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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Balanço - Novembro/2019


Vamos lá, mais um mês passando rápido, 2020 já batendo na porta.

Headhunters continuam me contactando mas nunca bate meu perfil com o que eles querem. Esse pessoal também parece que não lê o currículo. Comecei a me inscrever nesses sites de freelancer como o Upwork pra ver se pinta alguma coisinha. Preencher os cadastros trazem à tona velhas lembranças de projetos e clientes, tanto boas como más: os mal-entendidos, os requerimentos pouco razoáveis, a dedicação de colegas e a luta para sobreviver a ambientes tóxicos.

Meu sonho é encontrar algo onde eu trabalhe pouco, mesmo que ganhe pouco. Bem coisa de vagabundo mesmo. Acho inclusive se tivessem me deixado trabalhar meio período estaria ainda sentado num escritório ao invés de ter que sair daqui a pouco na chuva pra buscar minha filha na escola.

Outro dia topei com este vídeo polêmico. O cara simplesmente detona a carteira do lendário Barsi. Será que ele só gosta de empresa quebrada ? Particularmente acho que quando ele comprou algumas dessas aí pagou tão barato e já teve tanto lucro que agora tanto faz.



Rentabilidade do quinto mês sem contra-cheque:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -2,23%
Tudo que sobe, tem que descer...
Alguns analistas alertaram para uma "janela de oportunidade" no Tesouro Direto. Tudo que vi foi a taxa do IPCA 2045 pular de 3,1% para 3,30%. É isso que eles chamam de oportunidade ? Eu voltaria com força se tivesse pulado pra mais de 4%.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,41%
Tá de bom tamanho. Esse mês venceu um CDB e reapliquei tudo. Reparei que as taxas estão maiores em percentual. Peguei já a 130% e 140% sem grande esforço. Também peguei LCA a 115% e CDB a IPCA+5,05%. 

Fundos: -0,52%
Não se pode ganhar todas... Saí do Sparta Debêntures pra simplificar a carteira e joguei o resgate tudo em renda fixa (vide acima).

FGTS: 0,25% 
Sem comentários... 

Ações: -0,39% 
Não vai pra frente essa merda. Até FGTS já rendeu mais que as minhas ações esse ano.

FIIs: 2,34%; DY do mês ficou em 1,13%
Excelente mês. Teve o aluguel anual do RBRD11 turbinando os dividendos. E o mercado está bombando. Todo mês tem subscrição (fiz do HTMX11 e MXRF11) e tem algum fundo micando. Agora foi o GGRC11 - sócios da gestora foram presos. No caso acho que os fundamentos continuam firmes e então aproveitei o pânico pra aumentar posição.

EUR: 6,05% - alta do euro 

USD: 7,54% - alta do dólar

Stock plan: 8,4% - alta do euro e da ação 


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 30%
Multimercado - 26%

Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,3% - medíocre

Previdência Privada: -0,02% - praticamente não saiu do lugar

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 0,46% - entre mortos e feridos, salvaram-se todos. No ano acumulo 11,9%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: -0,05%
Taxa de retirada: 0,05% - na verdade se contar aluguel, esse mês sobrou dinheiro (veja abaixo)

Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,2% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,27%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do mês anterior, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

A partir deste mês houve uma pequena mudança no cálculo da taxa de retirada. Pra ficar consistente com o cálculo da rentabilidade, que é feito a partir dos ativos listados acima, não incluo mais o aluguel do meu imóvel como dividendo nos cálculos. Faz de conta que é um salário que eu recebo. Com a combinação de despesas mais baixas e dividendos mais altos (viva RBRD11 !) na prática não houve nenhuma retirada esse mês, sobrando alguns trocadinhos.

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,34%; no ano acumula 5,53%
IPCA: 0,51%; no ano são 3,12%
Poupança: 0,29%; no ano 3,96%

Próximos passos


Fiz uma projeção preliminar pro ano que vem da seguinte da seguinte forma:

- a parte de renda variável da carteira andando de lado
- o resto rendendo a média de 2019
- DY no mesmo patamar
- inflação por volta de 3,60%
- dólar a 4,10; euro a 4,50

No resultado final a carteira renderia 5%. Descontando as despesas e a inflação estimadas, seria o suficiente pra manter o patrimônio no patamar de hoje. Ou seja, aparentemente a vida de vagabundo continua firme em 2020.

Andei pensando e decidi que em 2020 não vou vender nenhum FII ou ação. Os micos que não forem vendidos continuarão lá. O que eu queria trocar por ETF e não conseguir vai continuar lá. Vai ser o desafio buy and hold. Novos aportes provindos de renda fixa estarão permitidos. E vamos ver no que dá.

Feliz dezembro !

domingo, 17 de novembro de 2019

Meus últimos dias de trabalho

D menos 128 - a sorte foi lançada


Comunico a meu chefe meu desejo de tirar um sabático de pelo menos 6 meses, idealmente um ano. Em princípio se fosse aceito eu embarcaria numa boa nessa, faria um teste da aposentadoria precoce. Meio sem entender (imagino a surpresa) ele me prometeu que ia verificar o que poderia ser feito. Não falei nada sobre IF, só falei de sabático mesmo, que precisava dar um tempo pra voltar revigorado. A sorte estava lançada. 

Eu me senti leve e corajoso, parecia que tinha tirado um peso dos meus ombros.

D menos 122


Último dia nesse cliente onde o pessoal até era gente boa mas eu odiava ir lá porque a logística era péssima pra mim. Tinha que pegar a marginal Pinheiros todo dia, enfrentando um baita trânsito, ainda por cima com um viaduto sendo reformado. Esse sacrifício todo pra fazer um trabalho que poderia muito bem ser feito de forma remota. Porém tinha um manda-chuva lá que queria ver a nossa cara, pra ter certeza que a gente estava trabalhando. O lugar daria um belo estudo de sociologia. Vários ali já eram aposentados oficialmente mas continuavam trabalhando não sei porque. Dívidas ? Sustentar filhos adultos ? Netos ? Sei lá.

No fim do dia passei o status dos problemas pra analista responsável, que me agradeceu com gentileza o empenho naqueles dias. Era por volta de 18h. Fiquei respondendo mais alguns emails e ao sair só restavam alguns gatos pingados no escritório. Lentamente desci a ladeira olhando no celular a situação da minha carteira, pensando que enfim era a última vez que faria aquele trajeto. Peguei meu carro e fui embora ouvindo podcasts pelas próximas 2 horas no trânsito.

D menos 118 


Eu e meu chefe tivemos uma longa e aprofundada conversa onde eu já apresentei concretamente meu plano de morar no exterior por um tempo. Deixei claro que sairia da empresa caso não fosse possível me conceder esse sabático. Deu pra perceber o bicho atordoado do outro lado da linha.

Expliquei que a culpa do meu stress não era totalmente da empresa, mas uns 80% sim. Quase 30 anos de trabalho, nunca havia ficado desempregado, tendo sobrevivido a todas as crises e planos econômicos que se abateram sobre o país desde os anos 90. Plano Collor - eu estava lá. Plano Itamar. Plano Real. Crise da Rússia, do México, Bolha Pontocom, Subprime... passei por todos. Enfim, expliquei que tinha que dar um tempo antes que começasse burn-out, depressão e afins.

D menos 30


Por motivos diversos eu não poderia manter meu emprego durante o sabático. Era necessário pedir demissão. Ao receber essa informação fiquei meio bolado. Planejei tudo mas na hora H sempre bate aquele frio na barriga. Ao final de uma reunião peguei uma folha de papel e fui pro café escrever minha carta de demissão. Dali a pouco aparece a gerente do projeto ao telefone, eu disfarço e volto pra sala. Daí 5 minutos vou a outro café, escrevo a mão a carta de demissão, tiro uma foto com o celular e mando pro RH. 

À noite quase não consigo dormir. Não acredito no que estou fazendo e digo a mim mesmo que é o plano a ser seguido, sem questionar. A hora de questionar já havia passado.

D menos 13 - adeus, Marginal


Mais uma vez a logística era péssima - enfrentar a maldita marginal Pinheiros, uma das vias mais congestionadas da cidade. Foram mais 2 horas de trânsito numa sexta-feira à tarde, ao som de vários podcasts. Porém esta seria a última vez. Nos dias seguintes fiz uma combinação de trabalho remoto e Uber, que é bem menos estressante porque eu aproveitava a viagem pra ler.

D menos 6


Fui fazer meu exame demissional. Foi rápido e bem superficial. Não sei se num exame desses pegam as doenças modernas - depressão, síndrome do pânico, burn-out, etc.

Mais um prego no caixão. O papel que a médica me deu parecia pesar uma tonelada.

D menos 2


Último dia fisicamente neste projeto. Tudo atrasado. Nunca sequer ouvi falar de um projeto que tenha saído no prazo. Prazos impossíveis é o padrão, não tem jeito, tanto que nos meus últimos projetos eu nem dava bola pra datas, nem sabia dizer qual era o prazo porque eu já sabia que ia atrasar.

Muita coisa pra fazer, incluindo passar as buchas pro meu sucessor. Todos me cobram como eu se fosse estar ali pra sempre. Eu assisto à tudo incrédulo. A ficha deles não havia caído. Faço o já tradicional rodízio entre reuniões pouco produtivas, café ruim e home-broker.

Às 18h me despeço de todos e desejo-lhes boa sorte no decorrer dos trabalhos. Ao cair da noite embarco no Uber pra nunca mais voltar ali.

O dia D


Chego às 9 da manhã, pego um café e começo o ritual que eu mentalmente chamo de "armar acampamento": retirar laptop da mochila, fonte, mouse velho com uma parte colada com fita crepe pra não cair, e o fone de ouvido pra fazer as últimas conferências. Montar tudo pela última vez. Por longos anos quis muito ter uma mesa, com uma foto da família e frases motivacionais. Um lugar fixo pra enfrentar as agruras do trabalho. Não deu.

Dia de resolver as últimas burocracias, devolver as coisas e almoçar pela última vez com os colegas. Até alguns dias antes nem sabia direito se ia fazer uma despedida, depois pensei direito e resolvi escrever pelo menos um email. Se não seria muita falta de consideração. Como não fiquei fazendo propaganda, tinha muita gente que nem sabia que eu estava saindo. Acabei indo almoçar com uma galera e foi bem legal.

Na volta respondi alguns emails e juntei minhas tralhas pra devolver. Passei no RH e entreguei minha carta de demissão escrita um mês antes, junto com o exame demissional. Entreguei meu crachá e fui acompanhado por um funcionário até a saída do prédio. 

Assim terminava minha história como empregado bem remunerado de uma grande multinacional.

Virei vagabundo !

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Balanço - Outubro/2019


Mês passou devagar. Continuo minha rotina de exercícios, música, estudos, cuidar da minha filha, da casa e das finanças da família. Tudo muito organizado e bem pensado. Às vezes termina o dia e eu fico pensando como vou fazer se algum dia eu quiser ter um emprego de novo. Onde vou arrumar tempo pra isso ?... Não sei do que abriria mão. Talvez arrumasse uma empregada, sei lá.

Este mês consegui avançar consistentemente no campo da leitura. Terminei de ler "Foi apenas um sonho" (Revolutionary Road, título original) e em paralelo comecei um outro sobre a Segunda Guerra Mundial. Não tenho o nome exato agora, acabei devolvendo pra biblioteca pra me concentrar em terminar o livro anterior.

Rentabilidade do quarto mês sem contra-cheque:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 3,88% - bombou !!

Renda Fixa (CDB, LCx):  0,44% - mais que isso não vai

Fundos:  1,35% - excelente

FGTS: 0,25% - sem comentários... 

Ações: -0,95% - vendi GRND3, subiu; comprei HGTX3, caiu... :-/

FIIs:  1,68% - excelente; DY do mês ficou em 0,59%  

EUR:  -1,44% - leve queda do euro

USD:  -1,32% - leve queda do dólar

Stock plan: 18,2% - alta expressiva da ação


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 30%
Multimercado - 26%

Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,37% - tá bom, mais que isso não vai

Previdência Privada:  0,95% - ótimo

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 1,42% - excelente ! No ano acumulo já 11,4%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 1,34%
Taxa de retirada:  0,04% - quase nada

Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,1% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,26%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do mês anterior, já descontando dividendos e aluguel recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI:  0,48%; no ano acumula 5,35%
IPCA: 0,10%; no ano seriam 2,60%
Poupança: 0,32%; no ano 3,96%

Próximos passos



Os juros não param de cair e no entanto minhas ações continuam patinando. Quando é que eu vou poder mamar nessa teta um pouco ? A ordem é continuar migrando pra ETF.

HTMX11 enfim abriu subscrição e vou aproveitar pra aumentar posição. Fiz o mesmo com o BCRI11. Aliás, todo mês tá rolando subscrição. A festa dos FIIs parece que não tem hora pra acabar !

Em novembro vence mais um CDB e com a morte da renda fixa não sei onde vou enfiar essa grana. Ou seja, vai pro colchão de segurança e ficará lá à espera de alguma oportunidade. Alguma declaração do Bozo, do Trump, do Paulo Guedes... do novo presidente da Argentina, sei lá ! Às vezes acho que eles fazem isso de propósito pra ganhar dinheiro no mercado financeiro.

Vamo que vamo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Mais sobre meu auto-exílio


O leitor AdvFire, que foi até entrevistado no podcast do Sr.IF365, me mandou várias perguntas sobre como vim parar aqui e como vou me virar com dinheiro nesses anos. Ele está nos últimos anos da fase de acumulação, já pensando concretamente em chutar o balde e também passar uma temporada (ou várias, não sei) no velho mundo.

Agradeço ao AdvFire pela visita ao blog e pelo interesse ! Entendo perfeitamente a solidão de quem está nessa caminhada, em meio a um mundo afogado em dívidas e consumismo fútil. Só mesmo na internet pra achar alguém com quem conversar sobre o assunto. Além dos blogs é possível falar de IF neste fórum do Reddit.

Resolvi fazer esse post pra responder, pois ao mesmo tempo acho que pode ser útil a outros leitores que almejam a mesma coisa: morar fora do país mesmo que seja por algum tempo, logo após conquistar a independência financeira, ou até durante um período sabático (semi-FIRE).

Então o que eu levei em conta pra partir pra esse auto-exílio ?


Pra escolher qual cidade viria não levei em consideração a qualidade de serviços públicos pois basicamente isso é padrão em toda Europa ocidental, variando do razoável ao bom. Levei mesmo em conta foi o custo de vida. Tinha que ter um custo de vida mais baixo e uma oferta razoável de atrações, ao lado de uma cultura que eu já conhecesse de viagens anteriores. Malha de transportes razoável pra visitar cidades ao redor também, mesmo que não tivesse aeroporto internacional.


O segundo fator que levei em conta foi a possibilidade de tirar cidadania. Isso nem é pra mim, e sim pra minha filha. Se não fosse por ela eu nem tinha me mudado, teria ficado no Brasil mesmo. Se um dia o Brasil virar Venezuela, ela terá um plano de fuga. Eu já estou velho, pra mim passaporte europeu só vai servir quem sabe um dia pra ir pra Miami comprar muamba sem precisar de visto.

Assim como o Sr. IF365, Corey e o Viver de Dividendos, não fiz Declaração de saída definitiva. Minha saída nem é definitiva, cacete !! Não vou esquentar cabeça com isso por causa de alguns anos. Recomendo este vídeo do Viver de Dividendos e este post do blog do Corey sobre o assunto. É polêmica a questão, não recomendo fazer como fiz e sim estudar e ver o que fica melhor pra cada um.

Voltando ao ponto do custo de vida, no meu orçamento pós-IF estão previstos gastos com viagens a lazer, tanto domésticas quanto internacionais. Penso em ir ao Brasil uma vez por ano ver a família e, conforme o calendário escolar permitir, dar um pulinho em outras cidades/países. Recomendo estes 2 posts para mais detalhe - alguma coisa já mudei mas o fundamental está ali ainda:

Orçamento pós-IF
Meus investimentos no exterior

A parte cash da carteira detalhada acima está sendo parcialmente consumida agora mas a partir do ano que vem será reposta com remessas, provavelmente bimestrais. Não recomendo levar muito dinheiro de uma vez, melhor ir aos poucos, investindo e fazendo preço médio.

Aluguei uma casa já mobiliada, o que é uma mão na roda pra quem tá chegando. Pra quem quiser ver preços de móveis, é só procurar no site do Ikea – loja super conhecida, presente em vários países. Tirando os custos iniciais de mudança, calculo viver com cerca de 1900 euros por mês, sem muito luxo. Se quiser morar no melhor bairro, numa casa bacana, ter um bom carro, jantar fora todo fim de semana, ficar em bons hotéis quando viaja, calcule logo 3 ou 4 mil. Aí você vive bem em Portugal, Espanha, leste europeu e algumas regiões da Itália e França eu acho. Da Suiça pra cima o bicho pega, o custo de vida é bem mais alto. Site recomendado para comparar o custo de vida em várias cidades do mundo: Numbeo.

Se a coisa apertar minha ideia é diminuir o padrão de vida. Nada de voltar ao Brasil antes de conseguir cidadania ! Cortar viagens, restaurante, morar numa cidade mais barata, numa casa mais barata, tudo é válido. Meu plano tem flexibilidade e várias linhas de defesa. Mais detalhes sobre os planos A, B e C no post abaixo:

Minha estratégia para viver de renda passiva

Acho que é por aí. Na verdade, não importa onde você mora – São Paulo, Tóquio ou Paris. No fim vira tudo uma taxa de retirada em cima de uma carteira e as estratégias para fazê-la render mais – isso sim me interessa.

Qualquer dúvida, deixe seu comentário que eu vou respondendo.

Fui !

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Balanço - Setembro/2019



Mais um mês sobrevivendo de renda “passiva”. Entre aspas pois se você parar pra pensar, nada mais é que uma renda ativa recebida lá atrás que virou alguns investimentos que agora rende dividendos ou juros. Pra receber tal renda obviamente tive que vender minha força de trabalho e neurônios para uma grande corporação. Veja aqui o interessante post do colega Uó sobre a questão.

Estou com uma rotina mais definida. Levar ou buscar minha filha na escola, fazer caminhadas, acompanhar meus investimentos, estudo de idiomas e um pouco de música. Está faltando uma brecha pra encaixar as leituras com consistência no entanto. Estou há uns 6 meses lendo aos poucos o livro “Foi apenas um sonho” (Revolutionary Road, título original). É uma história sobre um casal entediado com a mediocridade de sua vidinha suburbana nos EUA e a corrida dos ratos. Estou na parte onde o cidadão conta pras pessoas que vai sair do seu respeitável e estável emprego pra buscar seus sonhos, vivendo de vento em Paris. Imediatamente todos começam a julgá-lo como louco ou irresponsável, perplexos sem entender o porquê dessa decisão. Hmm... acho que já vi esse filme



Outro headhunter entrou em contato comigo, mandei meu currículo mas no fim não deu em nada. Continuo vagabundando. Mais ou menos... sempre tem alguma coisa pra resolver. Peguei um dia e dei uma bela revisada na minha planilha de investimentos. Uso a planilha do AdP modificada: incluí controle de despesas e agora cálculo de renda passiva estimada, mês a mês. Ficou bala ! Bom, pelo menos até que eu invente mais alguma coisa pra enfiar nela (já está um monstro).

Está rolando uma pesquisa sobre o movimento FIRE brasileiro, realizada pelo blog Aposente aos 40. Já respondi, e você ? Vamos lá !

Agora chega de lero-lero e vamos aos números:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 2,66% - bombou !

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,45% - medíocre

Fundos: 0,3% - ridículo

FGTS: 0,25% - sem comentários... mal vejo a hora de poder sacar essa grana

Ações: 1,45% - subiu tudo, menos SAPR3 que caiu mais de 10%

FIIs: 1,55% - excelente, subiram quase todos da carteira. RBED11 lançou subscrição mas preferi não entrar. Com a queda da cotação comprei mais cotas a preço de mercado mesmo. Somando os proventos acaba dando na mesma que subscrever e esperar os dividendos da cotas subscritas.

EUR: 2,81% - excelente

USD: 1,87% - maravilha, obrigado Mr. Trump !

Stock plan: -0,8% - leve queda nas ações


Alocação atual:

Renda fixa - 43%
Renda variável - 30%
Multimercado - 27%

Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,37% - tá bom, mais que isso não vai

Previdência Privada: 1,1 % - surfei na alta da bolsa

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 1,13% - sensacional ! No ano acumulo 9,69%
Taxa de retirada: 0,08% - dentro da meta.

Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,1% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,26%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do mês anterior, já descontando dividendos e aluguel recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo.

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,47%; no ano acumula 4,82%
IPCA: -0,04%; no ano são 2,56%
Poupança: 0,34%; no ano 3,66%

Próximos passos


HTMX11 parece que vai abrir subscrição também e provavelmente vou aproveitar, reinvestindo alguns lucros realizados durante setembro: LAME4, KLBN3 e GRND3.

Mais um CDB vence em outubro e devo reaplicar. A menos que mais alguma declaração polêmica da dupla Trump-Bolsonaro derrube a bolsa, gerando uma oportunidade de compra.

Outro ativo em vista é IVVB11. Faz um tempão que não compro nada e gostaria de aumentar posição em ativos atrelados ao dólar.

De resto é estudar e tocar minha vidinha.


Até a próxima !

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

100 dias de “vagabundagem”


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100 dias sem pisar num escritório, participar de conferências, reuniões improdutivas, fazer malabarismo com várias tarefas “urgentes”, “importantes” e conflitantes entre si, responder e-mails a toque de caixa, ter que ouvir pacientemente os desejos e caprichos de clientes e gerentes.

100 dias sem ver a cor de um contra-cheque.

Não significa 100 dias sem problemas ou sem stress. O que eu menos fiz vou vagabundar. Nesse período trabalhei como carpinteiro, chofer, babá, encanador, secretária, office boy, pedreiro, psicólogo, doméstica e sei lá mais o que.

O que mudou ?


Parti para um auto-exílio e vim parar numa pequena cidade na Europa. Não importa exatamente onde nem como pois o foco do blog não é cultura ou imigração e sim finanças pessoais e a jornada rumo à independência financeira. Pretendo ficar por aqui alguns anos e voltar pro Brasil, a menos que nesse meio-tempo o fascismo de esquerda ou direita tenha “venezuelizado” o país. O motivo da mudança foi expor minha filha a outro idioma e poder viajar com certa facilidade pelo velho continente, coisas que estando no Brasil ficariam bem mais difíceis. Tirar cidadania é a cereja do bolo – um plano de fuga caso um dia precise.

Foi uma mudança bem cansativa. No começo dos preparativos eu ainda estava trabalhando normalmente então imaginem: preparar mudança internacional de mala e cuia e ainda ter que enfrentar trânsito pra passar 9 horas por dia pressionado dentro de uma sala de reuniões. Quem acompanha o blog deve ter percebido como as postagens minguaram.

Chegando aqui tive, como previsto, grande dificuldade pra alugar apartamento. Tive que diminuir exigências e por fim consegui alugar uma casinha meio afastada da cidade que veio com alguns probleminhas, os quais só descobri depois de entrar. Arrumar eu mesmo ou procurar alguém que o fizesse tomou bastante tempo também. Lembro de ter passado um sábado quase inteiro pra trocar a fechadura duma porta que estava prestes a se fechar trancando alguém pra dentro. E por aí vai.

Levo um estilo de vida sem nenhum glamour. Moro numa rua pequena, habitada por gente humilde e aparentemente sem muita instrução. Todos são daqui, ninguém tem pinta de gringo. Não tenho carro e isso nos obriga (sob protestos da patroa) a andar de ônibus ou debaixo do sol escaldante do verão pra fazer as coisas do dia a dia.

Meu custo de vida continua o mesmo do Brasil, mesmo levando esse estilo de vida mais humilde. Lá tudo era mais confortável, sem dúvida. Porém replicar aqui aquele estilo de vida me levaria à falência. Tem sido uma experiência de auto-conhecimento. Estou vendo o quão pobre consigo ser sem dar nos nervos. Algumas coisas me irritam – a cidade muito pequena, a falta de mobilidade e de identificação com o povo do lugar. Não é exatamente o que eu sonhei para um pós-IF mas vou ter que engolir por enquanto, ficar pianinho pelo menos nesse primeiro ano.

O que não mudou ?


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IF não é a solução de todos os males, eu já sabia disso. E posso confirmar que não é mesmo. Você se livra de vários problemas e vários novos aparecem. Alguns você não via pois estava ocupado com o seu emprego. Outros já existiam mas pelo mesmo motivo você não tinha clareza de sua proporção. Já passei por algumas semanas onde eu quis mesmo enfiar a cara no trabalho pra esquecer dos problemas em casa. Agora não dá mais, não tenho mais esse esconderijo.

Por causa da escolha que fiz (mudança internacional), meu custo de vida continua o mesmo.

Reclamações da patroa continuam do mesmo jeito, porém tenho que ouvir com mais frequência por estar mais tempo em casa.

As contas continuam chegando – água, gás, aluguel, telefone, internet, cartão de crédito, etc.

As pessoas te tratam do mesmo jeito – bem ou mal.

Mas valeu a pena ?


Hell YES !

Já vi isso em alguns lugares e vou repetir aqui: prefiro um dia ruim vagabundando do que um dia bom trabalhando numa empresa. 

Eu sei que um dia ruim como vagabundo tem conserto, tem como e vai melhorar, pois agora tenho tempo pra lidar com os problemas fora do trabalho e pra desenvolver meus projetos pessoais. 

Já um dia bom no escritório é só isso – logo vem mais um projeto estressante, um cliente insuportável, um gerente sem noção, uma meta absurda pra cumprir.

Como as pessoas reagem ?


“Aposentado” é uma palavra muito forte, nem pra mim mesmo eu digo isso, quanto mais pra amigos ou pra alguém na fila do mercado. Pra mim estou num sabático por tempo indeterminado.

Pra quem perguntar digo que sou freelancer em TI, trabalho em casa pela internet. Não é mentira, tenho mesmo vontade de fazer isso. E pra quem não perguntar não falo nada e pronto.

IF é um assunto tabu, não adianta. Não dá pra comentar com ninguém, só aqui na blogosfera mesmo. É pior que o cidadão se assumir homossexual. Enfrenta-se mais preconceito, ódio e incompreensão.

E as finanças ?


Por enquanto o patrimônio tem crescido. Só não cresceu mais pois tive muitas despesas pra fazer a mudança e se estabelecer. Ainda estou bem no começo, deixa rolar mais uns meses, e ano que vem vejo se preciso rebalancear. Lembrando que estou gastando em euro tendo a maior parte da carteira em reais, mas assumo esse risco pois serão apenas alguns poucos anos. Estou preparado pra continuar nessa mesmo com mais alguma valorização do euro.

O que eu recebo de aluguel e dividendos de FIIs e ações é suficiente pra cobrir meus custos fixos. O resto tenho retirado da minha reserva em euros. A partir do ano que vem vou por em prática minha estratégia mirabolante pra viver de renda passiva

Próximos passos


Ainda tenho umas coisinhas pra resolver aqui mas enfim retomei meus exercícios e agora é partir pra mais um monte de coisas que ficaram pendentes:
  • projetos pessoais, incluindo este blog
  • vida social
  • fazer freelances de vez em quando
  • cursos de desenvolvimento web, música, carpintaria, culinária
  • explorar fontes de renda passiva ou semi-passiva via internet
  • por a leitura em dia (pensando em assinar Amazon Prime)
  • meditação
Com tanta coisa pra fazer, não sei como tinha tempo pra ter um emprego.

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domingo, 1 de setembro de 2019

Balanço - Agosto/2019


E a vida vai se normalizando. Retomei minhas atividades físicas. Coloquei cordas na guitarra. Ainda não cheguei numa rotina mas não posso reclamar. Às vezes me pego em plena segunda-feira às 11 da manhã com minha filha no parquinho ou fazendo compras no mercado. Aí lembro que são essas as coisas que a IF proporciona.

Grande novidade é que a partir deste mês meu apartamento virou mais um ativo na carteira: recebi o primeiro aluguel. Mais uma fonte de renda !

Tive uma proposta pra fazer um freelancer mas era justamente numa semana em que estava viajando. Teria sido bem legal ganhar um dinheirinho extra. Uma hora rola. Fazer uns freelances assim de vez em quando eu acho legal. Ficar meses a fio numa empresa só é que não dá mais. Se me deixassem trabalhar meio período certamente não teria saído do mundo corporativo agora, dava pra aguentar mais um pouco.


Esse mês aproveitei as quedas e comprei mais um pouco de ações e FIIs com uma grana que eu tinha num CDB 100% do CDI. Pelo que vi já deu retorno.


Falando em renda variável, um dia estava vendo algo no Youtube e me apareceu esse vídeo abaixo. Tenho que compartilhar porque me deixou perplexo. O cara em 20 minutos torra 450 mil na bolsa. E eu às vezes fico uma hora olhando pra ver onde vou investir 2 contos. Vejam, mas tem que ter estômago ! Tirem as crianças da sala !






Os números de agosto/2019:
  • Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -0,56% - marcação a mercado é isso aí
  • FGTS: 0,24% - a mesma merda de sempre
  • Ações: -1,42% - dancei, mesmo tendo vendido WEGE3 e LAME4 no topo no início do mês
  • FIIs: -0,57% - meu querido ABCP11 micou e quase tudo caiu esse mês
  • EUR: 7,27% - euro disparou
  • USD: 7,67% - dólar disparou

Alocação atual:

Renda Fixa
Renda Variável
Multi mercado
43%
30%
27%


Outros ativos:
  • Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI):  0,39% - mais que isso não vai

Concluindo:
  • Rendimento global da carteira: 0,73% - não posso reclamar; no ano acumulo 8,4%
  • Taxa de retirada: 0,08% - dentro da meta. 
Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,4% no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,28%. A taxa de retirada é calculada em cima do patrimônio do mês anterior (imóvel e investimentos), já descontando dividendos e aluguel recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo. 


Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.



Indicadores do mês:
  • CDI: 0,50%; no ano acumula 4,18%, ou seja, nesse ano até agora estou a 200% do CDI ! Loucura !
  • IPCA: 0,11%; no ano seriam 2,54%
  • Poupança: 0,34%; no ano 2,98%

Próximos passos

FIIs agora acho que só entro se for subscrição. Vi que vai ter do HGRE11 e HTMX11. ABCP11 depois de tantas alegrias entrou pro time dos micos ao lado de FAMB11B e MFII11. Pior que o shopping em si é bom, uma fábrica de dinheiro, tá sempre lotado. Renda variável não é pra qualquer um. Aproveitei a queda pra comprar mais e vou segurar mais um pouco.

Quanto à ações estou querendo dar uma olhada se tem algum fundo que valha a pena. Já comentei que não tenho competência pra selecionar as barganhas do mercado. Até gostaria de estudar pra adquirir tal competência porém tem mais um monte de coisas que eu quero estudar e fazer, então tenho que fazer uma escolha. Penso em deixar 10% da carteira num fundo e seguir com algumas blue chips em 50%, mais 40% em ETF. Bem conservador, visando o longo prazo.


Renda fixa está um mato sem cachorro. Vence um CDB em setembro e devo reaplicar por falta de opção. A verdade é que estou muito próximo da minha alocação de ativos ideal.


No próximo post farei um balanço sobre os primeiros 100 dias sem trabalhar, vagabundando pelo mundo e vivendo do vento, de renda passiva e de rendimentos. Não perca !