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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Balanço - Setembro/2018

Bem, amigos, conseguiram avançar mais um pouco esse mês? 

Minha caminhada segue. Lenta. Silenciosa. Tortuosa. Inabalável.


Este mês o movimento FIRE ganhou destaque no New York Times. Depois de uma matéria publicada no finalzinho de agosto, que inclusive foi até traduzida no Brasil, a repercussão foi tão grande que publicaram um segundo artigo onde alguns expoentes do movimento respondem às perguntas mais frequentes. O Millenial Revolution e o Early Retirement Dude publicaram artigos rebatendo as críticas ao movimento.


E vamos aos resultados:

  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,58% - bom rendimento porém menor que meses anteriores por causa do vencimento gradual daqueles títulos generosos de 2015-2016
  • FGTS: 0,24% - sem comentários
  • FIIs: -1,20% - até que o estrago foi pouco diante da já prevista implosão de MFII11 (-33%) e mais tombos de FAMB11B e BBFI11B (-13% cada)
  • USD: 0,47% - tá bom
  • EUR: -1,58% - queda do euro
  • Stock plan: 5,3% - só alegria


Alocação:

Renda Fixa Renda Variável Multi mercado
42,2% 29,8% 28,0%


Outros ativos:
  • Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,40%
Concluindo:
  • Rendimento global da carteira: 0,41% - razoável; no ano 5,9%
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 50%
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.


Indicadores do mês:
  • CDI: 0,47% - quase empatei; acumulado 4,84% no ano
  • IPCA: 0,48% - perdi...; no ano acumula 3,34%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 3,47%
Toda parte de bolsa continuou problemática. Tenho que me livrar dos micos - FAMB11B, BBFI11B, MFII11 e UGPA3.

Sem alta expressiva na parte de moeda estrangeira e com os atuais ganhos modestos da renda fixa, sobrou pros multimercados carregarem o bonde e estes por fim tiveram um bom mês. Dias melhores virão.

Faltam 241 dias.

domingo, 16 de setembro de 2018

TSR para o Brasil: segundo estudo com o método Monte Carlo

Olá, fiéis seguidores deste humilde blog !

Esta semana revisei e aprimorei esse post publicado há um ano. Sugiro ler para ter o contexto. 

Basicamente a idéia seria calcular qual seria uma taxa segura de retirada para a bolsa brasileira, haja vista que a regra de 4% foi estabelecida a partir do mercado norte-americano. Outro aspecto é que foi levando em conta rendimentos passados que certamente não se repetirão naquela determinada ordem.


Na época o mitológico blogueiro Viver de Renda sugeriu usar a média geométrica ao invés da aritmética, pra tentar reduzir o desvio padrão. Pra mim fazia sentido, porém a função GEOMEAN do Excel dava erro quando haviam números negativos. E rendimento negativo em bolsa tem aos montes.


Fuçando descobri o jeito de calcular a média geométrica. Mudei a planilha mas a volatilidade continuou igual. Aí descobri que a função NORMINV, que puxa os valores dentro da variação estatística, precisa da média aritmética, e não da geométrica. :-(

Depois desse vai e vem percebi que muitas vezes a simulação gerava rendimentos além da máxima e mínima histórica por causa do alto desvio padrão do IBovespa. Por isso a sequência de retiradas virava uma super gangorra e acabava comprometendo os resultados. Resolvi então impor limites. Se fosse gerado um rendimento maior que o teto histórico, este seria assumido e da mesma forma rendimentos abaixo da mínima histórica seriam substituídos por esta.


Esta acabou sendo a única alteração funcional no estudo. Para entender como a planilha funciona, veja o post anterior - TSR para o Brasil: meu primeiro estudo com método Monte Carlo.

Completei com os rendimentos de 2017 e rodei várias vezes com taxas de retirada de 2, 3 e 4%.

Resultados

Considerando:
  • Inflação 0% em todos cenários
  • Período SP500 -1/1/1950 em diante; IBOV 1/1/1996 em diante
Dada uma carteira de 1 milhão, simulei diversas vezes cada cenário e anotei a taxa de falha que mais apareceu. Taxa de falha seria a porcentagem de simulações onde a carteira zerou antes de terminar o período.

Indice Anos
Taxa de retirada            30            40            50
S&P 500 0,1 0,2 0,4
2% IBOV 2,5 3 3,8
IBOV USD 16 20 23
S&P 500 0,8 1,6 2,5
3% IBOV 5,5 6,5 7
IBOV USD 24 29 31
S&P 500 3,5 6,5 8
4% IBOV 10 11 12
IBOV USD 32 34 37

No cenário pelo S&P500 e TSR de 4% durante 30 anos (estilo Trinity Study) a taxa de falha ficou em 3,5%. Nos cenários usando o Ibovespa as taxas de falha foram sempre superiores a 10%, mesmo adotando um período mais estável (desprezando a época da hiperinflação). Convertendo os retornos para dólar para diminuir a volatilidade não ajudou, esta ainda foi imensa. Veja abas "Monte Carlo" e "Rendimentos".

Conclusão

O problema desse tipo de análise é que cada retorno é gerado independentemente do retorno anterior. Com isso ele não consegue simular coisas que acontecem na vida real como uma queda seguida de forte recuperação ou vários anos seguidos de bull/bear market. Existe uma técnica chamada "factoração de Cholesky" onde é possível criar uma correlação entre os rendimentos individuais, de tal forma que eles não sejam totalmente aleatórios. Parei por aí, fica pra uma próxima vez.

Pra quem tiver curiosidade, abaixo os links pra quem quiser brincar. Divirtam-se !


Monte Carlo Simulation: The Basics

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Balanço - Agosto/2018


Enfim saí do meu projeto super estressante. Queriam que eu ficasse até o fim do ano. Quando me falaram isso deixei rolar um pouco e depois pedi pra sair. O que não se faz pelo vil metal ?... Foram 6 meses de inferno e agora quero ver qual a próxima bucha.

Nossos ilustres presidenciáveis divulgaram seu patrimônio. Uma piada. Qual deles terá atingido a independência financeira ? Só rindo...

Saiu no New York Times um artigo sobre o movimento FIRE. A coisa vai ficando cada dia mais mainstream. Esse artigo em particular está bem feito, não tem tom sensacionalista como em outros artigos publicados na grande mídia. Só falha mesmo por associar o movimento aos millenials. Pode ver que dos expoentes citados no artigo só os blogueiros Millenial Revolution se encaixariam nesse grupo. Atualização: pra quem preferir, o UOL traduziu o artigo - veja AQUI.

O Tesouro Prefixado bateu 12% e não aguentei. Peguei o que estava parado na corretora e comprei alguns títulos, inclusive meus primeiros com juros semestrais. Se passar dos 12,50% compro mais. 

Enfim, eis o resultado de mais um mês de sangue, suor e lágrimas:
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 60%
  • Rendimento global da carteira: 0,97% - muito bom; no ano 5,45%
    • Previdência Privada: -0,12% - horrível
    • Tesouro direto: 0,12% - a nova poupança
    • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,73% - inabalável
    • Fundos: 0,59% - melhorando aos poucos
    • FGTS: 0,24% - normal
    • Ações: -2,34%
      • KLBN3 em destaque com alta de 13%, enquanto LAME4 despencou 14%
      • Dividendos diversos elevaram meu yield on cost para quase 3%, batendo a meta do ano. Agora é dobrar a meta ! :-)
    • FIIs: -0,53% - ABCP11 subiu 4,68%; BBFI11B derreteu quase 9%
    • USD: 10,67% - alta do dólar
    • EUR: 5,22% - alta do euro
    • Stock plan: 11,8% - alta da ação e do euro
Interessante notar que mesmo sendo somente cerca de 10% da carteira os ativos no exterior puxaram a rentabilidade geral com sua performance expressiva neste mês. Diversificar é essencial.

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Indicadores do mês (mais detalhes nesse link):
  • CDI: 0,57% - superei; acumulado 4,32% no ano
  • IPCA: -0,09% - superei; no ano acumula 2,85%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 3,08%

Próximos passos

Vou tirar um dia no próximo feriado só pra acertar minhas planilhas e planejar os próximos passos. A meta de abandonar o mundo corporativo está se aproximando e na verdade prefiro não pensar em abandonar, e sim ir pra um sabático por tempo indeterminado e depois vejo o que faço. 

Pensava em ir pra esse sabático já no final deste ano mas o Sr. Mercado não colaborou, ao mesmo tempo em que tive pesadas despesas - previstas e imprevistas. Na hora H vai ser duro. Terei mesmo coragem pra puxar o gatilho ? Vai ser fechar os olhos e mandar bala.

Faltam 270 dias.

PS: como é ruinzinho esse editor do blogspot... cada hora as letras saem de um tamanho, não importa como se formate. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Despesas (atualização Agosto/2018)

Senhoras e senhores obcecados por finanças pessoais, aqui vai atualização do post publicando há 1 ano.

Continuo usando o app GuiaBolso. No final do mês copio os totais para minha planilha.




Abaixo a média mensal de um ano pra cá, descontando algumas despesas extras que tive ultimamente, pois não fazem parte do meu padrão de consumo:
  • Viagem: 2450 - Gasto com hotéis, gasolina e restaurantes durante viagens de lazer. Em relação ao ano passado subiu bastante por causa da viagem internacional que fiz com dólar na faixa dos 4 reais.
  • Moradia: 1250 - Condomínio e suas taxas malucas, mais IPTU, seguro, água e gás. É um número bem mais preciso que o registrado anteriormente.
  • Educação: 1800 - esse ano fiz upgrade pra uma escola melhor. Não é gasto, é investimento :-)
  • Restaurante: 560 - Comer perto do trabalho varia de 25 a 90 reais. Eu procuro ir nos mais em conta, mas não recuso se o pessoal quer gastar mais. Prezo o convívio. Preço de restaurante também varia dependendo de onde estou, se estou em cliente. Esse ano consegui fazer bastante home-office, daí o custo baixou um pouco. Nesse custo entra também a pizza e restaurantes de fim de semana.
  • Transporte: 580 - Gastos com carro (seguro, gasolina, manutenção e impostos), Uber (ocasional) e transporte coletivo. 
  • Lazer: 320 - Aqui pesam mais os shows internacionais, sempre na faixa de 200 a 300 reais. Inclui cinema ocasional, passeios com a família, ensaios com minhas bandas e equipamentos musicais esporadicamente.
  • Empregada: 500 - Uma vez por semana
  • Internet + Telefone + Netflix: 220 - Esse ano cancelei a TV a cabo e fiquei só com internet e Netflix. Tá ótimo assim. Só quero ver se as produtoras fizerem como a Disney, que vai tirar seu conteúdo do Netflix e lançá-lo em seu próprio serviço de streaming (fonte). Se a moda pega...
  • Luz: 160
  • Mercado: 1180 - Comida, bebidas, produtos de limpeza, ração e areia para gatos. Pesa a compra de muitas frutas e legumes. Alguém lembra quando banana era preço de banana ?
  • Resto: 500 - Porcarias diversas, roupinhas, presentes, brinquedos, cabelereiro da mulher, cosméticos, remédios, etc
TOTAL: 9520 reais por mês para 2 adultos e uma criança. Valor puxado um pouco pra cima por causa de viagem internacional. Estou gastando demais né ? Não sei como economizar mais. Vida comfortável sim mas sem luxo, nada de carro importado nem moro em bairro chique.



Quando eu virar vagabundo espero baixar alguns custos:

  • Moradia: sem necessidade de morar em SP poderei ir para uma cidade média do interior ou até pra Portugal como o povo anda fazendo, ora pois. 
  • Educação: escolas no interior são mais baratas. Mesmo nas cidades vizinhas a diferença é grande.
  • Restaurante: sem precisar ir para uma empresa, poderei cozinhar e comer em casa
  • Lazer: já nem vou a tantos shows como ia antigamente e a tendência é continuar diminuindo. Fora poder ir no cinema nos horários mais em conta.
  • Empregada: tendo tempo de sobra, poderei eu mesmo cuidar da casa
Gastos não-essenciais são cerca de 36% desse orçamento. Basicamente são coisas que na fase pós-IF eu posso cortar em épocas de vacas magras, pra não fazer grandes retiradas do portfólio.
E você, controla seus gastos também ? Como ?

Faltam 289 dias.

sábado, 4 de agosto de 2018

Balanço - Julho/2018


Segue dura a batalha pela independência financeira.

Pela blogosfera afora o acontecimento de maior destaque sem dúvida foi a morte precoce do blogueiro Viver de Construção. Particularmente não seguia de perto a trajetória dele, só olhava de vez em quando através dos blogs que acompanho mas sabia que era um dos blogs mais tradicionais, com inúmeros fans. Realmente triste, que a família tenha força para seguir sem ele. Vá em paz, VdC !

O artigo mais interessante que li foi sobre dólar ser considerado investimento, uma confusão que eu mesmo fazia. Leia aqui.

Financeiramente consegui recuperar um pouco do prejuízo de maio e junho. Sigo castigado por gastos elevados por conta de viagem internacional. Estes vou liquidar na fatura de agosto.

Mas isso estava previsto, o que matou mesmo foi um gasto imprevisto. Processei a corretora por cobras umas taxas indevidas na compra do meu apartamento e perdi, tendo que pagar os custos do processo. Só que ninguém me avisou e de repente bloquearam uma grana na minha conta, enquanto outra parte seguiu crescendo com juros e mais juros. Esta segunda parte vou pagar esse mês.

Talvez alguém se pergunte porque o advogado não me avisou. O cara simplesmente sumiu do mapa. Agora não sei se perdi porque ele sumiu ou se ele sumiu porque viu que perdeu a causa.

Vamos ao números (tambores rufando...):
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: 12%
  • Rendimento global da carteira: 1,06% - YESSSS; no ano 4,51%
  • Previdência Privada: 1,67% - excelente, parcialmente explicado pela alta da bolsa
  • Tesouro direto: 2,46% - olhei, olhei, conferi e não consigo entender como !
  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,89% - beleza, inabalável
  • Fundos: 0,17% - medíocre, ainda sofrendo
  • FGTS: 0,24% - normal
  • Ações: 5,62% - WEGE3 em destaque com alta de 18%
  • FIIs: 0,13%
    • FAMB11B levou mais um tombo espetacular de 30%
    • Bloqueado pela CVM, MFII11 deve virar pó e se transformar no próximo mico da carteira
    • Boa notícia mesmo só os dividendos que aumentaram mais um pouquinho esse mês
  • USD: -0,52% - queda do dólar
  • EUR: -0,80% - queda do euro
  • Stock plan: -1,61% - queda da ação e do euro
Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Meu cálculo de alocação de ativos está baleado... mas continuo muito mais em renda fixa que variável com certeza. Tenho que dar uma reformada na minha planilha.

Indicadores do mês (mais detalhes nesse link):
  • CDI: 0,54% - retomei a dianteira nessa corrida; acumulado 3,73% no ano
  • IPCA: 0,30% - superei; no ano acumula 2,91%
  • Poupança: 0,37%; no ano acumula 2,90%, praticamente empatado com a inflação

Próximos passos

Há 2 anos atrás eu estava num projeto horrível e achava que não era possível entrar numa roubada maior.

Há 1 ano atrás eu estava num projeto pior ainda e achava que qualquer coisa que viesse seria melhor.

Atualmente estou num projeto que bateu todos os recordes de ruindade e tenho muito medo do que vem pela frente, seja lá o que for.

Preciso virar vagabundo.

Faltam 300 dias.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Balanço - Junho/2018

Este mês ações e FIIs continuaram caindo mas renda fixa, fundos e câmbio seguraram as pontas de forma que no geral a carteira obteve rendimento medíocre que infelizmente foi totalmente comido pela inflação. Apesar disso em números absolutos houve um pequeno aumento no patrimônio.

Mês de altas despesas, não sobrou nada pra repor as perdas com renda variável. Boa notícia só mesmo os proventos de FIIs que este mês superaram o mês anterior, mesmo que por alguns trocados.

Tempos bicudos.

Comecei a ler "The 4-hour work week". Parece o demo te incitando a fazer bobagem, murmurando no seu ouvido "Largue seu emprego...". Estou no início, o cara promete mundos e fundos com o conteúdo. Será o autor mais um daqueles que ganham dinheiro fazendo o que gostam: escrever livros falando pras pessoas largarem tudo pra fazerem o que gostam ? Cenas dos próximos capítulos...

Resultado do mês:
  • Taxa de poupança ( (receitas - despesas) / receitas) de acordo com o GuiaBolso: -19% - despesas elevadas por causa da viagem e algumas inesperadas.
  • Rendimento global da carteira: 0,45% - medíocre
  • Previdência Privada: -0,71% - lixo
  • Tesouro direto: 0,53% - bom
  • Renda Fixa (CDB, LCx): 0,86% - beleza
  • Fundos: 0,37% - medíocre
  • FGTS: 0,24% - normal
  • Ações: -3,78% - HGTX3 despencou 16%
  • FIIs: -1,46% - HGRE11 despencou 12%
  • USD: 3,91% - alta do dólar
  • EUR: 3,41% - alta do euro
  • Stock plan: 8,88% - alta da ação, euro e dividendos

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pra cá, mais multas e impostos.

Indicadores do mês (mais detalhes nesse link):

  • CDI: 0,52% - perdi no mês, empatei no ano, acumulando 3,41%
  • IPCA: 1,26% - levei uma surra
  • Poupança: 0,37%

Alocação atual:

Renda Fixa Renda Variável Multi mercado
47,1% 25,5% 27,4%

Aportes novos não devem acontecer nos próximos dias. Será outro mês com altas despesas por causa de matrícula escolar e gastos com viagem internacional cobrados no cartão. LCI vencendo vai pra Tesouro SELIC, alguns lucros realizados (ENGI3, JSRE11) voltam pras minhas ações mais desvalorizadas. E vamo que vamo.

Faltam 323 dias.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Minha estratégia para viver de renda passiva - versão 2.0

Enfim consegui dar uma bela arredondada nesse plano. Veja aqui a primeira versão.
Retomando, eu tinha dois modelos em mente:

1. Múltiplas fontes de renda passiva, depositando dinheiro na minha conta mensalmente
2. Diversos "baldes" de dinheiro, alocados por prazo e/ou percentual, de onde eu iria retirando à medida que precisasse


Enquanto a versão 1.0 se concentrava no modelo 1, esta já parte mais na direção do modelo 2. 
Este plano é baseado nos seguintes pilares:

- Mudança para alguma cidade com custo de vida menor, usando o aluguel do meu apartamento para pagar aluguel lá e ainda sobraria algum dinheiro. Meu apartamento não seria mais um passivo, estaria gerando renda.
- Para complementar o aluguel, dividendos de FIIs e ações - seria o suficiente para cobrir minhas despesas fixas
- Divisão dos ativos em duas categorias, uma delas pra longo prazo e sujeita a uma estratégia de alocação de ativos de acordo com porcentagens definidas; a outra contendo ativos com valores alvo dependendo de outros critérios - basicamente reservas de segurança
- 3 baldes de dinheiro: curto, médio e longo prazo
- Cupons do Tesouro ? Opcional


Considerando despesas mensais numa média de 9000, defini taxas de retirada acima da inflação, testei vários números e cheguei nesse resultado:


ClasseAAAtivoAlocação AlvoValorTRRenda anualMensal potencialCarteiraLiquidez
Renda FixaSimTesouro Direto30%7500004%300002500BTrimestral / Mensal
Renda FixaSimLC*, CDB (incl FGTS)15%3750004,5%168751406BTrimestral
MistoSimDebêntures5%1250004,5%5625469BBimestral
Renda VariávelSimAções5%1250002%2500208AVariável
Renda VariávelSimFIIs10%2500007%175001458AMensal
Renda VariávelSimEUR6%1500003,5%5250438BMensal
Renda VariávelSimUSD4%1000003,5%3500292CMensal
MistoSimOuro5%1250002%2500208BMensal
MistoSimFundos MM20%5000005%250002083BBimestral
MistoNãoPrev Privada
3540003%10620885CBimestral
ImóvelNãoApto
7500004%300002500AMensal
ColchãoNãoSELIC
2320002,5%5800483BMensal
Dia a diaNãoFundoDI + Poupança
58000100%580004833AMensal

Patrimônio alvo TOTAL
3.894.000
Em Dinheiro
3.144.000

TR = taxa de retirada acima da inflação. 

Para verificar os números acima de outra forma, usei o método descrito no post "Qual o número mágico ? Parte II". Inclusive, está na hora de publicar uma revisão (assunto pra outro post). Basicamente eu lancei os dados da curva de juros e inflação futuros (fonte) e obtive uma taxa de juros real que, se aplicada ao montante de despesas ali planejados, me dá um valor de patrimônio próximo ao contabilizado acima. Seria o valor necessário para garantir que o dinheiro principal nunca diminuiria acabaria, mas isso não é um pré-requisito pra mim.

Veremos a seguir o que seriam os 3 baldes e porque não me importo em dilapidar o patrimônio-alvo.

1. Dia a dia

Reserva de curto prazo. Aqui mantenho um ano de despesas, descontando a renda esperada de aluguel, FIIs e Ações. Um mês seria mantido em poupança e 11 meses em algum fundo DI com liquidez D+0. Uso a renda de aluguel, FIIs e ações para pagar as despesas fixas e vou retirando daqui o que for preciso pra cobrir o resto no dia a dia. Resgataria de preferência do fundo, deixando a poupança pra caso precisar de dinheiro fora do horário bancário.

Ao final do ano esta reserva ficaria zerada, sendo reposta no início do ano seguinte a partir dos próximos baldes.

Esta reserva faz parte da carteira A acima. Renda estimada de cada ativo:


LiquidezAtivoRenda mensal
MensalFIIs1458

Apto2500

FundoDI+Poupança4833
Mensal Total - Mensal potencial
8792
VariávelAções208
Variável Total - Mensal potencial
208


9000

2. Colchão

Reserva de médio prazo. 4 anos de despesas, descontando a renda esperada de aluguel, FIIs e Ações. Serve como primeira linha de defesa caso estas fontes falhem. Tudo alocado em Tesouro SELIC. Se tudo der certo e não precisar tirar nada daqui durante o ano fica uma rendinha extra estimada em 483 reais por mês pra crescer o bolo.

No início de cada ano resgataria preferencialmente daqui para preencher outra vez a reserva do dia a dia. O colchão será reposto caso o próximo balde tenha obtido lucro.

3. Alocação de ativos (Investimentos)

Seriam todos os ativos marcados como "Sim" na coluna "AA". É a reserva com ativos para longo prazo, menor liquidez ou maior volatilidade. Eventualmente se seus lucros forem suficientes eles podem pingar diretamente na reserva do dia a dia, caso contrário permaneceria intacta.

Alocação alvo:
Renda Fixa 45%
Renda Variável 25%
Multimercados 30%

Brincando com os números vi que 2,5 grandes milhos seriam suficiente nesse balde. Talvez um pouco menos... ponto em aberto.



Carteiras A, B e C

Esta classificação se refere à prioridade para retiradas. A carteira A vimos acima, seria a fonte de renda para subsidiar meu dia a dia. A carteira B contém os ativos que serviriam para repor a reserva do dia a dia e o colchão, de acordo com a taxa de retirada estabelecida. Pelos números acima ela teria que gerar pelo menos 58 mil por ano, valor da reserva do dia a dia. Será que consegue ?


LiquidezAtivoRenda Mensal
BimestralFundos MM2083

Debêntures469
Bimestral Total - Mensal potencial
2552
MensalEUR438

Ouro208

SELIC483
Mensal Total - Mensal potencial
1129
TrimestralLC*, CDB (incl FGTS)1406
Trimestral Total - Mensal potencial
1406
Trimestral/MensalTesouro Direto2500
Trimestral/Mensal Total - Mensal potencial
2500


7588

7.588 x 12 = 91.056, ou seja, dá é sobra ! Essa sobra é mais uma linha de defesa.

CDBs, LCIs e LCAs vou organizando aos poucos pra ter pelo menos um papel vencendo a cada trimestre. Se for preciso retiro uma parte, se não reinvisto tudo de volta. 

Tesouro Direto seriam os IPCA+ e pré-fixados normais mesmo, sendo vendidos ou comprados conforme a estratégia de alocação. Uma parte em SELIC talvez, pra amansar um pouco a volatilidade da marcação a mercado... Liquidez mensal no caso de vender os próprios títulos se precisar e trimestral caso no futuro eu opte por comprar os que distribuem cupons.

Debêntures e Ouro estou começando através de fundos, por isso coloquei como Misto e não Renda Variável. Mais pra frente, com mais tempo livre, posso mexer nisso. Debêntures é minha opção nesse momento em que o Tesouro está com juros mais baixos, do contrário eu nem incluiria na carteira.

A carteira C é composta de previdências privadas da empresa atual e anterior. Valor que eu até poderia retirar pagando multas e impostos, mas prefiro deixar lá até eu fazer 60 anos. Fica de herança se eu morrer antes. Minha idéia é deixar sempre com 10% do patrimônio, servindo assim pra pagar meu inventário.


Como disse a idéia é só mexer nessa carteira C se a coisa realmente apertar - queda do Tesouro, FIIs e ações deixando de pagar dividendos, falta de inquilino por longo tempo, etc... A carteira C seria a terceira linha de defesa.

E se tudo der errado ?

Basicamente é a mesma idéia da versão 1.0:
  • Cortar despesas é totalmente viável. Adiar aquela viagem pro exterior, troca do carro, cortar restaurante e outros pequenos luxos. 
  • Despesas reduzidas, aluguel baixando ou faltando, ações e FIIs sem pagar dividendos por vários anos: não restaria outra alternativa senão vender ativos, fazer retiradas acima da inflação e comprometer o principal dos investimentos.
  • Governo dando calote nos títulos do Tesouro: neste cenário Mad Max, eu estaria morando no interior, com espaço para plantar e criar alguns animais para me alimentar. Ainda teria uma reserva em ouro e moeda estrangeira para complementar.
Não faço questão de deixar dinheiro para herdeiros. Prefiro investir em boa educação para gerar oportunidades com as quais eles enriquecerão sozinhos e quem sabe até me ajudarão se eu precisar. Nesse processo gerarão riqueza por si mesmos, melhorando um pouco o mundo a seu redor. Por isso não me preocupa consumir o principal do investimento por algum tempo se for preciso.

Pontos em aberto, pontos fechados

Consegui preencher um pouco mais as lacunas deixadas na versão 1.0 mas mesmo assim ainda não tenho certeza em alguns pontos. Pontos fechados:
  • Apartamento: vou mantê-lo até o momento em que o mercado estiver aquecido de novo e aí vender, aplicando o dinheiro
  • Margem de segurança: contabilizada e parte integral do plano
  • Renda mensal pra que ? Como assalariado sempre fui organizado e nunca vivi de contra-cheque em contra-cheque. Essa estratégia me permite sacar mais quando preciso e deixar rendendo em meses com menos despesas.
Pontos em aberto:
  • Alocação ideal dos ativos: me incomoda tanto dinheiro em Tesouro Direto... muitos ovos numa única cesta. Aumentar alocação em FIIs ? Moeda estrangeira ? Ações ?
  • Reinvestimento dos títulos: só Deus sabe qual taxa eu pegaria no vencimento de cada título, mas aí não tem muito o que fazer fora tentar superar a inflação
  • Impostos: sem depender de cupons do TD, resgatando apenas o necessário pro dia-a-dia, resolve-se parcialmente a questão da ineficiência tributária e o bolo tem mais liberdade para crescer. Porém na versão 2.0 eu pagaria imposto 2 vezes: ao resgatar do colchão/carteira B para preencher a reserva do dia-a-dia e outra vez ao resgatar dali. Resgatar do direto do colchão nos 2 primeiros anos ? Aumentar a reserva do dia-a-dia para 3 anos ?

Conclusão

Muito complicado ? Complicado mesmo é juntar essa grana. Resiliência é a arte de se foder e continuar de pé. Não quero virar vagabundo. Eu preciso.


Fica a idéia pra quem quiser aperfeiçoar e adaptar pra sua realidade ou gosto pessoal. Este plano é um trabalho em progresso. Críticas e sugestões são bem vindas.


É claro que existe risco. Mas nessa vida nada é garantido. Você pode trabalhar até os 70 anos, juntar 10 milhões de dólares e no dia seguinte sofrer um acidente ou ataque cardíaco, sem aproveitar nenhum fruto do seu trabalho. Ou você pode trabalhar menos tempo, juntar menos dinheiro e se aposentar mais jovem, com mais energia pra aproveitar o que construiu. Porém aumenta o risco de acabar o dinheiro. É uma questão de escolha e a minha está feita.

Para diminuir o risco de acabar o dinheiro, estruturei as várias linhas de defesa explicadas acima: "colchão", carteiras B e C. Fora isso, ainda pretendo trabalhar com algo que me interesse e gerar alguma renda pelo menos nos primeiros anos de IF.


E assim começa a contagem regressiva... Faltam 353 dias.