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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

TSR para o Brasil: um estudo sobre os primeiros anos de IF


Fazia tempo que eu queria fazer esse estudo. Já havia sugerido no blog Aposente aos 40, que publicou alguns estudos parecidos, que levam em conta os 25 anos de estabilidade econômica do Brasil. Um período muito curto para um estudo no estilo do Trinity Study.

Nesses estudos americanos com mais de 100 anos de dados é tranquilo você determinar o valor final de uma carteira ao longo de 30 anos (período de aposentadoria). Isto porque a amostra é grande, existem dezenas de períodos de 30 anos para calcular (1900-1929, 1901-1930, etc). Com 25 anos não temos condições de fazer um estudo sobre TSR no Brasil. Basicamente é por isso que eu não sigo a regra dos 4%.

Mas podemos fazer um estudo com períodos menores.

Como os primeiros anos são os mais importantes para um investidor aposentado, a idéia é saber qual a taxa máxima de retirada possível para que uma carteira de ativos brasileiros não só sobreviva 10 anos, como também termine com um valor igual ou superior à inflação do período, mantendo o poder de compra inicial. Assim, o investidor tem muito mais chances de não ficar sem dinheiro nos 30-40 anos seguintes de aposentadoria.

Pois outro dia comecei brincar com uma planilha e a coisa tomou forma. Os resultados me deixaram surpreso.

Metodologia

1. O cidadão se aposenta em 31 de dezembro com uma carteira composta por um investimento em renda fixa que segue o CDI e/ou outro em renda variável que segue o IBovespa. O percentual de cada é parâmetro, informado na planilha.

2. Dia primeiro de janeiro ele faz uma retirada de acordo uma taxa pré-definida (outro parâmetro)

3. No decorrer do ano paga suas despesas com a retirada

4. No dia primeiro de janeiro ocorre uma nova retirada, agora corrigida pela inflação do ano anterior

5. Repetir passos 3 e 4 até completar 10 anos.

6. Se o saldo final preservar o poder de compra inicial de acordo com o parâmetro informado (quanto do poder de compra deve ser preservado), aquele período de 10 anos foi um sucesso

7. Refazer os cálculos para o próximos período de 10 anos

Ao final a planilha te diz a taxa de sucesso, ou seja, em quantos por cento dos períodos de 10 anos o patrimônio ficou preservado apesar das retiradas. Para simplificar, não foi levado em conta impostos nem taxas. Rebalanceamento anual - a carteira sempre manterá a proporção RF/RV inicial.

Clique AQUI para baixar a planilha e fazer suas simulações.

Primeira rodada de simulações (1995-2019)

Primeiro fiz várias simulações com os seguintes parâmetros:

  • Ano inicial 1995, o que nos dá 16 períodos de 10 anos
  • Carteira inicial de 1 milhão de reais
  • Poder de compra final deve ser 100% do inicial pelo menos
  • Taxas de retirada 2%, 3% e 4%
  • Carteiras 100% RV, 50% RV / 50% RF e 100% RF.
Eis os resultados:

TR% RFSucessoMelhor resultadoPior resultado
2%0%69%1996-2005 341%2008-2017 46%

50%81%1996-2005 365%2008-2017 89%

100%100%1995-2004 277%2010-2019 115%
3%0%63%1996-2005 321%2008-2017 35%

50%75%1996-2005 344%2008-2017 77%

100%100%1995-2004 259%2010-2019 103%
4%0%56%1996-2005 300%2008-2017 23%

50%69%1996-2005 323%2008-2017 66%

100%75%1995-2004 241%2010-2019 91%

Veja a aba "Resultados" da planilha.

Então temos: uma taxa de retirada de 3% numa carteira 100% em renda fixa preservou o poder de compra inicial em todos os casos. No pior deles, quem se aposentou em 31/12/2009 obteve de 2010 a 2019 um crescimento de 3% em relação a seu poder de compra inicial.

Quanto mais renda fixa, mais chance de sucesso. No entanto diminuir a renda fixa resultou nas décadas mais lucrativas. Infelizmente se você olhar na aba "Cálculo" o rendimento não se mantém, pois logo temos alguma(s) queda(s) levando a uma década perdida que faz a taxa de sucesso ser menor que 100%.

Os rendimentos generosos da renda fixa no passado pesaram no período 1995-2019.

Segunda rodada de simulações (2005-2019)

Esta rodada foi para tentar entender como fica num cenário com juros menores. Com os mesmos parâmetros de antes, exceto o ano inicial agora sendo 2005, resultando em 6 períodos de 10 anos:

TR% RFSucessoMelhor resultadoPior resultado
2%0%17%2009-2018 109%2008-2017 46%

50%50%2005-2014 134%2008-2017 89%

100%100%2005-2014 143%2010-2019 115%
3%0%0%2009-2018 97%2008-2017 35%

50%33%2005-2014 123%2008-2017 78%

100%100%2005-2014 131%2010-2019 103%
4%0%0%2009-2018 85%2008-2017 25%

50%17%2005-2014 113%2008-2017 66%

100%33%2005-2014 118%2010-2019 91%

Mais uma vez a configuração vencedora foi retirada de 3% com uma carteira 100% em renda fixa. Porém reparem na coluna "Melhor resultado" acima como o poder de compra final é bem menor em comparação com a primeira rodada de simulações. Reflexo de juros cada vez menores.

Isso implica num melhor desempenho da renda variável ? Infelizmente não. Ao contrário do período 1995-2019, ao aumentar o percentual de renda variável o poder de compra final diminui (coluna Melhor Resultado). Entre 2005 e 2019 o melhor período 100%RV foi 2009-2018, que com uma taxa de retirada de 2% resultou num poder de compra de 109% do inicial. O mesmo cenário entre 1995 e 2019 nos traz como vencedora a década 1996-2005, com estonteantes 341%. Quem se aposentou em dezembro de 1995 com tudo em RV e retirando 2% por ano teria ao final dos primeiros 10 anos seu poder de compra mais que triplicado ! 

The best of the best

Nessa rodada quis saber qual foi a década que suportou a maior taxa de retirada possível. Mais uma vez a diferença entre os anos 90 e os dias de hoje é gritante:


% RFPeríodo campeãoTR máxima

0%2003-201215%
1995-201950%1996-200514%

100%1995-200411%

0%2009-20182%
2005-201950%2005-20145%

100%2005-20145%

Se eu tivesse uma máquina do tempo, viajaria até 2003 com uma mala com um milhão de reais e colocaria tudo em RV, torrando 15% (150k) todo ano. Em 2012 teria que repensar essa estratégia, pois a melhor taxa pra uma carteira 100% RV entre 2005 e 2019 ocorreu no período 2009-2018: apenas 2% !

No período 2005-2019 a renda fixa proporcionou maiores taxas de retirada em comparação com a renda variável. Já no período 1995-2019 foi o contrário.

Conclusão

Tanto RV como RF tem apresentado rentabilidades cada vez menores. Estamos num limbo ! Juros reais 0% e bolsa inconsistente é a nova realidade, pelo menos até o Brasil conseguir engatar um ciclo estável de crescimento.

Mas será que passados 10 anos já estamos seguros ? Ou bastam 5 anos ? Acho que não. Simule por exemplo 50%RF, TR 3% a partir de 1995. Veja o período 2006-2015. Ao final do quinto ano está tudo beleza, mas daí sucessivas quedas na bolsa minaram o patrimônio que finalizou com 93% do seu poder de compra inicial:

AnoSaldo InicialGanhos RFGanhos RVCarteira inicial corrigidaNova retiradaPoder de compraPeríodoVariação

200697000068337159711103140030942

97,00%
2007116710565475254721107740032322

113,16%
2008145497885262-299871114096734229

135,05%
2009120614056990498498119014335704

105,71%
20101725923806878975126048037814

145,02%
2011177777197955-160977134241140272

141,04%
201216744766781661956142080842624

124,74%
2013176162468527-136526150477845143

123,99%
2014164848285062-23985160123448037

109,55%
20151661521104011-1105741772086


103,77%
FINAL1654958



93,39%2006-201593,39%

Interessante notar que o aposentado e quem está na ativa estão em pontas opostas. Para o aposentado é interessante que os maiores ganhos venham no início da aposentadoria, já para quem está na ativa é melhor que os maiores ganhos venham nos últimos anos da fase de acumulação, quando o patrimônio é maior. Para o aposentado uma queda prolongado pode arruinar seus planos, já pra quem está na ativa significa adquirir mais ativos com menos dinheiro.

E se desse pra direcionar melhor as retiradas, pra evitar sacar quando a RV está no fundo do poço ? E se uma parte ficasse em poupança pra cobrir os gastos diários, deixando a RV intocada para que no longo prazo ela cresça mais ? Daria pra fazer de várias formas mas preferi começar de um jeito bem simples. Quem quiser pode pegar a planilha e tentar melhorá-la, eu apoio !

Espero que tenha se divertido com esse post. Faça suas simulações e deixe suas sugestões e impressões nos comentários.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Balanço - Agosto/2020



Mais uma fase vencida !

Este mês me chamou a atenção a febre de investir no exterior. Meu gerente no banco me recomendou. O youtuber Daniel Nigri (Dica de Hoje), que ano passado deixou escapar que investir nos EUA era "vontade de comprar topo", começou a fazer vídeos sobre o assunto. É bolha ? Fato é que pelo menos pra mim foram os ativos que mais valorizaram esse ano e me salvaram da falência. 

Por causa de um problema com a Modal fiquei uns 20 dias sem poder operar. De saco cheio, mudei pra Clear. Tomara que seja melhor ! Posso elogiar a Modal numa coisa: a rapidez com que processaram meu pedido de transferência de custódia. Se fossem tão rápidos assim com outras coisas eu ainda estaria lá.

Voltei a contribuir pro INSS conforme estratégia comentada anteriormente aqui no blog. 20% do salário mínimo, a cada 6 meses. Ainda paguei IPTU como sempre e DARF de lucro com FIIs. Um mês cheio de impostos !

O blog Aposente aos 40 está promovendo sua pesquisa anual para conhecer a comunidade de finanças. Eu já respondi. Participe também ! Só clicar AQUI.

Desempenho da carteira


Todas rentabilidades abaixo são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -1,2%
Um desastre ! Mas é isso mesmo: tudo que sobe, tem que descer...

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,36%
Tá ótimo !

Fundos: -0,22%
Uma merda.

FGTS:  2,2%
Maravilha ! Rendimento turbinado pela distribuição de lucros. Com isso segue firme para superar minha carteira RF pelo segundo ano consecutivo. Quem diria ?

Ações: -3,9%
Segue volátil e imprevisível. Quase tudo caiu. IBOV recuou 3,4%.

FIIs: 0,8%; DY do mês ficou em 0,47%
Uma modesta recuperação, num mercado ainda bastante incerto.

EUR: 9,3%
Bombou !

USD: 10,8% 
Está explodindo ! Daqui há pouco vou ter que vender IVVB11 pra não ficar tão concentrado !

Stock plan: 9,7%
Mais uma vez alta da moeda e da ação.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,13%
Mais que isso não vai.

Caindo por causa da bolsa. Estou fazendo portabilidade de uma parte da minha previdência privada para o fundo Carteira Itaú, pra dar uma diversificada. Também fiquei sabendo que PGBL paga imposto de herança, ou seja, não serve pra planejamento sucessório. Por isso vou começar a migrar pra VGBL um pouco todo ano. Como estou na tributação progressiva, vou sacar até o limite da minha faixa de imposto, que este ano deve ficar em 7,5%. Poderia aproveitar a dedução no IR que o PGBL oferece e aportar um pouquinho mas acho que nem compensa.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 0,9% - tá ótimo ! No ano acumula 2,5%
Rendimento real nos últimos 12 meses: 3,9%
Taxa de retirada nos últimos 12 meses: 2,3% - dentro da meta

Indicadores do mês:

CDI: 0,16%; no ano 2,12%
IPCA: 0,24%; no ano acumula 0,70%
Poupança: 0,13%; no ano 1,64%

Com esse resultado eu enfim superei o frágil CDI. A parte atrelada a dólar e euro salvou o mês mais uma vez.

Como já passei de 1 ano de vagabundagem vou começar a reportar a taxa de retirada anual pois acho que é mais fácil de entender e acompanhar. Esta taxa 2,3% é a divisão de todas as despesas dos últimos 12 meses, menos renda passiva (cupons de tesouro, dividendos de FIIs e ações), pelo valor da carteira 1 ano atrás. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos).

Assim, continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo. Esta taxa de retirada estimada foi calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Não considero renda de aluguel nem meu imóvel nessas contas.

Próximos passos


Nesse momento minha impressão é que o medo da segunda onda está enterrando o mercado de trabalho de novo. Ligações e e-mails de headhunters minguaram de uns 20 dias pra cá.

Tenho estudado pra me atualizar e aumentar minhas chances de arrumar uns freelances. Esse negócio de estar fora do mundo corporativo é tão bom que estou afim de aproveitar mais. Quero voltar pro escritório pra fazer mais uma grana e sair fora de novo. Uma grana extra vai me servir pra aproveitar ainda mais essa vida de vagabundo. 

Iniciando a nona temporada de 2020...

domingo, 16 de agosto de 2020

De calças arriadas: Ações - Agosto/2020

Já fazem mais de 2 anos desde o post onde apresentei minha carteira de ações. Está mais do que na hora de fazer uma atualização. Muitas pedras rolaram !

Disclaimer: isto não é recomendação de compra ou venda. É somente o registro da experiência de um pequeno investidor.

Eis a carteira no momento em que escrevo este post:

Papel            GanhoAlocação atualTargetOrientação
BBDC4-1,73%0,61%0,60%Manter
TAEE1127,66%0,56%0,60%Manter
KLBN34,55%0,35%0,00%Zerar
HGTX3-42,56%0,21%0,00%Zerar
EGIE312,29%0,60%0,60%Manter
ITSA4-7,44%0,70%0,60%Manter
GOVE1110,74%1,26%1,20%Manter
SAPR33,98%0,60%0,60%Manter
IRBR3-17,86%0,15%0,00%Zerar
LEVE314,37%0,06%0,30%Aumentar
TGMA361,71%0,18%0,30%Aumentar
DIVO1116,77%0,19%1,20%Aumentar
Vinci-12,06%0,29%0,00%Zerar
TOTAL
5,76%6,00%

Meu objetivo é ter 6% dos meus investimentos nessa classe de ativos, com DY de 2% ao ano. Estou bem próximo. Talvez até aguente um pouco mais. De todo jeito, nessa faixa consigo dormir tranquilo. 

Não tenho intenção de vender para custear meu dia a dia, para isso quero usar os dividendos. Mas vendo caso tenhamos uma grande alta, pra rebalancear. Ou venderia se estivesse já bem velho ou realmente precisando de dinheiro. Não aportarei mais nada a partir dos 65, pois não sei se estarei vivo pra colher os lucros. Ações é pra longo prazo.

Apesar da pequena participação é a carteira que mais dá trabalho pra gerenciar (analisar, contabilizar, declarar no IRPF) e não necessariamente mais retorno (veremos abaixo). No longo prazo minha idéia é zerar algumas posições e aumentar em DIVO11 principalmente.

O que me vem a cabeça sobre cada um desses ativos:

BBDC4 e ITSA4 - os maiores bancos num país onde o setor financeiro sempre se saiu bem. Eu tinha que ter.

TAEE11 - empresa do setor elétrico, super previsível, que costuma(va) pagar bons dividendos

KLBN3 - por ser de setor perene coloquei na carteira, sem entender que se trata de uma empresa cíclica. Como não tenho tempo nem interesse em ficar acompanhando os ciclos pra comprar e vender na hora certa, melhor vender.

HGTX3 - peguei por causa dos dividendos. No fim não teve nem dividendos nem ganho de capital. Mico.

EGIE3 - empresa forte do setor elétrico, mais especificamente geração, que eu peguei pra não ficar concentrado só na Taesa, que faz transmissão

GOVE11 - vendo que não tinha competência pra stock picking, comecei a investir neste ETF que segue o índice das empresas com boa governança. Acho que é o mínimo de fundamentos que uma empresa deve ter.

SAPR3 - queria uma empresa de saneamento, por ser setor perene e estável. Sanepar é das mais sólidas nesse setor.

IRBR3 - observei por bastante tempo e comprei quando começou a despencar, logo depois do relatório da Squadra. Em tese é uma baita empresa, monopólio de resseguros no Brasil, porém isso de ficar maqueando balanço não dá. Vou zerar e esquecer que um dia tive.

LEVE3 e TGMA3 - comprei pelos bons indicadores e ranking na fórmula mágica do Joel Greenblatt, além de atender aos critérios de investimento em valor do Ben Graham.

DIVO11 - ETF das pagadoras de dividendos, com liquidez bem melhor que o GOVE11. Entrei durante o auge da crise esse ano, já vinha de olho fazia tempo.

Vinci Mosaico - fundo de gestão ativa que eu peguei uma semana antes de explodir a crise do coronavírus. Queria ter aportado mais no auge da crise mas o fundo fechou e não abriu até hoje. Pela falta de flexibilidade (vive fechado), pra mim não dá, prefiro ETF.

Abaixo comparo as rentabilidades de acordo com a planilha do AdP. Lado a lado temos esta carteira, iniciada em fevereiro de 2017, o poluído índice IBOVESPA, minha carteira de renda fixa (CDBs, LCAs e LCIs) e o CDI:


AçõesDYTotalIBOVRFCDI
201715,00%0,81%15,81%26,90%13,50%9,95%
20186,54%4,08%10,62%15,00%8,42%6,42%
201913,18%2,87%16,05%31,60%5,80%5,97%
2020-15,03%1,49%-13,54%-17,80%2,53%1,95%
TOTAL19,69%9,25%28,94%55,70%30,25%24,29%


Observações:

1. Estou levando uma surra do IBOVESPA, índice muito questionado por ser muito concentrado em poucas empresas

2. Mesmo assim, vinha ganhando da renda fixa até o tombo deste ano; no geral renda fixa rendeu um pouquinho mais pra mim

3. A migração de uma parte dos recursos para GOVE11 feita em 2019 pode estar por trás da performance de 2020, que está mais próxima do IBOVESPA se comparada aos anos anteriores. De cabeça, lembro que me desfiz de ABEV3, WEGE3, LAME4, POMO3 e UGPA3.

Enfim, é isso aí. Aos poucos vou aprendendo e melhorando.


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domingo, 2 de agosto de 2020

Balanço - Julho/2020: de volta ao topo



E lá se foi mais um mês nessa louca aventura que é 2020.

Inquilino querendo mais desconto por causa do vírus.

Viajei, comi fora, gastei dinheiro.

Fiz caminhadas, descobri lugares, ouvi podcasts.

E a carteira atingiu um patamar superior ao pré apocalipse-COVID.

Desempenho da carteira


Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 4,7%
Inacreditável !!! Maior crescimento em 3 anos de acompanhamento mensal. Saiu do negativo e agora acumula 2,8% de ganho em 2020 !
Comecei a migrar parte do Tesouro SELIC para o fundo Sul América Juro Real Curto, que investe em títulos indexados à inflação de no máximo 5 anos. São títulos que que não estão disponíveis para o investidor pessoa física. O gestor tem superado com consistência o IMAB5, que é o benchmark do fundo. Tesouro SELIC não dá, só serve como a última camada de uma reserva de emergência, pois é o investimento mais seguro do país.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,34%
Tá ótimo !

Fundos: 2,9%
Lavaram a égua e também saíram do negativo !

FGTS: 0,25%
Maravilha.

Ações: 5,5%
Uma bela subida também graças aos swing trades que fiz com IRBR3, a rainha da volatilidade. Vou entrar nessa subscrição e quando integralizar vender tudo e esquecer que um dia investi nesse papel.

FIIs: -2,9%; DY do mês ficou em 3,1%
Mês azedo para os FIIs. 
Zerei ABCP11. Um baita shopping, uma máquina de fazer dinheiro, porém não invisto mais em fundo monoativo. Continuei aumentando posição em VISC11 e HGBS11, que não estão rendendo nada agora mas acho que no futuro voltarão a bombar. Shopping é lazer no Brasil, não é só compras. Uma hora a pandemia acaba.
RBRD11 rescindiu contrato com um inquilino inadimplente e distribuiu toda multa pra galera esse mês, daí o yield turbinado.

EUR: 0,5%
Ficou estável esse mês.

USD: -0,1% 
ETFs valorizaram mas a cotação caiu, no fim ficou parado.

Stock plan: ~10%
Ação subiu esse mês e vendi mais um pouco. Redirecionei o valor todo para ETFs. Planilha AdP fica louca quando tem retirada grande. Essa rentabilidade foi calculada no papel de pão por mim.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de Controle.

Outros ativos


Colchão de segurança: 0,14%
Taxa da B3 comeu toda rentabilidade. 
Sem nenhum aporte, voltou ao nível pré-pandemia e ao positivo no acumulado do ano.

Resultado do mês


Rendimento global da carteira: 1,8% - maravilha ! No ano acumula 1,5%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 1,44%
Taxa de retirada: 0,1%

Indicadores do mês:

CDI: 0,19%; no ano 1,95%
IPCA: 0,36%; no ano acumula 0,46%
Poupança: 0,13%; no ano 1,51%

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Com esse resultado eu superei a inflação, empatei com a poupança e estou mais próximo do CDI. O mais importante é que a carteira já está maior que em janeiro desse ano. Time in the market beats timing the market.


Próximos passos


Vou dar uma revolucionada no meu colchão de segurança, movendo boa parte do Tesouro SELIC para Renda Fixa 100% ou mais do CDI com vencimento em até 6 meses ou liquidez diária. Pegando LCI ou LCA nessa onda não pago imposto de renda nem a maldita taxa da B3. Manterei metade em TD SELIC pois afinal é o investimento mais seguro do país. Aumento o risco sim, mas para um nível que ainda é confortável pra mim.

Na carteira TD, vou mover mais um pouquinho pro fundo da Sul América. No fim só vou ter TD SELIC compondo uma parte do meu colchão de segurança.

Vou entrar na subscrição da IRB e depois flipar tudo. Que se lasque. Esquecer que um dia tive esse papel.

Se o Euro baixar de 6 vou mandar uma remessa.

E assim lá vamos nós para a fase 8 de 2020 !

quinta-feira, 16 de julho de 2020

1 ano de vadiagem



Bem, amigos, vejam só que loucura. 1 ano de vagabundagem... Tem hora que nem eu acredito.

Nesse post vou fazer um resumão de como foi esse primeiro ano. Vocês verão que nem tudo são flores na IF, mas assim é a vida. Sempre vai ter problema pra resolver e sempre vai ter coisa boa pra curtir.

Saúde


Me sinto bem tanto física quanto psicologicamente. Exercício físico regular foi consistente nesse primeiro ano. Até aprendi a andar de bicicleta.

Meditação nada ainda. Não deu tempo.

Finanças


Tudo foi muito bem até janeiro desse ano. Depois todo mundo sabe.  Considerando tudo que aconteceu, parece que me saí bem:
  • Crescimento real do patrimônio: 3,2%
  • Despesas foram pagas com os seguintes recursos
    • Dividendos de FIIs: 23%
    • Dividendos de Ações: 5%
    • Cupons do Tesouro Direto: 1%
    • Aluguel: 30%
    • Rendas não-recorrentes: 31%
  • Os 10% restantes, não cobertos por esses recursos, resultaram numa taxa efetiva de retirada de 0,30% sobre todo o patrimônio (imóvel + investimentos)
De renda ativa nesse período tive uma diferença de rescisão, que veio em boa hora no meio da crise, e uns trocados de uma pequena consultoria que fiz. Só.

A alta do euro colocou um grande stress nas minhas despesas. Como não pretendo ficar por aqui pra sempre vou aguentar mais um pouco. Antes da crise meu nível de despesa era suportável em todos os meus cálculos. Agora não. Só pela questionável regra dos 4% eu poderia continuar aqui pra sempre. Some a isso o fator cambio e é óbvio que uma hora nem esse critério se sustenta mais.

Falando em despesas, a previsão é aumentar mais uns 20%, porque estou pagando mais de aluguel. Vinha tentando ver o quão pobre eu conseguia ser sem dar nos nervos. Vi que me dá nos nervos morar mal. Não gosto de cidade pequena e casa antiquada. Me mudei pro centro num apartamento melhor. Continuo sendo mais pobre que no Brasil: não tem piscina no prédio, não tem varanda com churrasqueira (nem varanda), só tem um banheiro e não tenho carro. Ainda foco em evitar gastos não-essenciais. Os primeiros anos são chave na IF, por isso vou levando com mão de ferro (ou de vaca).

Pessoal


Nesse primeiro ano fiz incontáveis idas ao parquinho com a minha filha, jogamos bola, ensinei-a a andar de bicicleta e vi seu primeiro dente de leite cair numa tarde enquanto tomávamos um sorvete em casa em pleno isolamento anti-COVID.

Ficar mais tempo em casa foi bom mas amplificou atritos que já existiam e gerou um desgaste no meu casamento. O fato é que temos uma vida muito boa e devemos ser gratos. Cada um tem que ver isso por si, não posso enfiar isso na cabeça de ninguém. Não sei porque é difícil entender isso. É o que sempre digo: onde não há problemas as pessoas os inventam. 

Um colega uma vez comentou numa festinha que pra ele era vital viajar a trabalho com frequencia, para manter uma certa distância da mulher e evitar brigas. Outro cara que trabalhou comigo dizia que só pegava projetos fora da sua cidade por causa da mulher. Por vários anos achei isso um absurdo e odiava viajar a trabalho. Hoje em dia eu entendo.

Mais que um prolongado crash no mercado, divórcio é o maior risco pra IF. Ninguém consegue se planejar pra isso. Só o MMM e o André Viagem Lenta conseguiram sobreviver a tal evento. As estatísticas não estão a meu favor. O risco existe.

Antes de jogar a toalha pensava que poderia fazer outra faculdade no meu tempo livre. Música, economia, alguma coisa. Não sei. Parece que todo meu tempo livre é só pra cuidar da casa e do bem estar da família. Não sei como eu tinha tempo pra ter um emprego. O lance que eu postei sobre a jarra com pedrinhas e areia é onipresente na minha vida.

Profissional


Aqui vejo que cometi um erro. Eu tinha idéia de fazer freelance de vez em quando ou montar algum negócio online depois de pedir demissão. Errado. Devia ter começado a correr atrás disso antes.

Depois de um ano sabático me sinto muito mais relaxado e acho que poderia até voltar a ter um emprego normal, com chefe, reuniões, clientes pentelhos, gerentes malucos, tarefas absurdas e tudo mais. Aguentaria fácil mais uns 2 anos nessa vida. Querer não quero, mas se rolar, eu seguro o rojão.

Passado um ano não sei ainda no que gostaria de trabalhar daqui pra frente. Música, finanças, carpintaria, vender sorvete na praia... não sei.

Estudos


Voltei a estudar guitarra com regularidade e venho evoluindo. Queria poder mexer mais com música. Ter uma banda e tocar por aí seria ótimo. Compor umas coisas e tacar na internet só por diversão. Falta o que ? Tempo. Essas coisas tomam tempo, se for pra fazer direito.

Cogitei procurar algum curso ou faculdade pra aprender música e ter um diploma. Poderia depois dar aulas. Fico pensando se não perderia o tesão, ao transformar uma paixão em obrigação. Ficar estudando um monte de livros e partituras porque o curso manda, não porque você tem interesse... Não sei se daria certo.

Quanto a cursos, no começo da pandemia fiz um curso online e foi só. Lista de coisas que quero aprender:
  • desenvolvimento web
  • produção musical
  • carpintaria
  • culinária
Leitura vinha razoavelmente bem até começar a pandemia. A rotina deu uma bagunçada. De repente todo mundo em casa e foi pro saco meu sossego, eu tendo que ajudar minha filha gastar energia já que não podia brincar na rua. 

Social


Eu vinha fazendo o possível para fazer amigos, conhecer os locais. Tinha a limitação de morar longe do centro, depender de ônibus e por isso não poder ficar no boteco até altas horas. Já estava difícil, aí num belo dia alguém na China comeu um morcego e daí alguns meses vocês já sabem o que aconteceu.

Porém digo que não estou frustrado ou surpreso. Eu já esperava. É difícil quando você chega e as panelinhas já estão todas formadas há séculos. Fora que também não sou o cara mais conversador do mundo. Só que aí se eu começo uma conversa, faço perguntas e o interlocutor se limita a respondê-las sem fazer perguntas novas, acabo desanimando.

Agora estou morando no centro da cidade, numa rua pequena e tranquila, mas bem perto das zonas turísticas, bares, lojas, cafés e tudo mais. Vamos ver !

Conclusão

Vira e mexe trombo com algum depoimento de alguém com medo de ficar entediado quando declarar FIRE, ou alguém que realmente se entediou e voltou ao trabalho. Invariavelmente são pessoas solteiras ou casais sem filhos. Comigo é completamente diferente. Eu tenho que correr todo santo dia contra o relógio pra dar tempo de fazer minhas coisas. 

Um exemplo parecido é o do blogueiro Early Retirement Now. Depois do FIRE o cara diminuiu bastante a frequencia dos posts. Vive ocupado com a família e viajando. O Root of Good tem 3 filhos e só publica uma vez por mês. Com filhos tem que ser guerreiro pra continuar blogando !

No fim das contas acho que tenho que aceitar que sempre vou querer fazer mais do que consigo. Meu cérebro é uma máquina de buscar problemas pra resolver. Tenho que parar de focar no futuro e viver o presente. Estar presente, não estar fazendo algo já pensando que logo em seguida tenho que fazer isso ou aquilo.

Sou extremamente grato por ter o privilégio de poder me lançar num sabático assim. Dos que terão a chance, poucos a abraçarão. Destes, muitos ficarão pelo caminho por vários motivos, alheios ou próprios, e só uma meia dúzia de abnegados e privilegiados vai chegar lá. E eu estou entre eles.

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Balanço - Junho/2020: um ano sabático


Junho de 2020 marcou 12 meses vivendo de renda. Quantas aventuras ! Post comemorativo com detalhes em breve.

Foi mês de SELIC em queda livre. Nesse momento tem dezenas de ações e FIIs que pagam dividendos superiores a 2,25% ao ano. Só não pode esquecer que o dividendo vem mas o principal (valor do ativo) pode ir pro buraco. RV é pra longo prazo. Pra curto prazo é renda fixa, isso não mudou. Pessoalmente como já tenho uma posição em RV condizente com minha tolerância a risco, prefiro migrar  uma parte de SELIC pra TD IPCA 2026. Ganho a SELIC + inflação fácil lá no vencimento. 6 anos passa rápido.


Li boa parte do livro "Investidor Inteligente" do Ben Graham. É super detalhado. Até chato por esmiuçar as nuances do mercado americano. São reconhecíveis ali várias boas práticas difundidas na comunidade de finanças: buy and hold, investir em valor, investir com consistência, não tentar adivinhar pra onde vai o mercado, diversificação... Ele explica em detalhes e com exemplos do mercado americano cada conceito. Como já tinha lido muito sobre essas coisas o livro não me apresentou grandes novidades. Agora, eu digo que é um daqueles que você deveria ter na estante pra consultar de vez em quando. É a bíblia do investidor.

Desempenho da carteira


Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,98%
Excelente desempenho ! Com a distópica taxa SELIC de 2,25% continuo migrando um pouco pro TD IPCA 2026, onde estou com taxa média de 3,15% agora. Vai variar mais que o Tesouro SELIC porém vai ser um montante que eu acredito só precisar daqui a 6 anos.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,27%
Que descanse em paz.

Fundos: 1,26%
Excelente !

FGTS: 0,25% 
Recebi saque-aniversário e reapliquei num CDB IPCA 5,15%. Agora quero os 1045 do coronavoucher ! Inacreditável, mas o FGTS já está rendendo mais que muitas aplicações de renda fixa. O problema é que não tem liquidez.

Ações:  9,2%
Inacreditável ! O país indo à merda e essa alta não dá pra entender. Fuga da renda fixa ? Parte da performance vem de ter vendido um pouco de IRBR3, KLBN3 e HGTX3 no topo. GoogleFinance explodiu e esculhambou meu controle. Muita gente publicou alternativas mas nenhuma se compara ao que havia antes.

FIIs: 7,3%; DY do mês ficou em 0,56%
Ótimo ! Quase tudo subiu e os dividendos vieram mais gordinhos, embora longe do patamar do início do ano.

EUR: 2,9%
Disparou no fim do mês

USD: 2,9% 
Disparou também.

Stock plan:  26%
Deu uma subida e vendi um pouco. Com isso posso parar um pouco as remessas mensais. Mas 26% não foi, é a planilha que fica doida quando tem retirada grande e não sei arrumar.

Veja detalhes atualizados sobre a carteira no meu Painel de controle.

Outros ativos


Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,2%
Cumprindo sua função social apenas. 
Excelente, correndo atrás do prejuízo.

Resultado do mês



Rendimento global da carteira: 2,3% - excelente; no ano ainda acumulo -0,3%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 2,08%
Taxa de retirada: 0,03% - bem abaixo da meta. É que pra entrar no apê eu tinha pago aluguel adiantado mês passado, esse mês não paguei nada.

Indicadores do mês:

CDI: 0,21%; no ano 1,75%
IPCA: 0,26%; no ano seriam 0,1%
Poupança: 0,17%; no ano 1,38%

Continuo planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. Esta taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando uma estimativa de dividendos a receber. Ou seja, é retirada mesmo (venda de ativos). 

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Com esse resultado já estou muito perto do patamar do início do ano e a alocação de ativos ficou praticamente do jeito que eu quero !

Melhores investimentos do semestre: Stock Plan ~40%; USD 31%; EUR 22%.
Piores: Ações -19%; FIIs -15%; Fundos -2%.

Próximos passos


Continuar procurando uns frilas.

Continuar gestionando a carteira:
- mais um pouquinho de ações; vender os micos
- mais um pouquinho de FIIs; vender os micos
- mais um pouquinho de TD IPCA

E assim lá vamos nós para a fase 7 de 2020 !