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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

De calças arriadas: FIIs - Outubro/2020


Amigos da blogosfera brasileira, hoje quero dar uma atualizada nessa parte pois já faz tempo que publiquei onde eu vinha investindo. Não deixe de ver o post anterior para entender a evolução da coisa.

Disclaimer: isto não é recomendação de compra ou venda. 

É somente o registro da experiência de um pequeno investidor.

Carteira no momento em que escrevo este post:

PapelGanhoAlocação atualTargetSetorOrientação
JSRE11-0,50%0,99%1,00%Papel/TijoloManter
RBRD11-1,83%1,27%0,00%VarejoZerar
SPTW1161,94%1,19%0,60%EscritórioDiminuir
MXRF110,96%1,30%1,30%Papel/TijoloManter
HGRE117,00%0,43%0,60%EscritórioAumentar
GGRC1117,00%1,11%1,30%LogísticaAumentar
BCRI111,00%1,31%1,30%PapelManter
FIIB1113,00%0,58%0,60%LogísticaManter
RBED111,00%1,00%1,00%EducaçãoManter
HGBS11-9,00%1,01%1,00%VarejoManter
RBFF113,00%0,53%1,30%FOFAumentar
MAXR115,00%0,43%0,60%VarejoAumentar
VISC116,00%0,67%1,00%VarejoAumentar
RECT110,00%0,28%0,70%EscritórioAumentar
LVBI113,00%0,14%0,70%LogísticaAumentar
TOTAL
12,24%13,00%

Meu objetivo é chegar a 13% dos investimentos em FIIs, com DY de 7% ao ano. Procuro manter 20% da carteira em FIIs de papel e 80% no resto. Dividendos de FIIs pagaram cerca de 28% das minhas despesas nos últimos 12 meses. 

Nesse momento estou mais exposto ao setor de Varejo e pretendo migrar um pouco principalmente pra Logística e RBFF11, que é um FoF, uma experiência pra ver se no futuro consigo tocar de forma mais passiva essa parte da minha carteira. ETFs que venham a ser lançados no setor estão na minha mira também.

Comparação do desempenho da minha carteira, medida pela planilha do AdP, com o CDI e IFIX:

2017201820192020TOTAL
Carteira7,5-0,528,3-14,410,7
DY6,99,66,56,929,9
IFIX19,45,636-14,546,5
CDI9,96,415,942,2724,52

Nesses 4 anos investindo em FIIs já aconteceu de tudo. Administradores foram presos, fundos foram bloqueados pela CVM por suspeita de fraude, fundos desvalorizaram porque tiveram que prestar conta pra CVM, inquilinos inadimplentes enterrando o DY, fundo que era multiativo virando monoativo e até pandemia. Mesmo com tudo isso e mais algumas cagadas que eu fiz acho que no retrospecto valeu a pena ter saído da renda fixa. Entre dividendos e valorização eu consegui uns 40% até agora, contra 24,5% do CDI. Agora só falta bater o IFIX.

Como escolho um FII ?

No começo eu só olhava DY mas com o tempo fui estabelecendo uma metodologia. Primeiramente tenho uns critérios qualitativos bem simples:
  • tem que fazer parte do IFIX
  • tem que ter liquidez diária acima de 80 mil
  • não pode ser monoativo nem monoinquilino
Passado essa primeira peneira, busco FIIs diversificados que tenham bom DY (critério mais importante) ou bom potencial de valorização. 

Pra saber qual DY é bom eu pego a taxa do Tesouro Prefixado 2026 e jogo um prêmio de risco de 20%. Não sei se é certo, muito ou pouco, mas é algo numérico que me dá segurança. Por exemplo, estando o TD Pré 2026 em 7,3%, procuro FIIs com DY de pelo menos 0,6%.

Se o DY estiver abaixo disso, olho se o P/VP está abaixo de 0,85. Aliada à qualidade do fundo, vejo se há potencial de valorização.

É só isso mesmo... estou ainda aprendendo e bastante sobre essa classe de ativos.
    

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Balanço - Setembro/2020

 

Olá, amigos da blogosfera e nerds das finanças em geral ! Chega o momento mais esperado do mês, que é fazer um balanço e relembrar os principais acontecimentos, os erros e os acertos.

Alguém viu o documentário "Playing with FIRE" ? Eu assisti há poucos dias e não achei tão bacana. É muito ufanista, muito naquele jeitão upbeat americano que o torna enjoativo. FIRE não é pra qualquer um, mas o documentário quer te convencer que é. Mostrar vários depoimentos de gente que se "aposentou" com 30 anos de idade ? Achei apelativo... Acompanho quase todos os personagens que se dizem aposentados aos 30 anos e, embora me inspire neles, não acho que nenhum deles seja realmente aposentado no sentido correto da palavra. Todos estão ainda trabalhando, tocando seus diversos projetos: imóveis, negócios, blogs, podcasts, cursos, etc. Particularmente duvido que sua IF se sustentaria até o fim se tivessem parado completamente de trabalhar. Sim, trabalham no que gostam mas sabem que se não trabalharem o dinheiro pode acabar um dia. Por isso dizem sempre que você não vai parar de ganhar dinheiro depois do FIRE. Teria sido mais convincente focar nas pessoas que se aposentaram mais tarde porém cedo pros padrões. Acho que tinha uma menina querendo se aposentar (ou já "aposentada", não lembro) aos 26 anos. Peraí, vamos maneirar, vai.

Voltei a ser contactado por alguns headhunters e entrei em alguns processos seletivos. Caso volte a trabalhar, já tenho até o número que quero atingir pra pedir demissão de novo. hahaha. Essa vida de vagabundo é muito boa !


Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -2,5%
Esse mês até o Tesouro SELIC (29% da carteira) se desvalorizou com a marcação a mercado. 2020 não é pra amadores ! Qual a próxima ? Tributação de dividendos ? CPMF ??

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,36%
Ótimo !

Fundos: -0,2%
Uma merda, mas pensei que ia até ser pior.

FGTS: 0,25%
Maravilha !

Ações: -5,3%
Fora a forte desvalorização, nenhum dividendo ou JCP. Mês de vacas magras.

FIIs: 1,4%; DY do mês ficou em 0,47%
Uma bela recuperação num ano perdido. Ainda estou -14% no acumulado do ano.

EUR: 0,03%
O medo da segunda onda derrubou os mercados mas a alta do euro segurou um pouco.

USD: -0,3%
Mesma coisa.

Stock plan: -2,7%
Foi ladeira abaixo.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: -0,1%
Tudo bem que rentabilidade não é o objetivo dessa parte da carteira, mas preju não tava no script ! O que fazer com o Tesouro SELIC ? Se vendo agora, tomo preju com a marcação a mercado. Se levo até o vencimento, a taxa da B3 come toda rentabilidade.

Seguiu a tendencia do mercado: cair.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: -0,77% - um desastre ! No ano acumula 1,7%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 3,03%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,3% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 2,29%
IPCA: 0,64%; no ano acumula 1,34%
Poupança: 0,12%; no ano 1,76%

* previsão; quando divulgarem o número oficial ajusto aqui (se lembrar)

Com esse resultado volto a ficar atrás do CDI e praticamente empatar com a poupança. :-( Praticamente a única notícia boa foi que veio minha restituição do imposto de renda e com isso na prática não precisei tirar nada do bolso pra passar o mês. Ainda assim sempre calculo a taxa de retirada (veja acima) sem levar em conta com essas rendas aleatórias.

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,3% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Caso as taxas do TD subam, posso fazer aportes usando algo do colchão de segurança.

Dentro da carteira de multimercados vou fazer um rebalanceamento pois alguns estão pesando demais, gerando muita volatilidade.

Vai vencer outro CDB este mês e vou reaplicar. Está facil achar CDB a 160% do CDI, que é uma performance que poucos fundos multimercados conseguem. Na RV eu nunca nem cheguei perto dessa marca. Exceto pelos FIIs, que com um DY na faixa de 0,47% estou a quase 300% do CDI. Aliás, na medida do possível quero reinvestir os proventos e continuar a bola de neve.

Bolsa vou parar um pouco, só quero mesmo me livrar de alguns micos.

IVVB11 já subiu tanto que estou considerando vender uma parte e fazer uma remessa. Mas dá uma dó de pagar o  IR sobre o lucro...

Faltam só 3 meses pra acabar 2020. Se não adiarem o reveillon, claro....

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

TSR para o Brasil: um estudo sobre os primeiros anos de IF


Fazia tempo que eu queria fazer esse estudo. Já havia sugerido no blog Aposente aos 40, que publicou alguns estudos parecidos, que levam em conta os 25 anos de estabilidade econômica do Brasil. Um período muito curto para um estudo no estilo do Trinity Study.

Nesses estudos americanos com mais de 100 anos de dados é tranquilo você determinar o valor final de uma carteira ao longo de 30 anos (período de aposentadoria). Isto porque a amostra é grande, existem dezenas de períodos de 30 anos para calcular (1900-1929, 1901-1930, etc). Com 25 anos não temos condições de fazer um estudo sobre TSR no Brasil. Basicamente é por isso que eu não sigo a regra dos 4%.

Mas podemos fazer um estudo com períodos menores.

Como os primeiros anos são os mais importantes para um investidor aposentado, a idéia é saber qual a taxa máxima de retirada possível para que uma carteira de ativos brasileiros não só sobreviva 10 anos, como também termine com um valor igual ou superior à inflação do período, mantendo o poder de compra inicial. Assim, o investidor tem muito mais chances de não ficar sem dinheiro nos 30-40 anos seguintes de aposentadoria.

Pois outro dia comecei brincar com uma planilha e a coisa tomou forma. Os resultados me deixaram surpreso.

Metodologia

1. O cidadão se aposenta em 31 de dezembro com uma carteira composta por um investimento em renda fixa que segue o CDI e/ou outro em renda variável que segue o IBovespa. O percentual de cada é parâmetro, informado na planilha.

2. Dia primeiro de janeiro ele faz uma retirada de acordo uma taxa pré-definida (outro parâmetro)

3. No decorrer do ano paga suas despesas com a retirada

4. No dia primeiro de janeiro ocorre uma nova retirada, agora corrigida pela inflação do ano anterior

5. Repetir passos 3 e 4 até completar 10 anos.

6. Se o saldo final preservar o poder de compra inicial de acordo com o parâmetro informado (quanto do poder de compra deve ser preservado), aquele período de 10 anos foi um sucesso

7. Refazer os cálculos para o próximos período de 10 anos

Ao final a planilha te diz a taxa de sucesso, ou seja, em quantos por cento dos períodos de 10 anos o patrimônio ficou preservado apesar das retiradas. Para simplificar, não foi levado em conta impostos nem taxas. Rebalanceamento anual - a carteira sempre manterá a proporção RF/RV inicial.

Clique AQUI para baixar a planilha e fazer suas simulações.

Primeira rodada de simulações (1995-2019)

Primeiro fiz várias simulações com os seguintes parâmetros:

  • Ano inicial 1995, o que nos dá 16 períodos de 10 anos
  • Carteira inicial de 1 milhão de reais
  • Poder de compra final deve ser 100% do inicial pelo menos
  • Taxas de retirada 2%, 3% e 4%
  • Carteiras 100% RV, 50% RV / 50% RF e 100% RF.
Eis os resultados:

TR% RFSucessoMelhor resultadoPior resultado
2%0%69%1996-2005 341%2008-2017 46%

50%81%1996-2005 365%2008-2017 89%

100%100%1995-2004 277%2010-2019 115%
3%0%63%1996-2005 321%2008-2017 35%

50%75%1996-2005 344%2008-2017 77%

100%100%1995-2004 259%2010-2019 103%
4%0%56%1996-2005 300%2008-2017 23%

50%69%1996-2005 323%2008-2017 66%

100%75%1995-2004 241%2010-2019 91%

Veja a aba "Resultados" da planilha.

Então temos: uma taxa de retirada de 3% numa carteira 100% em renda fixa preservou o poder de compra inicial em todos os casos. No pior deles, quem se aposentou em 31/12/2009 obteve de 2010 a 2019 um crescimento de 3% em relação a seu poder de compra inicial.

Quanto mais renda fixa, mais chance de sucesso. No entanto diminuir a renda fixa resultou nas décadas mais lucrativas. Infelizmente se você olhar na aba "Cálculo" o rendimento não se mantém, pois logo temos alguma(s) queda(s) levando a uma década perdida que faz a taxa de sucesso ser menor que 100%.

Os rendimentos generosos da renda fixa no passado pesaram no período 1995-2019.

Segunda rodada de simulações (2005-2019)

Esta rodada foi para tentar entender como fica num cenário com juros menores. Com os mesmos parâmetros de antes, exceto o ano inicial agora sendo 2005, resultando em 6 períodos de 10 anos:

TR% RFSucessoMelhor resultadoPior resultado
2%0%17%2009-2018 109%2008-2017 46%

50%50%2005-2014 134%2008-2017 89%

100%100%2005-2014 143%2010-2019 115%
3%0%0%2009-2018 97%2008-2017 35%

50%33%2005-2014 123%2008-2017 78%

100%100%2005-2014 131%2010-2019 103%
4%0%0%2009-2018 85%2008-2017 25%

50%17%2005-2014 113%2008-2017 66%

100%33%2005-2014 118%2010-2019 91%

Mais uma vez a configuração vencedora foi retirada de 3% com uma carteira 100% em renda fixa. Porém reparem na coluna "Melhor resultado" acima como o poder de compra final é bem menor em comparação com a primeira rodada de simulações. Reflexo de juros cada vez menores.

Isso implica num melhor desempenho da renda variável ? Infelizmente não. Ao contrário do período 1995-2019, ao aumentar o percentual de renda variável o poder de compra final diminui (coluna Melhor Resultado). Entre 2005 e 2019 o melhor período 100%RV foi 2009-2018, que com uma taxa de retirada de 2% resultou num poder de compra de 109% do inicial. O mesmo cenário entre 1995 e 2019 nos traz como vencedora a década 1996-2005, com estonteantes 341%. Quem se aposentou em dezembro de 1995 com tudo em RV e retirando 2% por ano teria ao final dos primeiros 10 anos seu poder de compra mais que triplicado ! 

The best of the best

Nessa rodada quis saber qual foi a década que suportou a maior taxa de retirada possível. Mais uma vez a diferença entre os anos 90 e os dias de hoje é gritante:


% RFPeríodo campeãoTR máxima

0%2003-201215%
1995-201950%1996-200514%

100%1995-200411%

0%2009-20182%
2005-201950%2005-20145%

100%2005-20145%


Se eu tivesse uma máquina do tempo, viajaria até 2003 com uma mala com um milhão de reais e colocaria tudo em RV, torrando 15% (150k) todo ano. Em 2012 teria que repensar essa estratégia, pois a melhor taxa pra uma carteira 100% RV entre 2005 e 2019 ocorreu no período 2009-2018: apenas 2% !

No período 2005-2019 a renda fixa proporcionou maiores taxas de retirada em comparação com a renda variável. Já no período 1995-2019 foi o contrário.

Conclusão

Tanto RV como RF tem apresentado rentabilidades cada vez menores. Estamos num limbo ! Juros reais 0% e bolsa inconsistente é a nova realidade, pelo menos até o Brasil conseguir engatar um ciclo estável de crescimento.

Mas será que passados 10 anos já estamos seguros ? Ou bastam 5 anos ? Acho que não. Simule por exemplo 50%RF, TR 3% a partir de 1995. Veja o período 2006-2015. Ao final do quinto ano está tudo beleza, mas daí sucessivas quedas na bolsa minaram o patrimônio que finalizou com 93% do seu poder de compra inicial:

AnoSaldo InicialGanhos RFGanhos RVCarteira inicial corrigidaNova retiradaPoder de compraPeríodoVariação

200697000068337159711103140030942

97,00%
2007116710565475254721107740032322

113,16%
2008145497885262-299871114096734229

135,05%
2009120614056990498498119014335704

105,71%
20101725923806878975126048037814

145,02%
2011177777197955-160977134241140272

141,04%
201216744766781661956142080842624

124,74%
2013176162468527-136526150477845143

123,99%
2014164848285062-23985160123448037

109,55%
20151661521104011-1105741772086


103,77%
FINAL1654958



93,39%2006-201593,39%

Interessante notar que o aposentado e quem está na ativa estão em pontas opostas. Para o aposentado é interessante que os maiores ganhos venham no início da aposentadoria, já para quem está na ativa é melhor que os maiores ganhos venham nos últimos anos da fase de acumulação, quando o patrimônio é maior. Para o aposentado uma queda prolongado pode arruinar seus planos, já pra quem está na ativa significa adquirir mais ativos com menos dinheiro.

E se desse pra direcionar melhor as retiradas, pra evitar sacar quando a RV está no fundo do poço ? E se uma parte ficasse em poupança pra cobrir os gastos diários, deixando a RV intocada para que no longo prazo ela cresça mais ? Daria pra fazer de várias formas mas preferi começar de um jeito bem simples. Quem quiser pode pegar a planilha e tentar melhorá-la, eu apoio !

Espero que tenha se divertido com esse post. Faça suas simulações e deixe suas sugestões e impressões nos comentários.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Balanço - Agosto/2020



Mais uma fase vencida !

Este mês me chamou a atenção a febre de investir no exterior. Meu gerente no banco me recomendou. O youtuber Daniel Nigri (Dica de Hoje), que ano passado deixou escapar que investir nos EUA era "vontade de comprar topo", começou a fazer vídeos sobre o assunto. É bolha ? Fato é que pelo menos pra mim foram os ativos que mais valorizaram esse ano e me salvaram da falência. 

Por causa de um problema com a Modal fiquei uns 20 dias sem poder operar. De saco cheio, mudei pra Clear. Tomara que seja melhor ! Posso elogiar a Modal numa coisa: a rapidez com que processaram meu pedido de transferência de custódia. Se fossem tão rápidos assim com outras coisas eu ainda estaria lá.

Voltei a contribuir pro INSS conforme estratégia comentada anteriormente aqui no blog. 20% do salário mínimo, a cada 6 meses. Ainda peguei IPTU como sempre e DARF de lucro com FIIs. Um mês cheio de impostos !

O blog Aposente aos 40 está promovendo sua pesquisa anual para conhecer a comunidade de finanças. Eu já respondi. Participe também ! Só clicar AQUI.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -1,2%
Um desastre ! Mas é isso mesmo: tudo que sobe, tem que descer...

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,36%
Tá ótimo !

Fundos: -0,22%
Uma merda.

FGTS:  2,2%
Maravilha ! Rendimento turbinado pela distribuição de lucros. Com isso segue firme para superar minha carteira RF pelo segundo ano consecutivo. Quem diria ?

Ações: -3,9%
Segue volátil e imprevisível. Quase tudo caiu. IBOV recuou 3,4%.

FIIs: 0,8%; DY do mês ficou em 0,47%
Uma modesta recuperação, num mercado ainda bastante incerto.

EUR: 9,3%
Bombou !

USD: 10,8% 
Está explodindo ! Daqui há pouco vou ter que vender IVVB11 pra não ficar tão concentrado !

Stock plan: 9,7%
Mais uma vez alta da moeda e da ação.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,13%
Mais que isso não vai.

Caindo por causa da bolsa. Estou fazendo portabilidade de uma parte da minha previdência privada para o fundo Carteira Itaú, pra dar uma diversificada. Também fiquei sabendo que PGBL paga imposto de herança, ou seja, não serve pra planejamento sucessório. Por isso vou começar a migrar pra VGBL um pouco todo ano. Como estou na tributação progressiva, vou sacar até o limite da minha faixa de imposto, que este ano deve ficar em 7,5%. Poderia aproveitar a dedução no IR que o PGBL oferece e aportar um pouquinho mas acho que nem compensa.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 0,9% - tá ótimo ! No ano acumula 2,5%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 3,9%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,3% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 2,12%
IPCA: 0,24%; no ano acumula 0,70%
Poupança: 0,13%; no ano 1,64%

Com esse resultado eu enfim superei o frágil CDI. A parte atrelada a dólar e euro salvou o mês mais uma vez.

Como já passei de 1 ano de vagabundagem vou começar a reportar a taxa de retirada anual pois acho que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,3% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa de retirada estimada foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Nesse momento minha impressão é que o medo da segunda onda está enterrando o mercado de trabalho de novo. Ligações e e-mails de headhunters minguaram de uns 20 dias pra cá.

Tenho estudado pra me atualizar e aumentar minhas chances de arrumar uns freelances. Esse negócio de estar fora do mundo corporativo é tão bom que estou afim de aproveitar mais. Quero voltar pro escritório pra fazer mais uma grana e sair fora de novo. Uma grana extra vai me servir pra aproveitar ainda mais essa vida de vagabundo. 

Iniciando a nona temporada de 2020...

domingo, 16 de agosto de 2020

De calças arriadas: Ações - Agosto/2020

Já fazem mais de 2 anos desde o post onde apresentei minha carteira de ações. Está mais do que na hora de fazer uma atualização. Muitas pedras rolaram !

Disclaimer: isto não é recomendação de compra ou venda. É somente o registro da experiência de um pequeno investidor.

Eis a carteira no momento em que escrevo este post:

Papel            GanhoAlocação atualTargetOrientação
BBDC4-1,73%0,61%0,60%Manter
TAEE1127,66%0,56%0,60%Manter
KLBN34,55%0,35%0,00%Zerar
HGTX3-42,56%0,21%0,00%Zerar
EGIE312,29%0,60%0,60%Manter
ITSA4-7,44%0,70%0,60%Manter
GOVE1110,74%1,26%1,20%Manter
SAPR33,98%0,60%0,60%Manter
IRBR3-17,86%0,15%0,00%Zerar
LEVE314,37%0,06%0,30%Aumentar
TGMA361,71%0,18%0,30%Aumentar
DIVO1116,77%0,19%1,20%Aumentar
Vinci-12,06%0,29%0,00%Zerar
TOTAL
5,76%6,00%

Meu objetivo é ter 6% dos meus investimentos nessa classe de ativos, com DY de 2% ao ano. Estou bem próximo. Talvez até aguente um pouco mais. De todo jeito, nessa faixa consigo dormir tranquilo. 

Não tenho intenção de vender para custear meu dia a dia, para isso quero usar os dividendos. Mas vendo caso tenhamos uma grande alta, pra rebalancear. Ou venderia se estivesse já bem velho ou realmente precisando de dinheiro. Não aportarei mais nada a partir dos 65, pois não sei se estarei vivo pra colher os lucros. Ações é pra longo prazo.

Apesar da pequena participação é a carteira que mais dá trabalho pra gerenciar (analisar, contabilizar, declarar no IRPF) e não necessariamente mais retorno (veremos abaixo). No longo prazo minha idéia é zerar algumas posições e aumentar em DIVO11 principalmente.

O que me vem a cabeça sobre cada um desses ativos:

BBDC4 e ITSA4 - os maiores bancos num país onde o setor financeiro sempre se saiu bem. Eu tinha que ter.

TAEE11 - empresa do setor elétrico, super previsível, que costuma(va) pagar bons dividendos

KLBN3 - por ser de setor perene coloquei na carteira, sem entender que se trata de uma empresa cíclica. Como não tenho tempo nem interesse em ficar acompanhando os ciclos pra comprar e vender na hora certa, melhor vender.

HGTX3 - peguei por causa dos dividendos. No fim não teve nem dividendos nem ganho de capital. Mico.

EGIE3 - empresa forte do setor elétrico, mais especificamente geração, que eu peguei pra não ficar concentrado só na Taesa, que faz transmissão

GOVE11 - vendo que não tinha competência pra stock picking, comecei a investir neste ETF que segue o índice das empresas com boa governança. Acho que é o mínimo de fundamentos que uma empresa deve ter.

SAPR3 - queria uma empresa de saneamento, por ser setor perene e estável. Sanepar é das mais sólidas nesse setor.

IRBR3 - observei por bastante tempo e comprei quando começou a despencar, logo depois do relatório da Squadra. Em tese é uma baita empresa, monopólio de resseguros no Brasil, porém isso de ficar maqueando balanço não dá. Vou zerar e esquecer que um dia tive.

LEVE3 e TGMA3 - comprei pelos bons indicadores e ranking na fórmula mágica do Joel Greenblatt, além de atender aos critérios de investimento em valor do Ben Graham.

DIVO11 - ETF das pagadoras de dividendos, com liquidez bem melhor que o GOVE11. Entrei durante o auge da crise esse ano, já vinha de olho fazia tempo.

Vinci Mosaico - fundo de gestão ativa que eu peguei uma semana antes de explodir a crise do coronavírus. Queria ter aportado mais no auge da crise mas o fundo fechou e não abriu até hoje. Pela falta de flexibilidade (vive fechado), pra mim não dá, prefiro ETF.

Abaixo comparo as rentabilidades de acordo com a planilha do AdP. Lado a lado temos esta carteira, iniciada em fevereiro de 2017, o poluído índice IBOVESPA, minha carteira de renda fixa (CDBs, LCAs e LCIs) e o CDI:


AçõesDYTotalIBOVRFCDI
201715,00%0,81%15,81%26,90%13,50%9,95%
20186,54%4,08%10,62%15,00%8,42%6,42%
201913,18%2,87%16,05%31,60%5,80%5,97%
2020-15,03%1,49%-13,54%-17,80%2,53%1,95%
TOTAL19,69%9,25%28,94%55,70%30,25%24,29%


Observações:

1. Estou levando uma surra do IBOVESPA, índice muito questionado por ser muito concentrado em poucas empresas

2. Mesmo assim, vinha ganhando da renda fixa até o tombo deste ano; no geral renda fixa rendeu um pouquinho mais pra mim

3. A migração de uma parte dos recursos para GOVE11 feita em 2019 pode estar por trás da performance de 2020, que está mais próxima do IBOVESPA se comparada aos anos anteriores. De cabeça, lembro que me desfiz de ABEV3, WEGE3, LAME4, POMO3 e UGPA3.

Enfim, é isso aí. Aos poucos vou aprendendo e melhorando.