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sábado, 16 de janeiro de 2021

Planos para 2021

Hora de parar um pouco pra pensar pra onde estou indo e onde quero estar. 

Retrospectiva

Vou começar dando uma olhada no retrovisor. Abaixo uma revisão geral dos últimos 4 anos, comparando a rentabilidade dos meus diversos investimentos.



Ativo2017201820192020      TOTAL
RFTD8,1912,5216,265,6942,66

RF19,578,425,84,6938,48

FGTS3,392,745,835,117,06

Colchão
2,677,032,1111,81


RVAções156,5413,18-6,2528,47

DY Ações0,814,082,872,9110,67

TOTAL Ações15,8110,6216,05-3,3439,14

FIIs7,52-0,5128,27-13,3121,97

DY FIIs6,869,596,478,3731,29

TOTAL FIIs14,389,0834,74-4,9453,26

USD13,089,3828,5549,81100,82

EUR11,011,939,7235,6958,35


MistoFundos9,719,5810,15,935,29

Prev Privada8,856,799,722,9628,32

As tendencias que vejo:
1 - RF caindo ano a ano
2 - RV apesar da volatilidade deve superar a renda fixa nos próximos anos; FIIs já o fizeram
3 - Investimentos no exterior salvaram a pátria
4 - Fundos apesar do maldito come-cotas tem tido rendimento decente sem que eu tenha que esquentar a cabeça

Investimentos


Atualmente tenho 19% em Ações e FIIs. Só vou vender pra tentar simplificar a carteira, deixando-a crescer até uns 21% em princípio. Consequentemente haverá uma diminuição da participação em RF.

Estou querendo estudar a estratégia de venda coberta de ações pra tentar melhorar a rentabilidade sem correr muito risco.

Em março vence uma cacetada de Tesouro SELIC e não vou reaplicar. Na hora H devo espalhar em TD IPCA, CDBs, renda variável e sei lá mais o que. Tem o ETF de renda fixa também. Até lá vou continuar aportando quaisquer proventos em FIIs, especialmente RBRF11 e BPFF11, e em ETFs no exterior.

Gostaria muito de gastar menos tempo administrando meus investimentos. Tenho que me controlar porque vira e mexe caem uns dividendos e eu já fico louco pra não deixar parado. Vou estar de olho em todo tipo de ETF, Fundo de FIIs e multimercados. Daqui uns dias é hora de declarar IR e outra vez é aquela encheção de saco preenchendo dezenas de ativos. Ter poucos ativos que sejam diversificados vai me fazer dormir melhor e aproveitar mais a vida. Estou cogitando botar uma meta de diminuir um ativo por mês pelo menos.

Despesas


Tenho pronto meu orçamento para 2021. Recalculei minha TNRP, que subiu de 3,03% para 3,36%. Consequência do fraco desempenho de 2020 aliado a um aumento de despesas causado pela desvalorização do real e mudança para um apartamento mais caro. O primeiro não estava nos planos, já o segundo foi decisão minha e não me arrependo pois fez diferença no dia a dia.

Outra métrica interessante é a taxa de retirada (não confundir com TSR). Para 2020 eu havia calculado em 2,6% e agora vai subir para 3,1%, pelos mesmos motivos que a TNRP subiu. Esta taxa é retirada mesmo (venda de ativos), calculada somente sobre meus investimentos financeiros (imóvel fica de fora). Supondo que eu não ganhasse nada de dividendos e tivesse que me sustentar somente com venda de ativos, esta taxa seria 4,2%. É o máximo que eu aguento sem ter que tocar no principal do investimento.

Dá pra perceber como a coisa piorou. Com um patrimônio praticamente igual ao do ano anterior (subiu só 1%) vou precisar fazer retiradas maiores.

Renda


Provavelmente vou terminar meu sabático. Estou apalavrado com uma empresa mas eles tem que resolver umas burocracias antes de me contratar. Não assinei nada ainda então no fim tudo pode mudar. Mas seria bacana porque no fim das contas eu não tenho mesmo tempo pra fazer tudo que quero, então agora prefiro usá-lo para ganhar algum dinheiro. Depois de 600 dias fora do mercado eu realmente me sinto novo e aberto pra encarar outra vez reuniões, projetos, chefes e clientes sem noção, pelos menos por algum tempo. Um dinheirinho pra solidificar o próximo sabático. Esse negócio de ser vagabundo é tão bom que quero fazer de novo. Vou fingir que visto a camisa e trabalhar uns 2 anos pra chutar o balde outra vez.

Ainda sobre ganhar dinheiro, vou tentar parar de ler sobre o assunto e finalmente lançar alguns negócios na internet. Já tenho um meio adiantando, relacionado com música, que será o primeiro. Em seguida vou tentar algo com Merch by Amazon. E assim por diante, vou experimentando um de cada vez.

Conclusão


2020 nos mostrou que a vida é o que acontece enquanto a gente faz planos. Quem poderia imaginar há um ano atrás que estaríamos desse jeito. Mas enfim, dadas as atuais condições, fica registrado o que eu imagino para 2021.

E vocês leitores, estão se planejando ou vão deixar a vida levá-los pra onde ela quiser ?


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Balanço - Dezembro/2020


Acabou !

Foi um ano implacável que não deixa saudades. Gente do meu círculo social perdeu dinheiro, emprego, entes queridos e até a própria vida.

Eu engordei 3 quilos com a quarentena. Não dá pra ficar correndo por aí de máscara. Começaram a vacinar mas ainda temos um longo caminho... Eu tenho alguns amigos super encanados já falando que vacina nenhuma é 100%, que portanto esse pesadelo vai durar ainda mais. Uma hora vamos ter que dar uma de louco e simplesmente conviver com o problema, porque no longo prazo esse isolamento não tem como ser mantido. As pessoas querem viver, sair, se abraçar, se socializar.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 5,7%
Meus títulos tiveram valorização recorde !

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,5%
Ótimo !

Fundos: 4,3%
Mês excepcional ! Fiz uns rebalanceamentos pra equilibrar a carteira e espero que vá pra frente !

FGTS: 0,25%
Devagar e sempre.

Ações: 7,4%
Subiu bem ! Zerei IRBR3 pra nunca mais e joguei mais um pouquinho pra DIVO11. ODPV3 subiu 18% enquanto HGTX3 caiu 4,5%

FIIs: 0,8%; DY do mês ficou em 0,58% 
Entrei nas subscrições do GGRC11, RBED11 e BCRI11. Entrei nos FoFs BPFF11 e RBRF11. Vamos ver se vinga.

EUR: 0,4%
Muito bom !

USD: 0,8%
Excelente !


Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,26%
Não sei como foi tão bem !

Bombou !

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 2,8% - Excelente ! Fechando o ano com 6%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 1,6%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,4% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 2,77%
IPCA: 1,35%; no ano fechou em 4,52%
Poupança: 0,12%; no ano 2,11%

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,4% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Para 2020 eu estava planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Resumão do ano


Encerro esse ano tão difícil com o patrimônio em seu topo histórico. Desde quando chutei o balde o patrimônio cresceu 4,5%, sendo 1% em 2020. Aos trancos e barrancos a carteira superou a inflação que vem galopando nos últimos meses. E mais um ano onde minha carteira de ações com excelentes empresas não conseguiu superar um índice onde metade das empresas estão quebradas ou nas mãos de políticos ou empresários corruptos.

Melhores investimentos do ano: USD 49,8%, EUR 35,7%, Tesouro Direto 5,7%
Piores investimentos do ano: FIIs -4,9%, Ações -3,3%, RF 4,7%

Despesas foram pagas com os seguintes recursos:
    • Dividendos de FIIs: 27%
    • Dividendos de Ações: 4%
    • Cupons do Tesouro Direto: 2%
    • Aluguel: 26%
    • Rendas não-recorrentes (diferença de rescisão e restituição de IR): 33%
Os 8% restantes, não cobertos por esses recursos, resultaram numa taxa efetiva de retirada de 0,15% sobre todo o patrimônio (imóvel + investimentos).

Se por uma lado as despesas aumentaram, por outro elas diminuíram à força por causa dos sucessivos confinamentos e restrições à mobilidade.

Próximos passos


Não vou detalhar aqui pro post não ficar muito longo. Explico com mais calma nos próximos dias. No curto prazo a carteira está bem equilibrada, demandando poucos ajustes.

Que todos tenhamos um ano novo com muito sucesso, saúde e liberdade !


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Seria a IF uma busca pela mediocridade ?


Hoje um post filosófico inspirado no vídeo acima, sobre a cultura da mediocridade. Trombei com ele há algum tempo e na hora vi a conexão com o mundo FIRE, IFAP, ou seja lá como você o chame.

Com frequencia quem está em busca da IF será criticado por renunciar a uma vida confortável para viver de forma medíocre. Em outras palavras, ouve-se que ao invés do cidadão torrar tudo que ganha em tudo que há de mais moderno e cômodo, este escolhe um padrão de vida mais baixo para poder acumular dinheiro e um dia não precisar mais trabalhar, parando de desempenhar seu papel na sociedade. Uma vida medíocre, de acordo com os críticos, tanto antes como depois da tal IF.

Pois depois de ver o vídeo eu percebi que é exatamente o contrário. Quem está em busca da IF está exatamente indo contra a mediocridade, contra a média. O cara está no dia-a-dia só observando a galera se entupindo de dívidas e praticando consumo inconsciente, enquanto pensa de que forma melhor investir seu dinheiro, otimizar suas contas ou qual habilidade desenvolver para poder ganhar mais e assim poder poupar e investir mais para chegar mais rápido a seu objetivo. Não pode de forma alguma ser tachado de acomodado.

Acomodar-se seria simplesmente acompanhar a manada, repetindo seus hábitos e adotando seus pensamentos. Isso é a cultura da mediocridade. É muito confortável escolhe-la e ficar na média, acomodado. Quem diz que buscar a IF é buscar a mediocridade são os próprios medíocres, confortavelmente sentados em seu comodismo. Não estão preparados para pagar o preço para sair da média e nem querem, escolheram estar ali no conforto.

Quem busca a IF então quer algo mais, acima da média, e terá eventualmente que passar por situações impopulares por causa dessa decisão. Daí vem a conexão com o post que fiz sobre o medo de se destacar. Muitos preferirão esconder seus objetivos para não se destacarem. Eu, por exemplo. Mas existem aqueles que assumem e estes serão alvo dos medíocres de plantão.

Quero deixar claro que não perseguir IF por si só não faz uma pessoa ser medíocre. Esta pessoa pode então não ter atração pela idéia ou até mesmo não entender de dinheiro mas ser excelente em outras áreas, fazer coisas maravilhosas e ser alguém acima da média. Ninguém conseguirá ser acima da média em tudo, será portanto medíocre em algumas coisas e isso eu acho perfeitamente normal.

O problema é não reconhecer o mérito em quem está tentando sair da média, é ficar arrumando desculpa pra minimizar o esforço do outro.

E assim encerra-se o quarto ano do blog.

Desejo a todos um feliz Natal e um ano novo acima da média !

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Balanço - Novembro/2020


Lá se foi mais um episódio da temporada 2020 do planeta Terra.

Neste episódio os fatos marcantes foram a alta da bolsas depois da vitória do Joe Biden e uma perspectiva de voltar a trabalhar. Estou em processo avançado com uma empresa aí. Não percam os próximos episódios !

Para completar o desastre desse ano vemos o agravamento (ou continuação) da maldita pandemia no Brasil. Depois de muito pensar e repensar, decidi com a patroa adiar mais uma vez nossa viagem. Não dá pra torrar uma grana pra ir e ficar enfurnado em casa, com o risco de cancelarem a volta e ficar preso no Brasil. Se rolar esse trampo aí realmente só Deus sabe quando poderemos ir.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 1,1%
Excelente !

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,43%
Tá ótimo !

Fundos: 1%
Maravilha !

FGTS: 0,25%
Uma das melhores aplicações do ano.

Ações: 13%
Bombou ! Ainda estou -11% esse ano.

FIIs: 0,8%; DY do mês ficou em 1,1% 
Dividendos gordos por causa do aluguel anual de um inquilino do RBRD11, o qual, sem perspectivas, desovei totalmente aproveitando uma inexplicável alta (sardinhada deve ter achado que esse dividendo gordo vem todo mês). Acho que há fundos melhores para o meu perfil. Em paralelo vendi RECT11, HGBS11 e LVBI11, que estavam no prejuízo, pra não precisar pagar imposto sobre o lucro. Somente o HGBS11 eu recomprei depois. Os outros vou continuar observando.

EUR: 2,7%
Otimismo geral com a derrota do Mr. Trump. Iniciei aportes num fundo que segue o índice MSCI World.

USD: 2,1%
Awesome !

Stock plan: 5,8%
Pequena recuperação da ação. Última vez que esse item aparece no fechamento. Dia 1/12 vendi as ações restantes para me concentrar em investimentos passivos em fundos de índice.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,09%
Bem meia-boca.

Maravilha !

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 1,7% - Excelente ! No ano acumula 3,2%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 0,7%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,38% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,15%; no ano 2,6%
IPCA: 0,89%; no ano acumula 3,12%
Poupança: 0,12%; no ano 1,99%

Mês onde tudo subiu, uns mais outros menos. Com esse resultado estou praticamente empatado com a inflação. A essa altura do campeonato terminar o ano no zero a zero é uma vitória.

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,38% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Vai vencer outro CDB este mês e vou reaplicar. Essa escadinha de CDB está super azeitada, consistentemente puxando uns 200% do CDI. A partir do ano que vem vou definitivamente incorporá-la ao meu colchão de segurança. Se rolar o trampo vou inclusive reduzi-lo dos atuais 4 para apenas 2 anos. Estou devendo um post sobre isso. 

Desinflando o colchão quero redirecionar para FIIs principalmente. Independente disso, estou de olho em vários FoFs pro ano que vem. Quero mais tempo pra fazer outras coisas ao invés de ficar toda hora analisando em qual FII vale mais a pena reaplicar os dividendos.

Bolsa tô sossegado. Até pensando em carregar os micos IRBR3 e HGTX3 pro ano que vem e deixar rolar.

Está quase acabando. Logo estaremos confinados comendo peru de natal e estourando uma gloriosa sidra Cereser.


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Entrando e saindo da bolsa na hora certa


"Time in the market beats time the market"

Um dos ensinamentos do livro "O investidor inteligente" é que se deve investir em bons ativos sem querer adivinhar pra onde o mercado vai. Por outro lado, muitos investidores tem uma reserva de oportunidade, um dinheiro estacionado em algum lugar pra ser investido quando o mercado cai. Não deixa de ser uma estratégia para "time the market", ou seja, esperar que o mercado vá para um certo lugar para só então investir.

Este post é baseado num estudo publicado no blog Early Retirement Now. Leia-o para entende melhor. Ele testou uma estratégia de entrar e sair da bolsa baseada na média do fechamento dos últimos 10 meses. Se fechar o mês acima da média, mantém a posição. Se fechar abaixo, joga tudo pra renda fixa, retornando quando voltar a fechar acima da média.

No caso do S&P500 funcionou. Mesmo que a maioria dos giros de carteira não tenham valido a pena, os que valeram foram mais que suficiente para superar o mercado. No entanto as taxas e impostos não foram considerados, pois ele acredita que realmente não daria certo se estes fossem levados em conta. Esta estratégia faria sentido somente para um certo tipo de conta que existe nos EUA onde não se paga imposto ao se desfazer de um ativo para comprar outro.

E o Brasil ?

O vagabundo aqui como não tinha nada melhor pra fazer foi lá vasculhar a internet e baixou os fechamentos da Bovespa desde 1995 e também as taxas SELIC. Montei esta planilha que você pode baixar e brincar com os parâmetros.

A idéia é a mesma do estudo do ERN. Quando a bolsa fecha abaixo da média você encerra a posição e joga tudo em algo que rende a taxa SELIC. A planilha te mostra qual seria o rendimento da bolsa, da SELIC e da carteira que segue essa estratégia, a qual chamei de carteira TTM (Time The Market).

Por exemplo, se deixar os parâmetros assim:

Mês inicialAno inicialMeses para média móvel% IR ao vender RV
119951015,00%

O investidor entra comprado em janeiro de 1995 e paga 15% de imposto sobre lucro ao se desfazer da RV. Faz de conta que ele só tem BOVA11 e nada mais. A planilha calcula o imposto de renda ao girar a carteira mas não as taxas de corretagem e custódia. Assume-se que o investidor esteja numa corretora onde estes custos sejam irrelevantes no longo prazo. O resultado é esse ao final de setembro de 2020:
TTMIBOVSELIC
1460,85%2335,11%4282,12%

Opa, não deu certo ! A carteira TTM perdeu feio. Algumas estatísticas:

MesesGiros de carteiraMeses em RVMeses em RFQuantas vezes valeu a pena girar
309512061039

17%67%33%35%

Foram realizados 51 giros de carteira (RV para RF e vice-versa), o que corresponde a 17% dos meses. Praticamente a cada 5 meses o investidor girou o patrimônio. 67% do tempo ficou investido em RV. Ao voltar pra RV a planilha calcula se valeu a pena ter ficado fora da bolsa. No caso 9 vezes, ou apenas 35% valeu a pena, ou seja, no período em que o investidor ficou fora da bolsa a RF de fato rendeu mais que a RV.

Então não dá certo no Brasil. Será ? Aí entra uma diferença do nosso mercado pro americano: a volatilidade. 10 meses é um tempo muito longo pra calcular a média móvel. Eu brinquei com os números e me parece que 5 meses é o sweet spot. Às vezes, 2 meses apenas. Repetindo a simulação com os parâmetros acima, apenas mudando o número de meses de 10 pra 5, temos um resultando bem diferente:

TTMIBOVSELIC
MesesGiros de carteiraMeses em RVMeses em RFQuantas vezes valeu a pena girar
7696,45%2335,11%4282,12%
3096120010913





20%65%35%43%

A carteira TTM deixou as outras comendo poeira. Veja que apenas 43% das trocas valeram a pena, mas estas foram mais que suficientes pra garantir a performance. Vamos ver um exemplo, olhando a aba "Dados" da planilha.

MêsIBOV do mêsRendimentoAcumulado IBOVMédia móvelPosição RV no mês
01/20113761,00-1,64%2828,21%109925,00Dentro
02/20104260,00-8,35%2583,66%109828,00Dentro
03/2073011,00-29,97%1779,31%102986,00Fora
04/2080501,0010,26%1972,10%97437,00Fora
05/2087395,008,56%2149,55%91785,60Fora
06/2095062,008,77%2346,90%88045,80Fora
07/20102913,008,26%2548,98%87776,40Dentro
08/2099382,00-3,43%2458,10%93050,60Dentro
09/2094604,00-4,81%2335,11%95871,20Dentro

Em fevereiro de 2020 o IBOV fechou abaixo da média móvel dos 5 meses anteriores. Nesse momento o investidor passaria tudo pra renda fixa. Em junho o IBOV fechou acima da média e ele girou a carteira de novo, voltando pra renda variável. Enquanto esteve fora da RV, esta rendeu -8,82% (coluna T da aba "Dados") enquanto a RF rendeu pouco menos de 1% (colunas K e O). Ou seja, este giro em particular valeu a pena.

Não é difícil achar um número pra média móvel pra bater o IBOV. Já o mesmo não acontece pra SELIC. Essa dá mais trabalho pra superar. Iniciando em janeiro de 2010 não consegui fazer a carteira TTM bater a SELIC. Porém achei um período em que a carteira TTM não supera o IBOV: a partir de janeiro de 2016. Mesmo com a queda de 2020 o bull market foi forte e não teria valido a pena ficar de fora da festa nem um mês.

As altas taxas de juros contribuem decisivamente para uma boa performance da carteira TTM. Mas há um porém: na época em que a SELIC batia 20-30% ao ano ninguém ganhava esse valor. Havia taxa de administração na faixa de 5% e nenhum fundo DI ou CDB pagava 100% do CDI. Não achei como embutir isso no cálculo. Fica a ressalva. 

O que fazer com esses dados ?

Pra quem tem previdência privada, onde pra fazer portabilidade de um plano pra outro não paga nada, valeria a pena ficar migrando de RV pra RF de vez em quando. Também pra quem tem RV concentrada em poucos ETFs poderia ser uma opção. Pra quem tem um monte de ações seria um baita trampo vender tudo de uma vez pra migrar pra RF, depois comprar um a um todos os papéis de novo. Na prática é um exercício mais de curiosidade.

Mesmo assim, eu particularmente vou começar a ficar de olho nessa métrica. Mais uma variável na tomada de decisão !

Baixe a planilha, brinque com os números e comente aqui o que achou da brincadeira.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Balanço - Outubro/2020

  

Salve amigos da blogosfera e nerds das finanças em geral ! Lá vamos nós pra mais um fechamento.

Basicamente tudo vinha se recuperando até a última semana do mês, quando o tempo fechou e tudo despencou. A múmia aqui sabia que ia rolar segunda onda mas não fez nada pra diminuir o preju.

A SELIC foi mantida em 2%. Estão de brincadeira. Viramos primeiro mundo ? Só no papel mesmo.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -0,14%
Uma merda.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,47%
Show !

Fundos: 0,32%
Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

FGTS: 0,25%
Maravilha !

Ações: -0,42%
Enfim consegui me desfazer dos últimos lotes de KLBN3. Empresa cíclica nunca mais ! Não é pra amadores como eu ! Também vendi IRBR3 e ITSA4 antes que despencasse. No fim não deu pra ficar no positivo.

FIIs:  -1,43%; DY do mês ficou em 0,5%
Um mês difícil outra vez. Um ano perdido. No entanto rolou mais dividendos que no mês anterior.

EUR: -0,7%
O medo da segunda onda contagiou o mercado e nem a valorização da moeda impediu um resultado negativo

USD: 0,42%
Mercado deu uma caída mas o câmbio segurou.

Stock plan: -30%
Uma queda fenomenal... Ainda bem que agora só tenho algumas poucas ações.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,1%
Pelo menos não caiu !

Beleza, uma bela surpresa.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: -0,24% - um fracasso ! No ano acumula 1,46%
Rendimento real nos últimos 12 meses: -0,07%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,33% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 1,9%
IPCA: 0,86%; no ano acumula 2,22%
Poupança: 0,12%; no ano 1,88%

Com esse resultado estou perdendo até pra poupança esse ano ! Que fase !

Como já passei de 1 ano de vagabundagem posso mostrar a taxa de retirada anual, que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,33% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Vai vencer outro CDB este mês e ainda não sei se vou reaplicar. Minha escadinha de CDB tá tão bem montada que estou pensando em fundi-la com meu colchão de segurança (reserva do dia-a-dia e dinheiro estacionado pra não precisar vender ativos em baixa).

Bolsa só invisto se conseguir me desfazer do último mico da carteira: IRBR3.

Vinha mantendo uma rotina de exercícios consistente e convivendo com a obrigação de usar máscara indo fazer caminhadas mais curtas em parques. Agora com os parques fechados e provável nova quarentena estou prestes a desistir e abraçar o sedentarismo. Leitura e meditação são hábitos que não consegui introduzir no meu sabático e poderiam bem ocupar essa lacuna.

Acho que vamos ficar mais um ano nesse pesadelo. Não era o que eu queria pro meu sabático, mas é o que tem pra hoje.


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

De calças arriadas: FIIs - Outubro/2020


Amigos da blogosfera brasileira, hoje quero dar uma atualizada nessa parte pois já faz tempo que publiquei onde eu vinha investindo. Não deixe de ver o post anterior para entender a evolução da coisa.

Disclaimer: isto não é recomendação de compra ou venda. 

É somente o registro da experiência de um pequeno investidor.

Carteira no momento em que escrevo este post:

PapelGanhoAlocação atualTargetSetorOrientação
JSRE11-0,50%0,99%1,00%Papel/TijoloManter
RBRD11-1,83%1,27%0,00%VarejoZerar
SPTW1161,94%1,19%0,60%EscritórioDiminuir
MXRF110,96%1,30%1,30%Papel/TijoloManter
HGRE117,00%0,43%0,60%EscritórioAumentar
GGRC1117,00%1,11%1,30%LogísticaAumentar
BCRI111,00%1,31%1,30%PapelManter
FIIB1113,00%0,58%0,60%LogísticaManter
RBED111,00%1,00%1,00%EducaçãoManter
HGBS11-9,00%1,01%1,00%VarejoManter
RBFF113,00%0,53%1,30%FOFAumentar
MAXR115,00%0,43%0,60%VarejoAumentar
VISC116,00%0,67%1,00%VarejoAumentar
RECT110,00%0,28%0,70%EscritórioAumentar
LVBI113,00%0,14%0,70%LogísticaAumentar
TOTAL
12,24%13,00%

Meu objetivo é chegar a 13% dos investimentos em FIIs, com DY de 7% ao ano. Procuro manter 20% da carteira em FIIs de papel e 80% no resto. Dividendos de FIIs pagaram cerca de 28% das minhas despesas nos últimos 12 meses. 

Nesse momento estou mais exposto ao setor de Varejo e pretendo migrar um pouco principalmente pra Logística e RBFF11, que é um FoF, uma experiência pra ver se no futuro consigo tocar de forma mais passiva essa parte da minha carteira. ETFs que venham a ser lançados no setor estão na minha mira também.

Comparação do desempenho da minha carteira, medida pela planilha do AdP, com o CDI e IFIX:

2017201820192020TOTAL
Carteira7,5-0,528,3-14,410,7
DY6,99,66,56,929,9
IFIX19,45,636-14,546,5
CDI9,96,415,942,2724,52

Nesses 4 anos investindo em FIIs já aconteceu de tudo. Administradores foram presos, fundos foram bloqueados pela CVM por suspeita de fraude, fundos desvalorizaram porque tiveram que prestar conta pra CVM, inquilinos inadimplentes enterrando o DY, fundo que era multiativo virando monoativo e até pandemia. Mesmo com tudo isso e mais algumas cagadas que eu fiz acho que no retrospecto valeu a pena ter saído da renda fixa. Entre dividendos e valorização eu consegui uns 40% até agora, contra 24,5% do CDI. Agora só falta bater o IFIX.

Como escolho um FII ?

No começo eu só olhava DY mas com o tempo fui estabelecendo uma metodologia. Primeiramente tenho uns critérios qualitativos bem simples:
  • tem que fazer parte do IFIX
  • tem que ter liquidez diária acima de 80 mil
  • não pode ser monoativo nem monoinquilino
Passado essa primeira peneira, busco FIIs diversificados que tenham bom DY (critério mais importante) ou bom potencial de valorização. 

Pra saber qual DY é bom eu pego a taxa do Tesouro Prefixado 2026 e jogo um prêmio de risco de 20%. Não sei se é certo, muito ou pouco, mas é algo numérico que me dá segurança. Por exemplo, estando o TD Pré 2026 em 7,3%, procuro FIIs com DY de pelo menos 0,6%.

Se o DY estiver abaixo disso, olho se o P/VP está abaixo de 0,85. Aliada à qualidade do fundo, vejo se há potencial de valorização.

É só isso mesmo... estou ainda aprendendo e bastante sobre essa classe de ativos.
    

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