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domingo, 2 de agosto de 2020

Balanço - Julho/2020: de volta ao topo



E lá se foi mais um mês nessa louca aventura que é 2020.

Inquilino querendo mais desconto por causa do vírus.

Viajei, comi fora, gastei dinheiro.

Fiz caminhadas, descobri lugares, ouvi podcasts.

E a carteira atingiu um patamar superior ao pré apocalipse-COVID.

Desempenho da carteira


Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 4,7%
Inacreditável !!! Maior crescimento em 3 anos de acompanhamento mensal. Saiu do negativo e agora acumula 2,8% de ganho em 2020 !
Comecei a migrar parte do Tesouro SELIC para o fundo Sul América Juro Real Curto, que investe em títulos indexados à inflação de no máximo 5 anos. São títulos que que não estão disponíveis para o investidor pessoa física. O gestor tem superado com consistência o IMAB5, que é o benchmark do fundo. Tesouro SELIC não dá, só serve como a última camada de uma reserva de emergência, pois é o investimento mais seguro do país.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,34%
Tá ótimo !

Fundos: 2,9%
Lavaram a égua e também saíram do negativo !

FGTS: 0,25%
Maravilha.

Ações: 5,5%
Uma bela subida também graças aos swing trades que fiz com IRBR3, a rainha da volatilidade. Vou entrar nessa subscrição e quando integralizar vender tudo e esquecer que um dia investi nesse papel.

FIIs: -2,9%; DY do mês ficou em 3,1%
Mês azedo para os FIIs. 
Zerei ABCP11. Um baita shopping, uma máquina de fazer dinheiro, porém não invisto mais em fundo monoativo. Continuei aumentando posição em VISC11 e HGBS11, que não estão rendendo nada agora mas acho que no futuro voltarão a bombar. Shopping é lazer no Brasil, não é só compras. Uma hora a pandemia acaba.
RBRD11 rescindiu contrato com um inquilino inadimplente e distribuiu toda multa pra galera esse mês, daí o yield turbinado.

EUR: 0,5%
Ficou estável esse mês.

USD: -0,1% 
ETFs valorizaram mas a cotação caiu, no fim ficou parado.

Stock plan: ~10%
Ação subiu esse mês e vendi mais um pouco. Redirecionei o valor todo para ETFs. Planilha AdP fica louca quando tem retirada grande. Essa rentabilidade foi calculada no papel de pão por mim.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,14%
Taxa da B3 comeu toda rentabilidade. 
Sem nenhum aporte, voltou ao nível pré-pandemia e ao positivo no acumulado do ano.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 1,8% - maravilha ! No ano acumula 1,5%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 1,44%
Taxa de retirada: 0,1%

Indicadores do mês:

CDI: 0,19%; no ano 1,95%
IPCA: 0,36%; no ano acumula 0,46%
Poupança: 0,13%; no ano 1,51%

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Com esse resultado eu superei a inflação, empatei com a poupança e estou mais próximo do CDI. O mais importante é que a carteira já está maior que em janeiro desse ano. Time in the market beats timing the market.


Próximos passos


Vou dar uma revolucionada no meu colchão de segurança, movendo boa parte do Tesouro SELIC para Renda Fixa 100% ou mais do CDI com vencimento em até 6 meses ou liquidez diária. Pegando LCI ou LCA nessa onda não pago imposto de renda nem a maldita taxa da B3. Manterei metade em TD SELIC pois afinal é o investimento mais seguro do país. Aumento o risco sim, mas para um nível que ainda é confortável pra mim.

Na carteira TD, vou mover mais um pouquinho pro fundo da Sul América. No fim só vou ter TD SELIC compondo uma parte do meu colchão de segurança.

Vou entrar na subscrição da IRB e depois flipar tudo. Que se lasque. Esquecer que um dia tive esse papel.

Se o Euro baixar de 6 vou mandar uma remessa.

E assim lá vamos nós para a fase 8 de 2020 !

quinta-feira, 16 de julho de 2020

1 ano de vadiagem



Bem, amigos, vejam só que loucura. 1 ano de vagabundagem... Tem hora que nem eu acredito.

Nesse post vou fazer um resumão de como foi esse primeiro ano. Vocês verão que nem tudo são flores na IF, mas assim é a vida. Sempre vai ter problema pra resolver e sempre vai ter coisa boa pra curtir.

Saúde


Me sinto bem tanto física quanto psicologicamente. Exercício físico regular foi consistente nesse primeiro ano. Até aprendi a andar de bicicleta.

Meditação nada ainda. Não deu tempo.

Finanças


Tudo foi muito bem até janeiro desse ano. Depois todo muno sabe.  Considerando tudo que aconteceu, parece que me saí bem:
  • Crescimento real do patrimônio: 3,2%
  • Despesas foram pagas com os seguintes recursos
    • Dividendos de FIIs: 23%
    • Dividendos de Ações: 5%
    • Cupons do Tesouro Direto: 1%
    • Aluguel: 30%
    • Rendas não-recorrentes: 31%
  • Os 10% restantes, não cobertos por esses recursos, resultaram numa taxa efetiva de retirada de 0,30% sobre todo o patrimônio (imóvel + investimentos)
De renda ativa nesse período tive uma diferença de rescisão, que veio em boa hora no meio da crise, e uns trocados de uma pequena consultoria que fiz. Só.

A alta do euro colocou um grande stress nas minhas despesas. Como não pretendo ficar por aqui pra sempre vou aguentar mais um pouco. Antes da crise meu nível de despesa era suportável em todos os meus cálculos. Agora não. Só pela regra dos 4% eu poderia continuar aqui pra sempre. Some a isso o fator cambio e é óbvio que uma hora nem esse critério se sustenta mais.

Falando em despesas, a previsão é aumentar mais uns 20%, porque estou pagando mais de aluguel. Vinha tentando ver o quão pobre eu conseguia ser sem dar nos nervos. Vi que me dá nos nervos morar mal. Não gosto de cidade pequena e casa antiquada. Me mudei pro centro num apartamento melhor. Continuo sendo mais pobre que no Brasil: não tem piscina no prédio, não tem varanda com churrasqueira (nem varanda), só tem um banheiro e não tenho carro. Ainda foco em evitar gastos não-essenciais. Os primeiros anos são chave na IF, por isso vou levando com mão de ferro (ou de vaca).

Pessoal


Nesse primeiro ano fiz incontáveis idas ao parquinho com a minha filha, jogamos bola, ensinei-a a andar de bicicleta e vi seu primeiro dente de leite cair numa tarde enquanto tomávamos um sorvete em casa em pleno isolamento anti-COVID.

Ficar mais tempo em casa foi bom mas amplificou atritos que já existiam e gerou um desgaste no meu casamento. O fato é que temos uma vida muito boa e devemos ser gratos. Cada um tem que ver isso por si, não posso enfiar isso na cabeça de ninguém. Não sei porque é difícil entender isso. É o que sempre digo: onde não há problemas as pessoas os inventam. 

Um colega uma vez comentou numa festinha que pra ele era vital viajar a trabalho com frequencia, para manter uma certa distância da mulher e evitar brigas. Outro cara que trabalhou comigo dizia que só pegava projetos fora da sua cidade por causa da mulher. Por vários anos achei isso um absurdo e odiava viajar a trabalho. Hoje em dia eu entendo.

Mais que um prolongado crash no mercado, divórcio é o maior risco pra IF. Ninguém consegue se planejar pra isso. Só o MMM e o André Viagem Lenta conseguiram sobreviver a tal evento. As estatísticas não estão a meu favor. O risco existe.

Antes de jogar a toalha pensava que poderia fazer outra faculdade no meu tempo livre. Música, economia, alguma coisa. Não sei. Parece que todo meu tempo livre é só pra cuidar da casa e do bem estar da família. Não sei como eu tinha tempo pra ter um emprego. O lance que eu postei sobre a jarra com pedrinhas e areia é onipresente na minha vida.

Profissional


Aqui vejo que cometi um erro. Eu tinha idéia de fazer freelance de vez em quando ou montar algum negócio online depois de pedir demissão. Errado. Devia ter começado a correr atrás disso antes.

Depois de um ano sabático me sinto muito mais relaxado e acho que poderia até voltar a ter um emprego normal, com chefe, reuniões, clientes pentelhos, gerentes malucos, tarefas absurdas e tudo mais. Aguentaria fácil mais uns 2 anos nessa vida. Querer não quero, mas se rolar, eu seguro o rojão.

Passado um ano não sei ainda no que gostaria de trabalhar daqui pra frente. Música, finanças, carpintaria, vender sorvete na praia... não sei.

Estudos


Voltei a estudar guitarra com regularidade e venho evoluindo. Queria poder mexer mais com música. Ter uma banda e tocar por aí seria ótimo. Compor umas coisas e tacar na internet só por diversão. Falta o que ? Tempo. Essas coisas tomam tempo, se for pra fazer direito.

Cogitei procurar algum curso ou faculdade pra aprender música e ter um diploma. Poderia depois dar aulas. Fico pensando se não perderia o tesão, ao transformar uma paixão em obrigação. Ficar estudando um monte de livros e partituras porque o curso manda, não porque você tem interesse... Não sei se daria certo.

Quanto a cursos, no começo da pandemia fiz um curso online e foi só. Lista de coisas que quero aprender:
  • desenvolvimento web
  • produção musical
  • carpintaria
  • culinária
Leitura vinha razoavelmente bem até começar a pandemia. A rotina deu uma bagunçada. De repente todo mundo em casa e foi pro saco meu sossego, eu tendo que ajudar minha filha gastar energia já que não podia brincar na rua. 

Social


Eu vinha fazendo o possível para fazer amigos, conhecer os locais. Tinha a limitação de morar longe do centro, depender de ônibus e por isso não poder ficar no boteco até altas horas. Já estava difícil, aí num belo dia alguém na China comeu um morcego e daí alguns meses vocês já sabem o que aconteceu.

Porém digo que não estou frustrado ou surpreso. Eu já esperava. É difícil quando você chega e as panelinhas já estão todas formadas há séculos. Fora que também não sou o cara mais conversador do mundo. Só que aí se eu começo uma conversa, faço perguntas e o interlocutor se limita a respondê-las sem fazer perguntas novas, acabo desanimando.

Agora estou morando no centro da cidade, numa rua pequena e tranquila, mas bem perto das zonas turísticas, bares, lojas, cafés e tudo mais. Vamos ver !

Conclusão

Vira e mexe trombo com algum depoimento de alguém com medo de ficar entediado quando declarar FIRE, ou alguém que realmente se entediou e voltou ao trabalho. Invariavelmente são pessoas solteiras ou casais sem filhos. Comigo é completamente diferente. Eu tenho que correr todo santo dia contra o relógio pra dar tempo de fazer minhas coisas. 

Um exemplo parecido é o do blogueiro Early Retirement Now. Depois do FIRE o cara diminuiu bastante a frequencia dos posts. Vive ocupado com a família e viajando. O Root of Good tem 3 filhos e só publica uma vez por mês. Com filhos tem que ser guerreiro pra continuar blogando !

No fim das contas acho que tenho que aceitar que sempre vou querer fazer mais do que consigo. Meu cérebro é uma máquina de buscar problemas pra resolver. Tenho que parar de focar no futuro e viver o presente. Estar presente, não estar fazendo algo já pensando que logo em seguida tenho que fazer isso ou aquilo.

Sou extremamente grato por ter o privilégio de poder me lançar num sabático assim. Dos que terão a chance, poucos a abraçarão. Destes, muitos ficarão pelo caminho por vários motivos, alheios ou próprios, e só uma meia dúzia de abnegados e privilegiados vai chegar lá. E eu estou entre eles.

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Balanço - Junho/2020: um ano sabático


Junho de 2020 marcou 12 meses vivendo de renda. Quantas aventuras ! Post comemorativo com detalhes em breve.

Foi mês de SELIC em queda livre. Nesse momento tem dezenas de ações e FIIs que pagam dividendos superiores a 2,25% ao ano. Só não pode esquecer que o dividendo vem mas o principal (valor do ativo) pode ir pro buraco. RV é pra longo prazo. Pra curto prazo é renda fixa, isso não mudou. Pessoalmente como já tenho uma posição em RV condizente com minha tolerância a risco, prefiro migrar  uma parte de SELIC pra TD IPCA 2026. Ganho a SELIC + inflação fácil lá no vencimento. 6 anos passa rápido.


Li boa parte do livro "Investidor Inteligente" do Ben Graham. É super detalhado. Até chato por esmiuçar as nuances do mercado americano. São reconhecíveis ali várias boas práticas difundidas na comunidade de finanças: buy and hold, investir em valor, investir com consistência, não tentar adivinhar pra onde vai o mercado, diversificação... Ele explica em detalhes e com exemplos do mercado americano cada conceito. Como já tinha lido muito sobre essas coisas o livro não me apresentou grandes novidades. Agora, eu digo que é um daqueles que você deveria ter na estante pra consultar de vez em quando. É a bíblia do investidor.

Desempenho da carteira


Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,98%
Excelente desempenho ! Com a distópica taxa SELIC de 2,25% continuo migrando um pouco pro TD IPCA 2026, onde estou com taxa média de 3,15% agora. Vai variar mais que o Tesouro SELIC porém vai ser um montante que eu acredito só precisar daqui a 6 anos.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,27%
Que descanse em paz.

Fundos: 1,26%
Excelente !

FGTS: 0,25% 
Recebi saque-aniversário e reapliquei num CDB IPCA 5,15%. Agora quero os 1045 do coronavoucher ! Inacreditável, mas o FGTS já está rendendo mais que muitas aplicações de renda fixa. O problema é que não tem liquidez.

Ações:  9,2%
Inacreditável ! O país indo à merda e essa alta não dá pra entender. Fuga da renda fixa ? Parte da performance vem de ter vendido um pouco de IRBR3, KLBN3 e HGTX3 no topo. GoogleFinance explodiu e esculhambou meu controle. Muita gente publicou alternativas mas nenhuma se compara ao que havia antes.

FIIs: 7,3%; DY do mês ficou em 0,56%
Ótimo ! Quase tudo subiu e os dividendos vieram mais gordinhos, embora longe do patamar do início do ano.

EUR: 2,9%
Disparou no fim do mês

USD: 2,9% 
Disparou também.

Stock plan:  26%
Deu uma subida e vendi um pouco. Com isso posso parar um pouco as remessas mensais. Mas 26% não foi, é a planilha que fica doida quando tem retirada grande e não sei arrumar.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de controle.

Outros ativos


Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,2%
Cumprindo sua função social apenas. 
Excelente, correndo atrás do prejuízo.

Resultado do mês



Rendimento global da carteira2,3% - excelente; no ano ainda acumulo -0,3%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 2,08%
Taxa de retirada: 0,03% - bem abaixo da meta. É que pra entrar no apê eu tinha pago aluguel adiantado mês passado, esse mês não paguei nada.

Indicadores do mês:

CDI: 0,21%; no ano 1,75%
IPCA: 0,26%; no ano seriam 0,1%
Poupança: 0,17%; no ano 1,38%

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Com esse resultado já estou muito perto do patamar do início do ano e a alocação de ativos ficou praticamente do jeito que eu quero !

Melhores investimentos do semestre: Stock Plan ~40%; USD 31%; EUR 22%.
Piores: Ações -19%; FIIs -15%; Fundos -2%.

Próximos passos


Continuar procurando uns frilas.

Continuar gestionando a carteira:
- mais um pouquinho de ações; vender os micos
- mais um pouquinho de FIIs; vender os micos
- mais um pouquinho de TD IPCA

E assim lá vamos nós para a fase 7 de 2020 !

terça-feira, 16 de junho de 2020

Aposentadoria pelo INSS



Seu disser que não conto com o INSS estarei mentindo. Nos meus cálculos considerei que eu e a patroa vamos receber um salário mínimo a partir dos 65 anos de idade. É um número conservador, porque na maior parte do tempo eu contribuí mais do que isso. Mesmo que tivesse contribuído menos, não existe pensão menor que o salário mínimo. Sem falar que já contribuí 26 anos, não dá pra desprezar tanto tempo ! Quero minha fatia do bolo !

Daí outro dia bateu a curiosidade de saber quanto eu receberia, se não contribuísse mais nada, se hoje eu tivesse 65 anos. Primeiro fui na página do INSS, tentei simular mas deu pau.



Aí acabei indo pelo caminho mais difícil: calculei na mão... Tudo que vou falar a seguir é o que vale pra mim. No final do post vou deixar uns links que me ajudaram, e provavelmente ajudem você também.

Atualização 19/06/20: consegui simular pelo app no celular ! 
O tempo bateu com minha planilha, porém ele não calcula o benefício pois ainda não tenho direito.

Quando joguei a toalha eu tinha 45 anos e já tinha contribuído 26 anos. Ainda assim, como não iria me aposentar nos próximos anos, não entro em nenhuma das regras de transição. No meu caso, como me filiei ao INSS antes da reforma, só posso me aposentar com 65 anos de idade e com pelo menos 15 anos de contribuição. Como já contribuí mais que isso, se eu não fizer mais nada, eu me aposento com 65. 

Recebendo quanto ? O benefício é calculado em cima da média dos salários de contribuição. A partir de 15 anos de contribuição o homem recebe 60% dessa média, ganhando mais 2% a cada ano depois de 20 anos de contribuição. Chega a 100% (aposentadoria integral) somente com 40 anos de pagamento.



Detalhe que essa média só leva em conta os salários desde julho de 1994. As contribuições anteriores só contam pra saber se você já tem pelo menos 180, não pelo valor. Tenho poucas contribuições na era pré-real, todas com salário baixo. Ou seja, pra mim não faz diferença.

Estes foram os passos:

1. Baixei meu extrato de contribuições na página do INSS
2. Levantei todos meus salários de contribuição
3. Apliquei a correção monetária
4. Calculei a média
5. Apliquei o percentual pela regra acima (26 anos = 72% do benefício)

E o que que deu ?

Cerca de 3 salários mínimos !!!

Maravilha ! 

Porém eu gostaria de manter o direito aos outros benefícios do INSS tais como aposentadoria por invalidez e auxílio doença. Pra isso eu tenho que manter a qualidade de segurado, ou seja, não posso parar pra sempre de contribuir. Nesse momento estou nos últimos dias do meu período de graça, prestes a perder a qualidade de segurado pois já vai fazer um ano que pedi demissão. 

Como contribuinte facultativo eu perco a qualidade de segurado 6 meses depois da última contribuição. Daí pensei e vou fazer o seguinte: contribuirei 3 vezes por ano, a cada 4 meses, só pra manter a qualidade de segurado e ter direito a todos os benefícios. 

Não adianta eu começar a contribuir em cima de 3 salários mínimos e daqui 10 anos vierem com outra reforma me ferrando mais ainda. Por isso, em princípio, vou contribuir pelo salário mínimo mesmo, mesmo que signifique uma redução no benefício final. Isso porque como disse a maioria das minhas contribuições foram superiores ao salário mínimo, sendo uma boa parte delas pelo teto. 

Aqui vem uma parte que eu não entendo que é a alíquota. O facultativo que contribui com 20% em cima de qualquer salário (do piso ao teto) tem direito a aposentadoria por idade ou tempo de contribuição naquele valor. Porém, que eu saiba, agora só existe aposentadoria por idade, a menos que você entre em alguma regra de transição, o que não é meu caso. 

Já quem contribui com 11% só pode fazê-lo sobre o salário mínimo e só poderá se aposentar por idade. Mas na hora de se aposentar por idade não tem que ver quantos anos contribuiu pra ver quantos por cento da média vai receber ? E não tem que ter pelo menos 180 contribuições ?? Então o tempo conta ou não conta ?

Enfim, simulando aqui essa estratégia de contribuir a cada 4 meses só pra manter a qualidade de segurado, meu benefício final se reduziria em cerca de 5,5%. Seriam 57 contribuições até os 65 anos. Se por um lado teria mais meses (alíquota de 11% vale ?), o que aumentaria o percentual, por outro lado a média se reduz pois estaria adicionando contribuições mais baixas, em cima de um salário mínimo apenas.

Pra não haver nenhuma redução eu teria que, adicionalmente, contribuir mais 4 anos com base em 3 salários mínimos, totalizando 105 contribuições ou cerca de 9 anos.

Outra idéia seria simplesmente contribuir a cada 4 meses em cima de 2 salários mínimos. Assim manteria a qualidade de segurado e no final o benefício ainda seria de 3 salários mínimos, por volta de 3135 reais.

EstratégiaContribuiçõesSegurado ?BenefícioContribuição adicional total (20%)
1Só as que fiz até hojeNão3135N/A
2+ a cada 4 meses, salário mínimoSim296012000
3Situação 2 + 48 contribuições de 3 salários mínimosSim313542000
4Como a 2, porém em cima de 2 salários mínimosSim313524000

Se eu tivesse certeza que daqui alguns anos outra reforma não viria me ferrar eu começaria com o número 4. Por isso acho que vou começar conforme o 2, só faltando saber qual a alíquota - 11% ou 20%.

E você, o que acha do INSS ? Tem lugar pra aposentadoria oficial no seu planejamento financeiro ?

terça-feira, 2 de junho de 2020

Balanço - Maio/2020


Há alguns dias me veio na cabeça a tamanha distopia que estou vivendo. Pandemia, pandemônio, SELIC a 3%, lojas fechadas, 2 meses sem sair da cidade, todo mundo usando máscara e eu andando na rua com a minha filha de bicicleta, sem emprego e prestes a completar um ano de vadiagem. Às vezes parece surreal.


Água mole em pedra dura... esse mês fiz meu primeiro trampo freelance. Foi uma consultoria rápida, coisa bem pontual. Agora espero que se confirme conforme o ditado: onde passa um boi, passa uma boiada.

Desempenho da carteira


Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 1,12%
Com a distópica taxa SELIC de 3% comecei a mover um pouco pro TD IPCA 2026, onde estou com taxa média de 3,60%. Vai variar mais que o Tesouro SELIC porém vai ser um montante que eu acredito só precisar daqui a 6 anos.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,27%
Mais que isso não vai.

Fundos: 3,2%
Excelente !

FGTS: 0,25% 
Quem diria que um dia seria tão rentável quanto um CDB 100% do CDI...

Ações: 5,6%
Esse mês estudei bastante. Fiz planilhas, apliquei a fórmula mágica do Greenblatt e os critérios de Value Investing do Graham. Montei de um jeito que todo mês em meia hora eu consigo ver o que teoricamente vale a pena comprar e vender. Só compro se for bem nos critérios do Greenblatt e do Graham, pagar dividendos por menores que sejam e estiver com P/L abaixo da média nos últimos 3 anos. Entraram TGMA3 e LEVE3, que foram bem (apesar que praticamente qualquer merda subiu esse mês). Falei que só ia pegar blue-chips mas me rendi aos números. Small caps como essas terão no entanto participação menor na carteira.  
Aproveitando a euforia do mercado (87k ?!?) zerei minha posição em ABEV3. Em 3 anos de buy-and-hold obtive um ridículo rendimento de 1,45%, fora os pífios dividendos que nem vou me dar ao trabalho de somar. Ação picolé de chuchu foi essa ! Também desovei um pouco de KLBN3 e pretendo zerar até o fim do ano, mesmo que seja com prejuízo.
Maior alta do mês: TGMA3 (+14%); maior baixa: IRBR3 (-17%).

FIIs: -0,5% ; DY do mês ficou em 0,4%
Houve uma leve queda e os dividendos foram impactados pela crise. Maior alta: MXRF11 (7,6%); maior baixa: RBFF11 (-9,5%).

EUR: 3,5%
Segue em recuperação.

USD: 3,5% 
Idem.

Stock plan: 5,9%
Mesma coisa.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de controle.


Outros ativos


Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,22%
Não imaginava a SELIC bater 3% tão cedo. Já estou pensando em voltar pra poupança. Pra aplicacão de menos de um ano ela ganha do Tesouro SELIC. A taxa de 0,25% da B3 está muito pesada agora.
Tá ótimo.

Resultado do mês



Rendimento global da carteira: 1,7% - excelente; no ano ainda acumulo -2,6%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação*: 2,16%
Taxa de retirada: 0,32% - bem acima da meta mas já era previsto. Troquei de apartamento e tive despesas extras por causa da mudança.

Indicadores do mês:

CDI: 0,24%; no ano 1,54%
IPCA*: -0,45%; no ano seriam -0,23%
Poupança: 0,22%; no ano 1,20%

*Inflação prevista

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Com esse resultado meu patrimônio, corrigido pela inflação, voltou pro mesmo patamar de quando joguei a toalha. Primeiro subiu, daí no começo do ano despencou, agora recuperou um pouco e estou no zero a zero.

Próximos passos


Renda fixa não dá, está morta. Na renda variável, vejo a bolsa frágil e os FIIs raquíticos. Pra mim não compensa o risco. O negócio é mandar grana pra fora, nem que seja pra ficar parada na conta. Mesmo que não invista, uma hora vou usar no dia a dia.

Andei estudando aposentadoria pelo INSS e quero fazer um post sobre isso em breve.

E vamo que vamo.

sábado, 16 de maio de 2020

Síndrome de Solomon: o medo de se destacar do rebanho

Hoje um post no estilo do inimitável colega SoulSurfer, do blog Pensamentos Financeiros. :-)
Nossa sociedade tende a demonizar o sucesso, a condenar quem se dá bem e é talentoso. Obviamente, as pessoas não dizem isso. Esse ato baseado na inveja do sucesso dos outros tem consequências claras: somos menos livres do que pensamos, porque somos altamente condicionados pelo meio ambiente. O medo de ser o elemento discordante em um grupo lança as bases para uma patologia conhecida como Síndrome de Solomon.
É um distúrbio caracterizado por o sujeito manifestar reações como tomada de decisão ou comportamento, evitando se destacar no ambiente social que o cerca. É comum que essas pessoas se impeçam de seguir o caminho desejado, tentando não deixar o caminho comum em que a maioria da população está. A síndrome de Solomon, portanto, mostra baixa auto-estima e falta de autoconfiança. As pessoas afetadas acreditam que seu valor depende de quanto são valorizados pelas pessoas no seu ambiente
Assim, um dos medos do ser humano é se destacar e se diferenciar. Os julgamentos de valor (às vezes, sem nenhuma referência ou conhecimento) e as críticas que recebem de outras pessoas motivadas pela inveja se tornam um vírus que paralisa seu progresso.
É importante notar que há uma parte importante da sociedade com medo de chamar muita atenção, por medo de que outros possam se sentir ofendidos por suas realizações, virtudes e sucessos. 
Para demonstrar a influência que um grupo pode ter sobre um determinado indivíduo, em 1951 o psicólogo americano Solomon Asch foi a um instituto para realizar um teste de visão. Pelo menos foi o que ele disse aos 123 jovens voluntários que participaram (sem saber) de um experimento sobre comportamento humano em um ambiente social. O experimento foi muito simples. Em uma sala na escola, ele se juntou a um grupo de sete alunos, conhecidos seus. Enquanto isso, um oitavo aluno entrou na sala acreditando que o restante participava do mesmo teste de visão que ele.
Posando como oftalmologista, Asch mostrou três linhas verticais de comprimentos diferentes, desenhadas ao lado de uma quarta linha. Da esquerda para  direita, o primeiro e o quarto mediam exatamente o mesmo. Então Asch pediu que eles dissessem em voz alta qual das três linhas verticais era a mesma que a outra traçada ao lado. Ele o organizou de tal maneira que o aluno que era a "cobaia" do experimento sempre respondia por último, depois de ouvir a opinião dos outros.
A resposta era tão óbvia e simples que quase não havia espaço para erros. No entanto, os sete companheiros de Asch davam a mesma resposta errada, um por um. Para disfarçar um pouco, eles concordaram que um ou dois dariam outra resposta, também errada. Este exercício foi repetido 18 vezes para cada um dos 123 voluntários que participaram. Todos eles foram feitos para comparar as mesmas quatro linhas verticais, colocadas em ordem diferente.
O resultado foi que apenas 25% dos participantes mantiveram seus critérios toda vez que foram solicitados; o resto foi influenciado e arrastado pelo menos uma vez pela visão dos outros. Depois de concluir o experimento, os voluntários reconheceram que "eles distinguiam perfeitamente qual linha estava correta, mas que não a haviam pronunciado em voz alta por medo de estarem, errados, de serem ridicularizados ou de serem o elemento discordante do grupo".
Este estudo continua a fascinar pesquisadores do comportamento humano. A conclusão é unânime: estamos muito mais condicionados do que pensamos. Para muitos, a pressão da sociedade continua sendo um obstáculo intransponível.
No entanto, inconscientemente, muitos de nós têm medo de chamar muita atenção - e até de ter sucesso - por medo de que nossas realizações perturbem os outros. Essa é a razão pela qual, em geral, sentimos pânico ao falar em público, pois, por alguns momentos, nos tornamos o centro das atenções. E assim, estamos expostos ao que as pessoas podem pensar de nós e, portanto, vulneráveis.
Particularmente lembro muito bem que quando tinha uns 8 anos na escola eu ia muito bem mas aquilo chamava demais a atenção da molecada. Eu sabia a matéria mas num certo momento parei de responder as perguntas que a professora fazia a todos durante a aula. Preferia não participar, ser só mais um calado na sala.

Décadas depois numa fase de muito stress no trabalho percebi que quem segurava o rojão recebia mais e mais buchas, enquanto que quem fazia o arroz com feijão não era tão exigido. Mais uma vez vi que se destacar não era bom, era melhor fazer só o básico, só o essencial.
Hoje em dia grande parte do meu círculo social não sabe que estou num sabático, vivendo do vento. Porque não falo abertamente ?... Síndrome de Solomon, quem sabe. É ridículo que eu me importe com o que iriam pensar. A imensa maioria, que está firme na corrida dos ratos, sequer entenderia. Mas mesmo assim opinaria, é claro.
Por outro lado, a Síndrome de Solomon pode explicar porque a imensa maioria dos que teriam condições de alcançar a IF continua na corrida dos ratos. De repente a pessoa percebe que há saída, mas como não conhece ninguém que toma esse caminho, prefere continuar onde está para não se diferenciar e ser questionada ou hostilizada.
Você conhecia esse distúrbio ? Se identifica ou conhece alguém que seja "maria-vai-com-as-outras" ?

sábado, 2 de maio de 2020

Balanço - Abril/2020



Mais uma vez está provado que o Brasil não é pra amadores ! 

Tínhamos uma crise sanitária, a qual ia claramente desembocar numa crise econômica porém de repente temos uma crise política em cima de tudo... De uma hora pra outra 70% da população quer impeachment. Já ouço os gritos de diretas já. A NASA tem que vir estudar o Brasil ! 

Até o "Moro Day" foi pra mim um mês bem chato. Essa quarentena tá osso.

Conforme eu já previa, acabei dando um desconto no aluguel. Meu inquilino teve que fechar seu negócio por causa da crise e ficou sem renda. Está bem na cara que ele não tem uma reserva de emergência. Quem tem, como eu, paga o pato.

Mas a pergunta do milhão é: consegui me recuperar da cacetada de março ?

Desempenho da carteira

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 1,24%
Não recuperou tudo mas já é um bom começo

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,30%
Tá de bom tamanho

Fundos: 0,93%
Tá ótimo

FGTS: 0,25% 
O de sempre

Ações: 5,8%
No acumulado do ano estou só com -29%... Pra mim está havendo uma espécie de "vôo da galinha". Estabilizou na casa dos 80k mas pra mim ainda tá estranho. Só aporto se chegar perto de 70k. "Ah mas vai pra 90k" - sim, pra depois em um mês voltar pra 80... melhor ficar de molho na RF um pouco. Depois de perder 3 anos em um mês a gente fica mais cauteloso.

FIIs: 5,25% ; DY do mês ficou em 0,7%
Foi um bom resultado. Não vejo muita margem pra FII agora, já está bem precificado pra esses tempos difíceis.

EUR: 12,4%
ETFs se recuperando um pouco ao mesmo tempo que o real se desvaloriza dá nisso.

USD: 15,4% 
Mesma coisa. Além disso, IVVB11 é meu primeiro ativo a voltar a seu topo histórico.

Stock plan: 9,8%
Subindo legal depois de um tombo magistral.


Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de controle.


Outros ativos



Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,09%
Essa crise tá tão zuada que até meu fundinho DI basicão de baixo risco caiu.


Previdência Privada: 1,7%
Tirou o pé da lama um pouco mas continua negativo no acumulado anual. 


Resultado do mês



Rendimento global da carteira: 2,8% - o maior que já tive num único mês; no ano acumulo -4,2%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 3,1%
Taxa de retirada: 0,11% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,28%; no ano 1,3%
IPCA: -0,31%; no ano seriam 0,22%
Poupança: 0,22%; no ano 0,98%

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Próximos passos


No geral a carteira está próxima da alocação que eu quero.

A direção continua a mesma. Tenho uma bela reserva em CDB com liquidez diária e Tesouro SELIC, que será metodica e pacientemente convertida em ações, FIIs e EUR até o fim do ano.

Numa outra frente vou comprar um pouco de Tesouro IPCA sempre que a taxa se aproximar de 5%.

É a boca do jacaré aberta esperando um peixe pular lá dentro.


Obrigado pela visita ! Espero que estejam se virando bem nesses dias de crise econômica, sanitária e política.