho que não vai ter jeito, vamos procurar uma
  • Filho: basicamente gastos com educação são a maior parte do valor, que vai subindo até a faculdade e depois suponho que ela vai arrumar emprego e dar seus pulos. Dali pra frente só reservei um valorzinho pra dar um presentinho no aniversário ou natal.
  • Outras despesas: chute baseado no meu padrão atual
O número mágico calculado pela planilha ficou na faixa de 3,1 milhões de Bolsonaros, em valor de hoje. Deve ser suficiente... Pela regra dos 4% daria 10 mil por mês. Como não pretendo deixar herança posso gastar até mais e nem contei meu apartamento, que vai estar gerando alguma renda de aluguel e ainda pode ser vendido pra engrossar o caldo.


Idade 44
Idade ao se aposentar 45
Tempo até aposentadoria (anos) 1
Expectativa de vida 100
Expectativa de período de recebimento 55 Anos
Ano da aposentadoria 2019
Ano do fim do dinheiro 2073


Quanto seria preciso ter aplicado para cobrir as despesas ? R$ 3.125.870
Para preservar o principal (média de gastos e juros) 4.121.925

Esse número é coerente com o calculado no meu plano para viver de renda passiva, onde eu distribuí o dinheiro entre vários ativos e estimei uma taxa de retirada para cada um deles. Embora ali o cálculo tenha sido em cima de uma despesa mensal média de R$ 9.000, o plano pode gerar mais pois existem várias margens de segurança e como dito não faço questão de deixar herança. De fato, pelo orçamento a média de despesas até o fim da vida ficou em torno de R$ 12.000, enquanto que o tal plano poderia gerar até R$ 16.000 por mês.

Por fim, tudo isso está em constante revisão mas já que a idéia do blog é narrar minha jornada e trocar experiências, lá vai a primeira versão do orçamento detalhado pós-IF... download aqui.

Este é o paradoxo da aposentadoria precoce. Se trabalhar até os 70 junta mais dinheiro mas corre o risco de não conseguir aproveitar; se trabalhar até os 40 tem mais chance de aproveitar a vida mas existe risco pois só Deus sabe o que pode ocorrer nos 50 anos seguintes.

Não dá pra ter tudo.

Faltam 199 dias.

domingo, 4 de novembro de 2018

Balanço - Outubro/2018


Bem, amigos, que mês maluco ! Eleições polarizadas, bolsa subindo, dólar caindo e no geral minha carteira segue no passo da tartaruga. Devagar e sempre. Sim, consegui recuperar um pouco na parte de bolsa e FIIs mas a queda do dólar e das bolsas lá fora enterraram minha rentabilidade. 

Vejamos:
  • FGTS: 0,24% - sem comentários
  • Ações: 7,86% - excelente, melhor rendimento que eu já tive
  • FIIs: 2,12% - excelente, ainda com DY por volta de 0,69%
  • EUR: -14% - desastre
  • USD: -12% - massacre
  • Stock plan: -19% - pacote completo: compra no topo, queda de ação e do euro

Alocação:

Renda FixaRenda VariávelMulti mercado
42,1%28,1%29,8%

Outros ativos:
  • Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,51%
Concluindo:
  • Rendimento global da carteira: 0,29% - medíocre; no ano 6,36%
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 32%
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Fazendo uma simulação, vejo que se o câmbio tivesse permanecido estável eu teria fechado com um rendimento global de 1,20%. Paciência.

Indicadores do mês:
  • CDI: 0,54% - tomei uma surra; acumulado 5,41% no ano
  • IPCA: 0,55% - apanhei feio; no ano acumula 3,91%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 3,85%

Próximos aportes devem ser no arroz com feijão: Tesouro SELIC.

Não vamos desanimar, gente. Sempre ter em mente que você não deve encarar a buscar da IF como uma fuga de um emprego chato e sim como uma caminhada em direção à uma vida mais livre, equilibrada e alinhada a seus interesses.

Faltam 208 dias.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Em defesa do movimento

Futuros vagabundos,

Como vão ?

Recentemente o podcast "Afford anything" entrevistou Suze Orman, uma especialista em finanças pessoais, palestrante e autora de vários livros na área. Ela ficou cerca de uma hora descendo a lenha no movimento FIRE e na idéia de aposentadoria precoce. Se você é mesmo sério nesse negócio de independência financeira eu te digo, é de arrepiar ouvi-la fazendo terrorismo, tentando botar água no nosso chope. A entrevistadora parece ficar sem palavras.

Alguns blogueiros gringos famosos como o Early Retirement Dude, Mr. Money Mustache e Millenial Revolution revidaram com chumbo grosso.

Agora este humilde terceiro-mundista vai dar seu pitaco.

Uma coisa a ter em mente é respeitar a entrevistada. Nunca tinha ouvido falar nela, então dei uma googlada. Ela tem 67 anos e é super rica (tinha até programa de entrevista numa TV americana), mas começou de baixo e com muito trabalho construiu uma fortuna na casa dos 30 milhões de dólares. Ela conta isso na entrevista e essa trajetória tem que ser respeitada.



A seguir os pontos que ela comentou, porquê ela odeia o movimento FIRE e porquê seria uma idéia ridícula se aposentar antes dos 65 anos.

Tragédias acabarão com seu dinheiro

Ela diz que é muito bonito parar de trabalhar com 35 anos e ir viajar o mundo mas conforme a idade chega, merdas acontecem - você ou um familiar pode ter cancer, ficar desabilitado, vegetando numa cama, essas coisas. Ela dá como exemplo ter gasto 3,5 milhões de dólares cuidando de sua mãe em idade avançada. Uma doença pode te impedir de trabalhar, mesmo que você queira, e aí seu dinheiro vai acabar e você vai morar debaixo de uma ponte.

Ou um tornado pode vir e acabar com sua casa, te dando um imenso prejuízo, te forçando a voltar a procurar emprego com 70 anos, sem achar nada, fazendo-o ir morar debaixo da ponte.

E aí, gente, ferrou-se ?

Acho que o ponto é que como nos EUA os custos com saúde são altíssimos, acaba realmente sendo um grande risco se não colocar direitinho no orçamento. É um ponto pouco comentado nos blogs gringos. A entrevistadora Paula Pant termina o podcast refutando os argumentos anti-FIRE mas não toca no assunto.

Vejo o povo toda hora preocupado com isso no Reddit. Realmente não sei como eles fazem. É o único país desenvolvido onde saúde é bem de consumo. Ponto pra nós, pois por mais caro que seja, aqui ainda é mais barato cuidar da saúde e se você não tiver grana mesmo pode tentar a sorte no SUS (claro que nós, entusiastas da IF, vamos tacar esse custo no Excel e não vamos parar enquanto não alcançarmos o número mágico).

Eu mesmo ponho nas minhas contas que vou morar em casa de repouso a partir dos 80 anos pagando uns 10 mil reais por mês. Mais uns 5 mil de plano de saúde. Um post sobre isso está nos planos. Continuarei pagando o mínimo do INSS para ter direito ao auxílio-doença. Nos EUA só tem direito ao auxílio-doença quem está na ativa ou tem mais de 60 e tantos anos. É punk.

Tirando a questão de saúde e doenças, para mitigar o risco de destruição do patrimônio por desastres naturais existe algo chamado SEGURO. Não vamos se aposentar sem por casa e carro no seguro. Então não faz sentido colocar isso como obstáculo para a aposentadoria antecipada. É só por no orçamento e fazer as contas.

Mas meu grande ponto é que uma tragédia como essas - doença fatal, furacão, invasão marciana - poderia detonar as finanças de qualquer pessoa, seja ela aposentada ou não. É algo totalmente fora do nosso controle. Eu preferia me aposentar com 30 milhões no banco mas para isso eu teria que trabalhar até os 90 anos, afinal ganhar na loteria não é muito provável. Mas e aí ? E o risco de aos 89 anos o cara morrer sem aproveitar o patrimônio construído ? É uma questão de escolha. Não dá pra ter TUDO nessa vida, mas dá pra ter QUALQUER coisa.

Prefiro parar antes do que viver com medo. Usando a matemática nós vemos que com disciplina é possível se aposentar com 1 ou 2 milhões, não com 10 ou 20 como ela prega ao longo da entrevista.

Parar cedo é perder a força dos juros compostos

Suze argumenta que parando aos 35 anos não haverão mais contribuições ao seu portfólio, as quais gerariam juros sobre juros nos próximos 20-30 anos, um dinheiro que vai fazer falta. Acho que ela não entende o conceito de TSR e regra dos 4%. Ela deve achar que as retiradas irão sempre consumir o principal do investimento.

O dinheiro que estiver lá aos 35 anos de idade vai sim continuar rendendo juros sobre juros. Daqui 30 anos aqueles 100 reais vão virar um milhão, desde que não se consuma o principal. Você não vai se declarar financeiramente independente e sacar toda grana de uma vez.

Outra coisa, quem disse que nunca mais vão haver aportes ? Daí vem o ponto seguinte.

Tédio vai te matar

Suze diz ter parado com tudo aos 65 anos, aí não aguentou o tédio e voltou a trabalhar. Ela diz que corremos o risco de morrer de tédio e então não faz sentido a aposentadoria precoce. Mais uma vez ela levou o nome RE (retire early) muito ao pé da letra e eu não a culpo pois também acho confuso. Seria melhor chamar essa filosofia de FI/CC - Financial Independence / Career Change. Você atinge a IF e aí faz uma mudança de carreira, continuando a trabalhar mas em outra área, mais alinhada com seus gostos pessoais.

Ela provavelmente não sabia dessa nuance. Não significa parar de aportar com 35 anos de idade. Não significa não ganhar nem 1 centavo mais na vida. Você até pode tentar mas duvido que consiga. Uma pessoa relativamente jovem e ativa não consegue, a cabeça não aguenta.

Faça o que você gosta, aí não precisa parar cedo

Essa é uma mas maiores abobrinhas do nosso tempo. Suze Orman argumenta que diante de todos esses obstáculos o melhor é arrumar um emprego que você goste, fazer o que você goste até os 70 anos e aí sim se aposentar. Onde estão esses empregos maravilhosos, estáveis, com tarefas agradáveis e bem remunerados ? Se eu achasse um, trabalharia décadas a fio nele. Eu cansei de procurá-los e cansei de tentar inventá-los.

Suze aparentemente está entre os poucos privilegiados nesse mundo que trabalhou 40 anos fazendo o que gosta e ainda por cima ganhando um bom dinheiro com isso. Aí é fácil dar esse tipo de conselho. A mídia só mostra a meia dúzia que deu certo seguindo seus sonhos, não os milhares que fracassaram e foram parar debaixo da ponte.

Ainda que você tenha um emprego legal que te proporcione satisfação profissional e dinheiro, não vá pensando que não precisa poupar ou planejar o futuro. O problema é que é um emprego e está sujeito a mudanças alheias à sua vontade - um novo chefe, uma reestruturação, uma mudança no mercado ou na economia podem transformar o emprego dos sonhos num pesadelo.

"Faça o que você é bom" é um conselho melhor na minha opinião. Se você fizer algo com competência terá boas chances de ser bem remunerado. Aí você pega o salário, poupa, investe e sai fora ao atingir a IF, para aí sim fazer algo que você realmente goste, pouco importando a remuneração. Acho mais plausível.

Conclusão

É óbvio que o padrão de vida dela passa longe do nosso e dos blogueiros citados. Também a questão é que ela diz odiar o movimento FIRE mas não o estudou direito. As possíveis falhas que ela relata são o que eu pensei logo que topei com a idéia. Num primeiro momento parecia absurdo mas lendo vários blogs, livros e fazendo as contas vi que era possível. Essa lição de casa ela não fez antes de baixar o sarrafo no melhor estilo "vão trabalhar, seus vagabundos !!!".

Faltam 228 dias.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Balanço - Setembro/2018

Bem, amigos, conseguiram avançar mais um pouco esse mês? 

Minha caminhada segue. Lenta. Silenciosa. Tortuosa. Inabalável.


Este mês o movimento FIRE ganhou destaque no New York Times. Depois de uma matéria publicada no finalzinho de agosto, que inclusive foi até traduzida no Brasil, a repercussão foi tão grande que publicaram um segundo artigo onde alguns expoentes do movimento respondem às perguntas mais frequentes. O Millenial Revolution e o Early Retirement Dude publicaram artigos rebatendo as críticas ao movimento.


E vamos aos resultados:

  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,58% - bom rendimento porém menor que meses anteriores por causa do vencimento gradual daqueles títulos generosos de 2015-2016
  • FGTS: 0,24% - sem comentários
  • FIIs: -1,20% - até que o estrago foi pouco diante da já prevista implosão de MFII11 (-33%) e mais tombos de FAMB11B e BBFI11B (-13% cada)
  • USD: 0,47% - tá bom
  • EUR: -1,58% - queda do euro
  • Stock plan: 5,3% - só alegria


Alocação:

Renda Fixa Renda Variável Multi mercado
42,2% 29,8% 28,0%


Outros ativos:
  • Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,40%
Concluindo:
  • Rendimento global da carteira: 0,41% - razoável; no ano 5,9%
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 50%
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.


Indicadores do mês:
  • CDI: 0,47% - quase empatei; acumulado 4,84% no ano
  • IPCA: 0,48% - perdi...; no ano acumula 3,34%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 3,47%
Toda parte de bolsa continuou problemática. Tenho que me livrar dos micos - FAMB11B, BBFI11B, MFII11 e UGPA3.

Sem alta expressiva na parte de moeda estrangeira e com os atuais ganhos modestos da renda fixa, sobrou pros multimercados carregarem o bonde e estes por fim tiveram um bom mês. Dias melhores virão.

Faltam 241 dias.

domingo, 16 de setembro de 2018

TSR para o Brasil: segundo estudo com o método Monte Carlo

Olá, fiéis seguidores deste humilde blog !

Esta semana revisei e aprimorei esse post publicado há um ano. Sugiro ler para ter o contexto. 

Basicamente a idéia seria calcular qual seria uma taxa segura de retirada para a bolsa brasileira, haja vista que a regra de 4% foi estabelecida a partir do mercado norte-americano. Outro aspecto é que foi levando em conta rendimentos passados que certamente não se repetirão naquela determinada ordem.


Na época o mitológico blogueiro Viver de Renda sugeriu usar a média geométrica ao invés da aritmética, pra tentar reduzir o desvio padrão. Pra mim fazia sentido, porém a função GEOMEAN do Excel dava erro quando haviam números negativos. E rendimento negativo em bolsa tem aos montes.


Fuçando descobri o jeito de calcular a média geométrica. Mudei a planilha mas a volatilidade continuou igual. Aí descobri que a função NORMINV, que puxa os valores dentro da variação estatística, precisa da média aritmética, e não da geométrica. :-(

Depois desse vai e vem percebi que muitas vezes a simulação gerava rendimentos além da máxima e mínima histórica por causa do alto desvio padrão do IBovespa. Por isso a sequência de retiradas virava uma super gangorra e acabava comprometendo os resultados. Resolvi então impor limites. Se fosse gerado um rendimento maior que o teto histórico, este seria assumido e da mesma forma rendimentos abaixo da mínima histórica seriam substituídos por esta.


Esta acabou sendo a única alteração funcional no estudo. Para entender como a planilha funciona, veja o post anterior - TSR para o Brasil: meu primeiro estudo com método Monte Carlo.

Completei com os rendimentos de 2017 e rodei várias vezes com taxas de retirada de 2, 3 e 4%.

Resultados

Considerando:
  • Inflação 0% em todos cenários
  • Período SP500 -1/1/1950 em diante; IBOV 1/1/1996 em diante
Dada uma carteira de 1 milhão, simulei diversas vezes cada cenário e anotei a taxa de falha que mais apareceu. Taxa de falha seria a porcentagem de simulações onde a carteira zerou antes de terminar o período.

Indice Anos
Taxa de retirada            30            40            50
S&P 500 0,1 0,2 0,4
2% IBOV 2,5 3 3,8
IBOV USD 16 20 23
S&P 500 0,8 1,6 2,5
3% IBOV 5,5 6,5 7
IBOV USD 24 29 31
S&P 500 3,5 6,5 8
4% IBOV 10 11 12
IBOV USD 32 34 37

No cenário pelo S&P500 e TSR de 4% durante 30 anos (estilo Trinity Study) a taxa de falha ficou em 3,5%. Nos cenários usando o Ibovespa as taxas de falha foram sempre superiores a 10%, mesmo adotando um período mais estável (desprezando a época da hiperinflação). Convertendo os retornos para dólar para diminuir a volatilidade não ajudou, esta ainda foi imensa. Veja abas "Monte Carlo" e "Rendimentos".

Conclusão

O problema desse tipo de análise é que cada retorno é gerado independentemente do retorno anterior. Com isso ele não consegue simular coisas que acontecem na vida real como uma queda seguida de forte recuperação ou vários anos seguidos de bull/bear market. Existe uma técnica chamada "factoração de Cholesky" onde é possível criar uma correlação entre os rendimentos individuais, de tal forma que eles não sejam totalmente aleatórios. Parei por aí, fica pra uma próxima vez.

Pra quem tiver curiosidade, abaixo os links pra quem quiser brincar. Divirtam-se !


Monte Carlo Simulation: The Basics