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sábado, 15 de fevereiro de 2020

Tributação de dividendos



Pois é, amigos, a moleza vai acabar. Já está acabando pois na prática a B3 saiu na frente e já instituiu essa tributação. Sejamos realistas. Se este governo não fizer, o próximo fará. Todos países tributam dividendos, porque logo no Brasil onde tributa-se de tudo há de se escapar ?

Neste post vou tentar avaliar qual seria o impacto na minha carteira.

Fim da isenção para vendas abaixo de 20 mil reais

Isso aqui é um grande benefício da nossa bolsa. Comentei isso algumas vezes com um amigo gringo que também investe em ações. "Como assim não paga nada, mesmo se lucrar ?" - o cara ficou louco.

Este ponto não me acerta em cheio porque estou aos poucos migrando pra ETF, que já era tributado. Vou conservar algumas ações que paguem dividendos e aí sim, da parte seguinte eu não escapo...

Tributação de dividendos de FIIs e ações

Pelo que se explica no vídeo acima, teremos 2 opções: 

1 - tributar na fonte a 15% ou 
2 - deixar que se some às suas outras rendas, formando a base de cálculo para a declaração anual. 

O projeto também prevê uma simplificação nas alíquotas de IR, onde quem ganha menos de 5 mil por mês ficaria isento.

Por pouco eu não poderia optar pela segunda opção. Meus dividendos mais aluguel do imóvel às vezes ficam abaixo, mas com maior frequência passam um pouco dos 5 mil. No atual modelo eu pago 7,5% sobre o aluguel e 0% sobre os dividendos. 

Se entendi bem, se esse projeto passar, minha base de cálculo anual seria somente o aluguel, pois optaria por tributar os dividendos na fonte. Daí eu ficaria isento do aluguel e passaria a pagar 15% sobre os dividendos.

Conclusão

No fim das contas ganho pelo lado do aluguel mas perco do lado dos dividendos, ficando mais ou menos elas por elas.

Se eu continuar firme no buy and hold o impacto é menor. Se não vender, não pago imposto. Se receber dividendo pago 15%, porém fico isento de pagar sobre o aluguel.

Só na hora de rebalancear a carteira é que não escapo. Enfim, existiria sim algum impacto pra mim, porém não seria muito grande.

Volatilidade à vista

Se passar mesmo acho que teremos dias malucos na bolsa. De um lado sardinhas atordoadas vendendo tudo pra voltar pra renda fixa e do outro muita gente (incluindo eu) fazendo a estratégia explicada no vídeo abaixo: vender tudo abaixo de 20 mil e recomprar no dia seguinte, pra aumentar o preço médio e reduzir o imposto numa venda futura.


E você leitor, o que acha ? Teremos uma oportunidade de compra ? Ou é melhor ir pra outros investimentos ? Algumas empresas passariam a pagar menos dividendos? Deixe seu comentário e também seu voto na consulta pública que está rolando sobre o assunto.

Update: também tem esta aqui, válida até 29/09/2021. Vamos apoiar !

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Balanço - Janeiro/2020

Mês que passou voando. 

Tivemos a notícia da B3 com suas novas taxas. Estranhamente, quase ninguém comentou. Mas é Brasil sendo Brasil né ? Parece o Neymar que quando tá ganhando o jogo começa com firula, passa o pé em cima da bola... Quando ninguém estava na bolsa, eles não vinham com essas idéias. Eu que já estou cauteloso por causa da euforia dos últimos tempos vou é priorizar o aumento da minha posição no exterior com os dividendos recebidos.

O UOL publicou um artigo sobre o movimento FIRE ! Com participação do colega Sr. IF365, é um dos pouquíssimos artigos sobre o assunto na mídia mainstream brasileira, se não for o único. Igualzinho quando sai algo assim na mídia mainstream no exterior, o artigo é carregado de estereótipos. Seria mesmo modinha de millennials ou coisa de muquiranas que passam a vida a pão e água pra juntar dinheiro o mais rápido possível, dar um pé na bunda do chefe e continuar vivendo a pão e água pro resto da vida ? Tá certo ?


Mas não é só na mídia mainstream que existem mal-entendidos. Esses dias um dos blogs mais tradicionais da finansfera publicou um desabafo. Arrependido após largar tudo para viver sua semi-FIRE e ter saído do Brasil inclusive, o blogueiro se chamou de idiota por ter acreditado que seria feliz assim e chamou de idiotas todos que almejam a aposentadoria antecipada. É claro que não concordo com nada que ele publicou. Mas o post é muito engraçado e alguns comentários então... lendo no ônibus não conseguia segurar as risadas, o povo deve ter achado que eu era louco. Brincadeiras à parte, o autor está passando por um momento difícil. Ele comentou uma vez que tomava uns remédios. Talvez errou a dose esse dia. Tomara que ele encontre seu caminho, seja FIRE ou não.

Terminei de ler "Em busca de sentido", livro escrito por um psicólogo judeu que foi prisioneiro em campos de concentração. Ele analisa os truques psicológicos que usou pra sobreviver num ambiente que era o fim da dignidade humana. Valeu a pena tanto sofrimento ? Fazia sentido aquilo ? Recomendo.


Bom, vamos aos números do mês:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,58%
Ótimo. E esse mês teve uns cuponzinhos pra turbinar a renda passiva.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,54%
Ótimo

Fundos: 1,11%
Excelente

FGTS: 0,25% 
Sem comentários... 

Ações: -3,68% 
SAPR3 voou mas HGTX3 enterrou a carteira... vi que deu uma caidinha, comprei a 32 sem saber o que estava rolando e fechou o mês na casa dos 27 :-( Indexar é preciso.

FIIs: -6%; DY do mês ficou em 0,69%
Tava na cara que ia rolar uma correção, pois tava subindo muito e ainda tá bem esticado no geral. Fiz a subscrição do JSRE11. Foi o primeiro FII que comprei, há 3 anos, e nunca me deu dor de cabeça.

EUR: 4% 
Bela alta do euro 

USD: 5,87% 
Bela alta do dólar

Stock plan: 2,27% 
Ação caiu mas a alta do euro segurou


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 29%
Multimercado - 27%




Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,32% - medíocre, sem surpresas

Previdência Privada: 0,28% - fraco, puxado pelo desempenho da bolsa

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 0,1% - pífio
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: -0,11% - lamentável
Taxa de retirada: 0,11% - dentro da meta

Nesse momento estou planejando uma taxa de retirada por volta de 2,6% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,22%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do início do ano, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,38%;
IPCA: 0,21%; 
Poupança: 0,26%

Próximos passos

Tem um resgate do fundo Gripen caindo agora no começo do mês. Vou mandar pra renda fixa se tiver algo acima de 130% do CDI, senão vai pra IVVB11, GOVE11 ou reserva de oportunidades. No dia eu vejo.

Pretendo começar uma carteira de fundos de índice em Euro numa conta nova, com dinheiro que está meio parado por aqui. Ainda manterei uns 6 meses líquido pra custear as despesas do dia-a-dia, reabastecendo de tempos em tempos com os dividendos e aluguel recebidos no Brasil. De início serão 3 fundos. Quando estiver pronto faço um post com mais detalhes.

Até a próxima !

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Vida de vagabundo: 200 e tantos dias sabáticos


Queridos fans da blogosfera de finanças (ou firesfera), 100 e tantos dias depois do último relato tá na hora de olhar pra trás e ver que diabos eu estou fazendo da vida afinal.

Acho que nada ilustra melhor esses últimos meses que a história mostrada no vídeo abaixo. Pra entender o que se passa e o conteúdo deste post, assista.



A jarra da vida continua cheia pra mim. Retirei uma bolinha - trabalho assalariado em tempo integral - mas coloquei outras: cuidar da família, fazer exercícios e estudar. Música e finanças continuam sendo somente pedrinhas, que eu tive que colocar na jarra depois das bolinhas, senão nao cabia. O blog especificamente tá mais pra areia. 

Isso explica porque minha intenção original de postar com mais frequência foi pro saco, assim como ler um livro por mês e fazer meditação. Pedrinhas, areia e cerveja que um dia eu gostaria de colocar na minha jarra:

  • cursos de desenvolvimento web, carpintaria
  • montar ou entrar numa banda
  • aprender a fazer pães e bolos
  • explorar fontes de renda passiva ou semi-passiva via internet
  • por a leitura em dia
  • meditação
Infelizmente o dia continua tendo apenas 24 horas.  Depois da independência financeira eu queria que alguém inventasse a independência temporal. :)

Tipicamente meus dias são assim:
  • Manhã: levar minha filha na escolha é a única obrigação. Depois vem cerca de uma hora de exercícios, uma hora de música e/ou uma hora cuidando da casa (limpeza, compras, consertos, arrumação, etc). Nem sempre rola fazer todos. As bolinhas tem prioridade.

  • Tarde: curso de idiomas ou levar filha pra atividades extra-escolares, depois cuidar  dela enquanto a patroa vai fazer seus cursos. Só bolinha nessa parte. Encaixo umas pedrinhas conforme dá.

  • Noite: Depois do jantar, ver algo no Amazon Prime Video ou mexer com música, as finanças da casa ou tentar ler um pouco. Qualquer coisa que eu não tenha conseguido fazer durante o dia e que eu me sinta mais motivado.

  • Nos fins de semana pelo menos um dia saio pra correr e o resto acaba sendo mais família - passeios, compras, ver filmes, etc... Nas brechas coloco umas pedrinhas e grãos de areia: música, estudar finanças, blogar, pesquisar assuntos de meu interesse, etc... bom, acho que aí tá mais pra cerveja :-)  

E assim enchi minha jarra. 



É raro eu pegar meia hora pra não fazer nada. Deitar no sofá sozinho com meus pensamentos. Como é bom (e necessário) se desligar, se desconectar do mundo... às vezes estou no processo de me desligar quando lembro que esqueci de fazer algo de alguma das minhas "to-do lists", ou que tem aquela conta pra vencer, ou a patroa chega em casa e o cérebro já liga de novo.


A gente aqui em casa já brinca falando que eu quero arrumar um trabalho pra poder descansar. Querer eu quero, já explico o porquê. Só que agora trabalho é uma parte que eu prefiro que seja uma pedrinha e não uma bolinha. Trabalho em tempo integral e por tempo indeterminado se depender de mim não faço mais. Freelances e projetos temporários são pedrinhas que eu consigo encaixar na jarra. 

Tenho sido contactado por headhunters pelo menos uma vez por mês e já cheguei até perto de fechar algo mas por enquanto nada. Gostaria de faturar algo nesses primeiros anos fora da corrida dos ratos, pois ainda conservo fresca na memória minha experiência em TI, o que me renderia uns trocados a mais. Passados alguns anos estarei obsoleto e totalmente fora do mercado, tendo que me contentar com trabalhos que pagam menos - professor de inglês, motorista de Uber, sei lá. Por isso o foco em achar algo logo nos primeiros anos.

Fica claro que não me considero aposentado, continuo num sabático por tempo indeterminado. Acho difícil que eu nunca mais tenha um emprego. Uma hora aparece algo mais tranquilo, pra tirar uns trocados antes de mais um sabático.

Financeiramente falando, entro 2020 com a seguinte alocação:

Ativo Alocação Alvo Real
Tesouro Direto 23% 22%
LC*, CDB (incl FGTS) 20% 22%
Debêntures/CP 5% 6%
Ações 6% 6%
FIIs 12% 12%
EUR 8% 7%
USD 6% 5%
Ouro 4% 3%
Fundos MM 16% 18%

Renda fixa - 44%
Renda variável - 29%
Multimercado - 27%

Todos percentuais muito próximos do alvo que eu estabeleci, então nada de rebalanceamento por enquanto.

Em cima disso ainda tenho Tesouro SELIC e Fundo DI o suficiente para cobrir 2 anos de despesas caso todos os dividendos cessem hoje; 4 anos se continuarem no ritmo atual. Fora algo em previdência privada.

200 e tantos dias depois, a carteira continua intacta, tendo conseguido até um aumento real:

MêsTaxa de retiradaRend. líquido
Jul0,22% -0,03%
Ago0,18% 0,79%
Set0,16% 1,17%
Out0,15% 1,32%
Nov0,05% -0,05%
Dez0,21% 0,36%
TOTAL0,98%3,56%

Lembrando que essa taxa de retirada é a diferença entre as despesas e os dividendos, estimada em no máximo 0,27% ao mês ou 3,2% ao ano.

Parece que em julho e novembro acabei retirando mais do que rendeu. Na prática isso ocorreu somente em julho, um mês com gastos atípicos por causa da mudança e onde eu ainda não tinha renda de aluguel. Em novembro a renda do aluguel ajudou a cobrir todos os gastos e ainda sobraram alguns trocados. No geral os 6 primeiros meses terminaram com um saldo positivo - gastei bem menos do que a carteira rendeu.

E que venham os próximos 200 dias !

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Balanço - Dezembro/2019; Diretrizes para 2020


Feliz ano novo !

Como passa rápido... parece que foi outro dia que eu chutei o balde e parti pra essa aventura de auto-conhecimento e mudanças enquanto vivo do "vento". Vou ter que fazer outro post pra detalhar melhor como andam as coisas. Por enquanto fica registrada a marca histórica de 200 dias.

Esse mês enquanto a carne foi o vilão da inflação eu fui viajar e torrei uma graninha. Ao mesmo tempo as ações e FIIs dispararam de um jeito que eu fiquei até meio tonto.

E vamos aos números desse mês maluco onde renda variável voou:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): 0,47% - fraco

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,46% - fraco

FGTS: 0,25% - o de sempre

Fundos: 1,74% - excelente

Ações: 9,33% - é tudo ou nada esse negócio; DY do ano fechou em 2,9%

FIIs: 7,01% - é bolha ?!; DY do mês ficou em 0,57%, fechando o ano em 6,56%

EUR: -2,14% - leve queda no euro

USD: -2,50% - leve queda no dólar 

Stock plan: -5,25% - leve queda no euro e na ação 


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 30%
Multimercado - 26%


Outros ativos:

Previdência Privada: 1,15% - voou na aba da bolsa

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,3% - medíocre

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 1,51% - sensacional ! No ano fechou em 13,59%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: 0,36%

Taxa de retirada: 0,21% - dentro da meta

Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,2% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,27%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do mês anterior, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,37%; no ano fechou em 5,96%
IPCA: 1,15%; no ano deve fechou em 4,31%
Poupança: 0,29%; no ano fechou em 4,25%

Melhores investimentos do ano: Stock plan (182%), FIIs (28%) e USD (28%). 
Piores investimentos do ano: FGTS (5,8%), RF (5,8%) e EUR (9,9%).

Foi um ano muito bom financeiramente. O que rendeu bem disparou e o que rendeu menos não foi tão ruim assim.

Próximos passos

Esse ano devo contar com rentabilidades menores em previdência privada e stock plan, pois uma parte do investimento era subsidiado pela empresa. Acabou a moleza.

No geral estou pensando assim:

- Renda variável: não vender nada do Brasil. Aportes com grana vinda da renda fixa estão liberados. Prioridade na bolsa brasileira vai ser ETFs e small caps. No exterior, pretendo vender todas minhas ações do stock plan e reaplicar em ETFs e fundos de índice na Europa, além de seguir comprando IVVB11 sempre que possível.

- Renda fixa: quase todo mês tem algum CDB vencendo, a idéia é reinvestir caso não haja nenhuma oportunidade na RV. Tesouro Direto só se o IPCA+ bater 4% mas posso colocar algo lá já a partir de 3,5%. Preservar o poder de compra é muito importante, e garantir algo de juros reais na era dos juros 0 é preciso.

- Multimercados: sair do Gripen (uma decepção) e jogar o resgate pros outros ou pra RV/RF - o que valer mais a pena.

- Previdência privada: devo jogar algo pra PGBL pra reduzir minha carga tributária. 

- Colchão de segurança: resgatar o que for preciso pra custear minha vida de vagabundo

- Bitcoin: continuar olhando e comendo pipoca

Para 2020 meus cálculos indicam que a carteira aguentaria uma taxa de retirada máxima de 3,5%. Deduzindo os dividendos estimados, eu poderia retirar 2,6%. Cruzando com a  projeção atual de despesas, estimo que vou efetivamente retirar algo em torno de 2% somente.

Em 2019 eu estimei uma taxa de retirada máxima de 4%; menos dividendos, 3,2%; no fim  efetivamente eu retirei só 0,5% de julho a dezembro, o que daria 1% no ano.

Comparando 2019 e 2020 percebe-se o impacto da queda de juros. Não posso mais retirar o mesmo que antes sem consumir uma parte do principal. Mas tudo bem, ainda dá. E se com os juros na mínima histórica eu ainda consigo me virar, imagina quando subir. Porque tudo que desce, tem que subir. :)

Feliz 2020 !

domingo, 15 de dezembro de 2019

Juros reais 0%


Investidores conservadores atônitos diante das sucessivas quedas nos juros. Vimos isso na época da Dilma. Dessa vez vai ser diferente ? Segundo análise da Verde Asset Management, a turma do Stuhlberger acha que sim, que a mania dos juros 0 veio pra ficar.

Quem sou eu pra questionar os gênios da economia e do mercado financeiro.

Mas já que a internet está aí pra isso, vou dar meu pitaco.

Na situação atual temos inflação super baixa porque o povão tá duro, ainda tentando se recuperar da recessão dos últimos anos, e portanto não está consumindo. O governo baixa os juros pra estimular a economia, isso eu entendo. Só que aí ficamos numa situação difícil se a economia não reage. Não somos a Suíça. Quem vai investir aqui se os países desenvolvidos oferecem juros semelhante ?

Mas o que vai acontecer quando a economia começar a reagir ? Vai ter inflação ? Em princípio não imediatamente. Vai haver alguma pressão porém a indústria ainda tem alguma capacidade ociosa pra cobrir o aumento da demanda.

Depois o que acontece ? Pra economia andar mesmo não basta ficar no escritório fazendo contas pra baixar os juros, tem que tirar a bunda da cadeira e investir em infraestrutura. Vamos pegar empréstimo, ampliar a capacidade, produzir pra caramba e transportar a produção nessas estradas esburacadas com caminhões velhos queimando óleo pelo caminho até chegar em algum porto sucateado e ultrapassado ? Isso tem um limite.


Também é preciso fazer a reforma tributária. Assunto complicado porque nossos políticos talvez não queiram diminuir a arrecadação que lhes proporciona tanto luxo e conforto.


Tomara que eu esteja errado, mas não vejo essas coisas acontecendo nos próximos anos. Pra mim se não fizerem essas 2 coisas - modernizar a infraestrutura do país e reforma tributária - teremos mais um vôo de galinha, que a cada 4 anos alimentará o discurso de ódio populista dos próximos candidatos a salvador da pátria.


No plano internacional a renda fixa já morreu faz tempo. Vários países oferecem inclusive juros negativos. É um negócio irracional. Você empresta dinheiro pro governo, espera 10 anos e recebe menos do que emprestou. Juros não seriam uma taxa pelo aluguel do dinheiro ? No caso é como você alugar sua casa pra alguém, morar na rua e ainda pagar por isso.

Por causa disso quem investe prefere a renda variável. No entanto a renda fixa, mesmo com juros negativos, é parte integrante de milhões de carteiras, com a função de reduzir a volatilidade. Aí eu me pergunto o que poderia acontecer se todo mundo se cansasse de morar na rua enquanto paga pra alguém morar em sua casa. Em outras palavras, e se todo mundo desistisse da renda fixa de juros negativos e resolvesse guardar o dinheiro debaixo do colchão ? Seria bem mais rentável. Daí o governo, descapitalizado, sabe o juros de -1 pra 1 por exemplo. A marcação à mercado levaria à bancarrota todos que detém trilhões em títulos com juros negativos, causando uma crise financeira colossal.

Estou só divagando porém é verdade que uma situação assim nunca ocorreu. Vamos ver no que vai dar !

Voltando ao Brasil, uma coisa é certa: buscar a IF nesse cenário é tarefa inédita. Vai ter que se arriscar mais na renda variável e aguentar a volatilidade. Desconheço estudos tipo Trinity para determinar uma taxa segura de retirada na bolsa brasileira. Isso complica pois você fica sem noção do quanto precisa acumular. Como regra geral só consigo pensar na taxa do tesouro IPCA mais longo, que está por volta de 3,2% no momento. Quem quiser sacar com segurança 10 mil por mês teria que juntar 3.750.000. Que diferença pra época dos títulos IPCA+5%, onde meros 2.400.000 bastariam... *

E você leitor, qual seu pitaco ? Juros 0 vai ser a realidade no Brasil ? Juros negativos faz sentido ? Deixe seu comentário !

Boas festas e feliz 2020 !

* Na verdade em ambos os casos seria um valor maior pois pra simplificar o cálculo eu não considerei o imposto.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Balanço - Novembro/2019


Vamos lá, mais um mês passando rápido, 2020 já batendo na porta.

Headhunters continuam me contactando mas nunca bate meu perfil com o que eles querem. Esse pessoal também parece que não lê o currículo. Comecei a me inscrever nesses sites de freelancer como o Upwork pra ver se pinta alguma coisinha. Preencher os cadastros trazem à tona velhas lembranças de projetos e clientes, tanto boas como más: os mal-entendidos, os requerimentos pouco razoáveis, a dedicação de colegas e a luta para sobreviver a ambientes tóxicos.

Meu sonho é encontrar algo onde eu trabalhe pouco, mesmo que ganhe pouco. Bem coisa de vagabundo mesmo. Acho inclusive se tivessem me deixado trabalhar meio período estaria ainda sentado num escritório ao invés de ter que sair daqui a pouco na chuva pra buscar minha filha na escola.

Outro dia topei com este vídeo polêmico. O cara simplesmente detona a carteira do lendário Barsi. Será que ele só gosta de empresa quebrada ? Particularmente acho que quando ele comprou algumas dessas aí pagou tão barato e já teve tanto lucro que agora tanto faz.



Rentabilidade do quinto mês sem contra-cheque:

Tesouro direto (Pré-fixado, IPCA, Selic): -2,23%
Tudo que sobe, tem que descer...
Alguns analistas alertaram para uma "janela de oportunidade" no Tesouro Direto. Tudo que vi foi a taxa do IPCA 2045 pular de 3,1% para 3,30%. É isso que eles chamam de oportunidade ? Eu voltaria com força se tivesse pulado pra mais de 4%.

Renda Fixa (CDB, LCx): 0,41%
Tá de bom tamanho. Esse mês venceu um CDB e reapliquei tudo. Reparei que as taxas estão maiores em percentual. Peguei já a 130% e 140% sem grande esforço. Também peguei LCA a 115% e CDB a IPCA+5,05%. 

Fundos: -0,52%
Não se pode ganhar todas... Saí do Sparta Debêntures pra simplificar a carteira e joguei o resgate tudo em renda fixa (vide acima).

FGTS: 0,25% 
Sem comentários... 

Ações: -0,39% 
Não vai pra frente essa merda. Até FGTS já rendeu mais que as minhas ações esse ano.

FIIs: 2,34%; DY do mês ficou em 1,13%
Excelente mês. Teve o aluguel anual do RBRD11 turbinando os dividendos. E o mercado está bombando. Todo mês tem subscrição (fiz do HTMX11 e MXRF11) e tem algum fundo micando. Agora foi o GGRC11 - sócios da gestora foram presos. No caso acho que os fundamentos continuam firmes e então aproveitei o pânico pra aumentar posição.

EUR: 6,05% - alta do euro 

USD: 7,54% - alta do dólar

Stock plan: 8,4% - alta do euro e da ação 


Alocação atual:

Renda fixa - 44%
Renda variável - 30%
Multimercado - 26%

Outros ativos:

Colchão de segurança (Tesouro SELIC, Fundo DI): 0,3% - medíocre

Previdência Privada: -0,02% - praticamente não saiu do lugar

Concluindo:

Rendimento global da carteira: 0,46% - entre mortos e feridos, salvaram-se todos. No ano acumulo 11,9%
Rendimento global da carteira, líquido de inflação: -0,05%
Taxa de retirada: 0,05% - na verdade se contar aluguel, esse mês sobrou dinheiro (veja abaixo)

Nesse momento estou planejando uma taxa anual de retirada por volta de 3,2% ao ano no máximo, o que daria uma retirada mensal de 0,27%. A taxa de retirada é calculada em cima da carteira do mês anterior, já descontando dividendos recebidos neste mês. Ou seja é retirada mesmo (venda de ativos).

A partir deste mês houve uma pequena mudança no cálculo da taxa de retirada. Pra ficar consistente com o cálculo da rentabilidade, que é feito a partir dos ativos listados acima, não incluo mais o aluguel do meu imóvel como dividendo nos cálculos. Faz de conta que é um salário que eu recebo. Com a combinação de despesas mais baixas e dividendos mais altos (viva RBRD11 !) na prática não houve nenhuma retirada esse mês, sobrando alguns trocadinhos.

Todas rentabilidades acima são líquidas, com exceção de previdência privada. Já está descontado IR e taxas para se desfazer dos ativos. Para ativos no exterior considerei um ágio de 5% no câmbio se quisesse trazer tudo pro Brasil, mais multas e impostos.

Indicadores do mês:

CDI: 0,34%; no ano acumula 5,53%
IPCA: 0,51%; no ano são 3,12%
Poupança: 0,29%; no ano 3,96%

Próximos passos


Fiz uma projeção preliminar pro ano que vem da seguinte da seguinte forma:

- a parte de renda variável da carteira andando de lado
- o resto rendendo a média de 2019
- DY no mesmo patamar
- inflação por volta de 3,60%
- dólar a 4,10; euro a 4,50

No resultado final a carteira renderia 5%. Descontando as despesas e a inflação estimadas, seria o suficiente pra manter o patrimônio no patamar de hoje. Ou seja, aparentemente a vida de vagabundo continua firme em 2020.

Andei pensando e decidi que em 2020 não vou vender nenhum FII ou ação. Os micos que não forem vendidos continuarão lá. O que eu queria trocar por ETF e não conseguir vai continuar lá. Vai ser o desafio buy and hold. Novos aportes provindos de renda fixa estarão permitidos. E vamos ver no que dá.

Feliz dezembro !